Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

ENTRE ASPAS > ABRA vs. ABERT

Taíssa Stivanin

02/11/2004 na edição 301

‘A mudança de alguns pontos da legislação aplicada às emissoras de TV é uma das prioridades da Abra – Associação Brasileira de Radiodifusão. ‘Toda a legislação é muito punitiva’, diz o presidente da entidade, Johhny Saad, dono da Bandeirantes. Segundo ele, não faz sentido, por exemplo, multar quem produz pouca programação regional e não punir quem não produz nada. Criada há uma semana, a Abra reúne Band, SBT, Record e Rede TV! e rivaliza com a Abert – Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV – acusada pelo novo grupo de defender só a Globo.’



TV DIGITAL
Renato Cruz

‘Em busca da TV digital compatível’, copyright O Estado de S. Paulo, 28/10/2004

‘O mote de ‘não inventar a roda’ parece dominar os trabalhos de pesquisa para o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). Na quarta-feira, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia, divulgou a seleção de sete projetos, que envolvem 30 instituições de pesquisa e 15 empresas e receberão R$ 14 milhões. ‘O sistema brasileiro busca alicerce nos pontos fortes dos sistemas internacionais’, afirmou Lauro Ferreira, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Fitec, centro privado de pesquisas de Campinas (SP). A Fitec participam do Futurecom, evento que termina hoje em Florianópolis.

A Fitec está em um consórcio vencedor, liderado pela Unicamp, para desenvolver o chamado middleware, software que funcionará como sistema operacional da TV digital. Outro grupo, liderado pela Universidade Federal da Paraíba, também pesquisará o tema. Há três grandes sistemas de TV digital: o americano ATSC, o europeu DVB e o japonês ISDB. Também há três tipos de middleware: o americano Dase, o europeu MHP e o japonês Arib.

O middleware é o que permite serviços interativos na TV digital. Como o governo brasileiro definiu a inclusão digital – ou seja, o acesso a serviços como internet – como um dos principais objetivos do sistema brasileiro, o middleware é muito importante. ‘A Fitec tem experiência em software aberto e buscamos o máximo de universalidade do produto’, afirmou Ferreira.O grupo planeja desenvolver um software que suporte o maior número possível de aplicações desenvolvidas para os sistemas internacionais.

Criado pela Gradiente, o Instituto Genius, de Manaus, ficou fora do primeiro lote de consórcios escolhidos para pesquisar a TV digital brasileira. Ele concorre com mais dois projetos, que ficaram num segundo lote. ‘Continuo enxergando que temos muito a contribuir’, afirmou Alexandre Lisboa da Cunha, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Genius. Enquanto não consegue seu lugar, o instituto participa do projeto europeu Instinct, para integrar a TV digital ao telefone celular.

Dos 27 parceiros do Instinct, seis são brasileiros. Além do Genius, participam os institutos de pesquisa Cesar e Certi, Escola Politécnica da USP, Universidade do Amazonas e Laboratório Philips da Amazônia. Foram destinados 1,5 milhão de euros à parte brasileira do projeto. O Genius fará o middleware. ‘O que aprendermos servirá para o País’, disse Cunha.

Para ele, o sistema europeu é o que melhor serviria de base ao sistema brasileiro. O ATSC americano teria pouca preocupação com a interatividade, e o ISDB japonês, pouco espaço para conversar.

A TV digital tem imagem e som melhores, transmissão simultânea de programas e interatividade. Um decreto presidencial prevê que a proposta para o sistema brasileiro fique pronta em março de 2005, porém os editais da Finep prevêem 10 meses de pesquisa.

O repórter viajou a convite da Futurecom’



ENTREVISTA / MARCOS PAULO
Leila Reis

‘Marcos Paulo: ‘A TV ganhou qualidade, mas perdeu poesia’’, copyright O Estado de S. Paulo, 28/10/2004

‘Havia 12 anos que Marcos Paulo não dava as caras no vídeo. Como protagonista de Começar de Novo (novela no núcleo que dirige na Globo), ele vive um romance maduro com a personagem de Natália do Vale. Mas não tem conseguido testar a popularidade do seu galã nas ruas. ‘Não faço outra coisa a não ser trabalhar’, diz. Nesta entrevista, Marcos, que tem 49 novelas no currículo, reclama que a evolução tecnológica não diminui a carga de trabalho e diz que o romance entre cinqüentões faz sucesso por ser uma generosidade para com as mulheres.

Por que ocê trocou a direção pela função de ator?

Desde O Beijo do Vampiro, Antonio Calmon veio com a idéia de escrever um papel para mim. Ajudei a delinear o Andrei, um justiceiro que volta para acertar as contas com o passado.Quando ele apresentou a sinopse disse que só eu podia ser Andrei.

Como é voltar a atuar após 12 anos?

É inumano, não tenho feito outra coisa a não ser trabalhar. Decoro 60 cenas por semana. Não dá certo eu me dirigir. Fiz isso em Meu Bem Meu M al, mas depois de dois meses desisti e fiquei só na direção. Não é possível atuar de olho na luz, no enquadramento.

Essa volta ao vídeo tem a ver com vaidade?

Todo artista deve ter vaidade profissional. Vaidade não é defeito, desde que se tenha controle dela. Voltei porque me apaixonei pelo personagem. Se fosse movido pela vaidade, teria voltado antes.

É uma nova tendência cinqüentões formarem o par central?

Foi coincidência ocorrer is so em Começar de Novo e Senhora do Destino. Havia uma supervalorização da juventude nas novelas. Hoje começa a haver uma necessidade natural, quase orgânica, de valorizar a experiência, a sabedoria, a maturidade. O fato é que romance entre pessoas maduras é bem recebido pelo público feminino. As jovens ficam felizes de ver que lá na frente o romance pode acontecer em suas vidas.

Vocês ficaram com medo da Escrava Isaura?

Escrava Isaura é uma concorrente como outra qualquer. É bem-feita, Herval Rossano está fazendo um bom trabalho. Respeito o trabalho dele e a atitude da emissora por investir em novela.

Você, que começou na TV há 34 anos, pode analisar a evolução do veículo?

A evolução é espetacular. Os equipamentos sofisticaram-se muito e baratearam. A computação gráfica resolve coisas que levavam dias. Quando dirigi Fera Ferida, cada experiência do alquimista (Edson Celulari) era feita mecanicamente. O curioso é que a evolução não significou diminuição na carga de trabalho. Hoje, a TV é uma grande indústria, ganhamos qualidade, mas perdeu-se a poesia do começo, quando tudo era artesanal. Meu pai (Vicento Sesso, autor e diretor de novelas) fazia cenários, ensaiava os atores em casa.

O que você gostaria de ter feito na Globo?

Gostaria de dirigir o Globo Repórter, Cidade dos Homens, A Grande Família.

Qual foi seu melhor e o pior trabalho como ator?

O melhor foi o Primo Basílio. O pior foi na novela O Salvador da Pátria. Pedi para o Lauro César Muniz me tirar.’

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