Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > MTV

Taíssa Stivanin

08/03/2005 na edição 319

‘Logo no começo da gravação, o diretor Júlio Picone avisa a platéia: ‘Vocês podem rir, se divertir, mas nada de gracinha sobre o casamento.’ É o retorno de Daniella Cicarelli à MTV, depois de três meses, tempo em que ela se mudou para a Espanha, casou e virou o assunto preferido da imprensa por ter expulsado da festa a modelo Caroline Bittencourt Barbosa. Daniella renovou o contrato com a emissora por mais um ano. Em um cenário em forma de castelo, na quarta-feira à noite ela gravou o piloto (edição de teste) de Beija Sapo, que tem estréia marcada para 9 de março, às 22h.

No programa, uma garota – a princesa – escolhe entre três pretendentes, tendo à disposição algumas dicas sobre os participantes. Aprova ndo ou não a beleza do moço, tem de beijá-lo assim mesmo no final. É uma espécie de Fica Comigo, ex-atração de Fernanda Lima na mesma MTV, mas com mais criatividade.

Daniella se mostrou à vontade no comando da atração, fez piadas, caras e bocas. Entre batatas fritas e balinhas de chocolate surrupiadas no intervalo, improvisou e provocou risos na platéia. Até pediu opinião à reportagem do Estado, que acompanhou a gravação com exclusividade. Parecia realizada. E estava. Diz que na TV deixa de ser a mulher do jogador Ronaldo, seu marido há 13 dias. ‘Da mesma maneira que ele tem o futebol dele, o gol dele é lá, o meu é aqui’, diz. ‘A única maneira que tenho de tentar que me desvinculem da imagem de mulher dele é continuar trabalhando e batalhando. Se em algum momento eu parar, aí sim, vou ser só a mulher dele.’

Há três anos na MTV, Daniella pretende fazer agora a ponte aérea Madri-São Paulo uma vez por mês, em média, para gravar seus programas na emissora do Sumaré. Sua agenda, entretanto, exclui trabalhos como modelo no exterior. ‘Não foquei minha carreira para ser modelo.’

‘Morei em Nova York, voltei, e, na real, para ser modelo você tem que ter 14 anos e ser um pau de magra. Além do mais, se eu for trabalhar na Europa agora, vai ser por conta do Ronaldo.’ Daniella acredita que, é preciso ter ‘histórico’ para fazer qualquer coisa. ‘Na MTV eu cheguei sozinha e estou há três anos sem indicação de ninguém.’

IRONIA

Em julho, Daniella estréia à frente uma nova atração, em que ela, por ironia do destino, vai invadir lugares sem ser notada. Sabe que isso pode remeter ao incidente que deu fama à modelo Caroline Bittencourt. Mas não se abala. ‘Continuam falando, mas vamos ver até quando. A gente tava na nossa festa, no nosso canto, no nosso direito… A pessoa foi para a festa e ainda quer protestar? A gente só olha e ri, um liga para o outro zoando, mas beleza. Uma hora isso acaba. Quero que aconteça alguma uma coisa na semana e esqueçam logo disso’, ri.

Daniella, que foi ao Domingão do Faustão falar sobre o ocorrido, diz que a escolha do programa foi uma decisão entre ela, Ronaldo e a MTV. ‘Quando cheguei da Europa e vi a proporção que aquilo tinha tomado me vi na obrigação de dar uma explicação para o público. O Faustão é um programa que fala para o povo. Depois disso, deu. Não vou dar coletiva, nem aparecer na revista segurando uma taça de champagne com título: ‘Brinda Nova Fase’.

Embora ela tenha concordado em falar ao Estado com a condição de não remexer muito no assunto, essa história a irrita menos do que parece. Para ela, é normal que as pessoas queiram opinar. Já foi parada na rua para ouvir comentários a respeito do episódio. ‘Você entra na casa das pessoas na hora do jantar. É claro que elas vão se sentir no direito de opinar sobre qualquer coisa.’

Daniella fala que, na verdade, sente mesmo é falta do Brasil. ‘Sinto falta dos meus meus companheiros de triahtlon, das pessoas. Em Madrid, sou dona de casa’, fala. ‘As pessoas fantasiam sobre morar na Europa. Porque juntam dinheiro, vão lá e passam as férias. Agora, vai deixar seu país para mudar totalmente de vida? Não é fácil!’

Na véspera das gravações que acompanhamos, Daniella acordou às 6 da manhã para correr. ‘Tento levar minha rotina, sou uma pessoa comum. Mesmo a festa (de casamento), não acho que teve ostentação. Era uma festa para amigos, levei amigas de infância. Eu nunca fui de festas, mas o casamento era um sonho do Ronaldo. E tudo contribuiu para virar um conto de fadas.’

Daniella endossou que a festa tinha que ser na Europa, porque Ronaldo não podia vir para o Brasil. ‘O Real Madrid escolheu a data e era dia dos Namorados. Na festa, a boate funcionou na cozinha do castelo. Não era uma festa para ser televisionada’, justifica. É esperar pelas cenas dos próximos capítulos.’



SENHORA DO DESTINO
Etienne Jacintho

‘‘Não queria que a Danielle fosse cachorra’’, copyright O Estado de S. Paulo, 4/03/05

‘Senhora do Destino levou ao espectador bons momentos com Giovanni (José Wilker) e sua ninfa-bebê Danielle (Ludmila Dayer). Pela primeira vez, a atriz, de 21 anos, interpretou um personagem cômico – e se deu bem. Para criar Danielle, Ludmila, que estreou como atriz aos 10 anos no filme Carlota Joaquina, se inspirou em Marilyn Monroe. Nessa entrevista ao Estado, Ludmila conta como virou uma celebridade – não instantânea.

Como surgiu o convite para Senhora do Destino?

Surgiu depois de um trabalho no cinema, em Traição. Fiz uma lolita, o Wolf (Maya) viu e quis me dar a personagem.

Você não ficou com medo de fazer outra Lolita?

Não. Ela não tem nada a ver com o que eu tinha feito. Fiz uma lolita diabólica e essa é cômica. Foi uma possiblidade de diversificar. E o personagem não era assim. Es se lado cartum, quem criou fui eu – os trejeitos, a voz…

Você criou a Danielle inspirada em quem?

Vi filmes da Marilyn Monroe e seus personagens têm uma sensualidade ingênua. Não é mulher fatal nem vulgar, mas doce e meiga. Não queria que Danielle fosse cachorra.

Malhação foi uma porta de entrada para a Globo?

Não. Tive convites para entrar na Globo antes, mas eu era muito nova. Tenho 21 anos e comecei aos 10. Quis focalizar minha carreira no cinema para ter tempo de terminar os estudos. E eu era criança. Sempre foi uma procupação da minha família não queimar etapas. Te levisão desgasta. Acho que entrei na Globo na hora certa.

Você imaginou que a Danielle fosse crescer tanto dentro da trama?

Não, até porque a proposta que criei para a personagem era nova. Quis ousar. As divas dos anos 50. Essa imagem de mulher sempre foi marcante para mim. E a personagem caiu no gosto popular. Muitas crianças se identificam, talvez pelo tom cartum.

O que você acha das celebridades instantâneas?

Hoje as pessoas estão na profissão não porque amam, mas porque querem dar autógrafos. Quando o Aguinaldo (Silva) colocou isso na minha personagem fez um alerta de que fama não traz felicidade. A Danielle nunca foi feliz assim e ficou frustada porque foi uma celebridade instantânea mesmo…

Você disse em uma entrevista antiga que não liga para a ditadura da beleza. Ainda pensa assim?

Eu me cuido muito, mas hoje em dia as pessoas estão padronizando a beleza . Todo mundo quer ter o mesmo corpo, o mesmo cabelo. Acho que toda mulher tem que se cuidar, mas não coloco isso em primeiro plano. Não posso decepcionar o público e chegar a um lugar toda maltratada, já que a Danielle é toda montada.’



TV DIGITAL
Renato Cruz

‘Pesquisadores buscam criar TV digital compatível’, copyright O Estado de S. Paulo, 3/03/05

‘O Brasil vai criar um sistema próprio de TV digital ou adotar um dos que já existem em outros países? A julgar pelo que dizem os consórcios de pesquisa contratados pelo governo, tanto faz. ‘Trabalhamos numa proposta suprapadrão’, explicou o professor Marcelo Zuffo, da Universidade de São Paulo (USP), que participa de três consórcios. ‘Queremos garantir a interoperabilidade.’

A idéia é desenvolver soluções que funcionem, se possível, nos três grandes sistemas existentes – o americano ATSC, o europeu DVB e o japonês ISDB – e em qualquer variação que seja criada para o País. Ao mesmo tempo, o discurso do governo mudou. Não se fala mais em um padrão brasileiro. Os próprios sistemas internacionais usam padrões tecnológicos em comum. Também não se fala em sistema nacional, mas em modelo. Um modelo brasileiro pode significar o uso de um sistema internacional de uma maneira apropriada à realidade local. Na semana passada, o governo assinou convênios com 27 instituições para pesquisa em TV digital. No dia 31, haverá uma apresentação em Brasília do que cada grupo já tem em funcionamento.

‘Quando se fala em modelo brasileiro, não há a xenofobia de tudo desenvolver’, afirmou Mauro de Oliveira, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, durante a Telexpo, evento que termina amanhã em São Paulo. ‘Não se descartam negociações.’ De acordo com Oliveira, os grupos internacionais vêem agora o País como um parceiro, e não mais como um comprador de tecnologia. Ele acaba de chegar de uma visita à França, onde se encontrou com representantes do DVB. Dois técnicos do Ministério voltaram sábado de uma viagem à China. ‘No ano passado, os chineses nem queriam conversa e hoje estão interessados em cooperação.’

‘Vamos operar com padrões abertos, aguardando o governo, que pode até se alinhar a algum bloco’, afirmou Guido Lemos, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPb). ‘Nos próximos dois anos, tudo pode acontecer.’ Lemos pesquisa o chamado middleware, o software que garante a interatividade da TV digital. Segundo o professor, de 80% a 85% das tecnologias usadas pelos sistemas internacionais são as mesmas, e seria possível criar um middleware brasileiro que seja, ao mesmo tempo, compatível com todas elas.

Mas por que TV digital? Apesar das vantagem da interatividade, a primeira resposta é: para assistir TV. A Universidade Mackenzie realizou uma série de testes num raio de 30 quilômetros a partir da Avenida Paulista, e descobriu que em 56% da região há problemas de recepção. Em 3,1% nem há sinal. ‘Se digitalizar o sinal, toda a população teria uma imagem limpa e clara’, explicou o professor Gunnar Bedicks Jr., do Mackenzie.’

***

‘Definição sobre TV digital fica para 2006’, copyright O Estado de S. Paulo, 2/03/05

‘Pelo jeito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai mesmo assistir a Copa de 2006 na TV digital brasileira. O Comitê de Desenvolvimento do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) reuniu-se na segunda-feira e decidiu que as universidades e centros de pesquisa têm até 10 de dezembro para entregar ao governo um relatório sobre o modelo e a tecnologia a serem adotados no Brasil. A partir daí, o comitê terá mais dois meses para entregar um documento com suas considerações ao presidente. O prazo anterior para este documento, previsto em decreto presidencial, vencia em março.

O próprio governo, porém, parece já ter afastado a idéia de criar uma tecnologia local. ‘Com o relatório, vamos verificar o que dá para desenvolver aqui’, explicou o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Paulo Lustosa. No ano passado, Lustosa chegou a dizer que o governo havia desistido de criar um sistema brasileiro, durante evento em São Paulo, para depois retificar a informação, ao chegar em Brasília. Ele participou ontem da abertura da Telexpo, evento de telecomunicações que vai até sexta-feira em São Paulo.

Na semana passada, o governo assinou convênios com 27 instituições de pesquisa, divididas em seis consórcios, para estudar os aspectos tecnológicos, econômicos e sociais da TV digital. Foram liberados R$ 19 milhões do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel) para o trabalho. ‘Eles terão nove meses, o tempo de uma gestação humana. Mas eles queriam 11 meses, uma gestação de jumento’, brincou Lustosa. A TV digital proporciona imagem seis vezes melhor e som surround, como o de cinema. Além disso, permite serviços interativos, como comércio eletrônico, vídeo sob demanda e educação à distância, parecidos com os que existem na internet.

O processo de escolha do sistema começou em 1994, quando a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) criaram um grupo de trabalho para analisar as opções existentes. Em 1998, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), recém-criada, tomou frente do processo. Com o apoio da indústria, a Universidade Mackenzie comparou, entre 1999 e 2000, os três principais padrões internacionais: o americano ATSC, o europeu DVB e o japonês ISDB. O ISDB, defendido pela Abert, obteve os melhores resultados. A Anatel chegou a realizar duas consultas públicas, uma sobre o resultado dos testes e outra sobre os aspectos econômicos e sociais da tecnologia.’



SBT
Taíssa Stivanin

‘SBT compra ‘Xica da Silva’’, copyright O Estado de S. Paulo, 3/03/05

‘O SBT adquiriu os direitos de exibição da novela Dona Beija (1986) e as fitas de Xica da Silva (1997), transmitidas pela extinta TV Manchete, que fechou as portas em 1998. As novelas foram dois grandes sucessos de audiência da emissora.

Protagonizada por Maitê Proença, Dona Beija foi dirigida por Herval Rossano, que hoje comanda na Record o remake de Escrava Isaura.

A ironia nesse novo capítulo de Xica da Silva é que a novela foi escrita por Walcyr Carrasco quando o autor era contratado do SBT. Mal aproveitado pelo canal de Silvio Santos, Carrasco escrevia a novela para a Manchete sob o pseudônimo de Adamo Angel. A direção era do mestre Walter Avancini, morto em 2001, e Xica teve ainda o mérito de revelar Taís Araújo para a TV.

A novela ainda não tem data de exibição no SBT, mas não deve ocupar o lugar de Esmeralda – a trama será substituída pela mexicana Os Ricos também Choram, como reza o acordo com a Televisa.

ACERVO

Quando saiu do ar, em 1998, a concessão da Rede Manchete passou para a TV Ômega (RedeTV!). Já imóveis e equipamentos foram comprados pela Hesed Participações , de Fábio Saboya. Com eles, o acervo. Como a Bloch Editoras faliu, o prédio do grupo foi lacrado pela Justiça. O lacre ocorreu quatro meses após a transferência da Manchete para a Ômega.

Teoricamente, as fitas de Xica da Silva e Dona Beija fariam parte desse acervo, mas o SBT, por meio de sua assessoria de imprensa, não confirmou, até o fechamento desta edição, a quem pagou para obter esse material.’

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