Domingo, 18 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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ENTRE ASPAS >

Terra Magazine

21/10/2008 na edição 508

SEQÜESTRO EM SANTO ANDRÉ
Claudio Leal

Jornalista não é negociador’, critica Datena, 20/10

‘No turbilhão do seqüestro das garotas Eloá e Nayara, o apresentador do programa ‘Brasil Urgente’ (Bandeirantes), José Luiz Datena, criticou no ar as entrevistas feitas por outras emissoras com o seqüestrador Lindemberg Alves, em Santo André (SP).

A Rede Record, a RedeTV! e a Rede Globo ouviram o seqüestrador, por telefone, antes da ação da polícia. Datena, da Band, afirma que teve acesso ao número de Lindemberg, mas optou por não ouvi-lo. Em entrevista a Terra Magazine, o apresentador esclarece que não fez críticas específicas a jornalistas, mas à interferência da mídia no teatro do crime. ‘(Jornalista) não é negociador. Negociador é negociador’. Expõe sua visão da cobertura:

– Uma palavra errada que você coloca, o cara pode pegar e matar alguém lá dentro. O fato de ele ter falado muito em televisão e aparecido muito em televisão pode ter prolongado o seqüestro, sim. Se o cara estava se sentindo o ‘rei do gueto’, como ele falou… Isso pode ter prolongado – diz Datena.

Para ele, a imprensa não é responsável pelo desfecho trágico. Antes de julgar os policiais, prefere esperar o resultado da perícia. Guarda, porém, uma avaliação crítica do episódio e defende que ele pode servir de lição para as próximas coberturas:

– Isso tudo pode influenciar. Não é legal. Na verdade, uma cobertura como essa serve pra todo mundo aprender: a polícia, a televisão, a imprensa. Se você isola aquele local e o cara não tem imagem de televisão, acho que a situação seria outra.

Leia a entrevista:

Terra Magazine – Por que o senhor criticou a posição da imprensa de entrevistar o seqüestrador Lindemberg?

José Luiz Datena – Eu não critiquei a opinião da imprensa, meu irmão. Critiquei o fato de terem colocado no ar… É exatamente isso que estou falando pro meu diretor agora. Critiquei o fato de, isoladamente, algumas pessoas da imprensa colocarem o sujeito, que estava sob forte pressão, com arma na cabeça de duas crianças, pra falar no ar. Primeiro que jornalista não é preparado para conversar com seqüestrador.

Não é negociador?

Não é negociador. Negociador é negociador. Não estou dizendo que o negociador da polícia cometeu erro. Se o cara que está preparado pra negociar comete erros, imagine então um sujeito que não é preparado. O cara que apresenta bem, que é bom repórter, é bom jornalista, necessariamente não é um cara preparado pra falar com um seqüestrador.

Nesses momentos, quais são os cuidados que um telejornal popular precisa tomar?

Primeiro lugar que não é telejornal popular, meu irmão. É qualquer jornal. Não foi só telejornal popular que entrevistou.

Mas, no caso, o senhor criticou o programa da Sonia Abrão.

Não foi Sonia Abrão coisa nenhuma! Eu nem sabia que ela tinha entrevistado o cara. Quem estava entrevistando era a Record. A Globo entrevistou o cara também…

Sim…

Ninguém falou de Sonia Abrão, especificamente. Eu nem estava sabendo que Sonia Abrão já tinha entrevistado o cara. É que, no meu horário, eu tinha o telefone do cara e me sugeriram falar com ele. Eu disse: ‘Não vou falar com o cara coisa nenhuma’. ‘Ah, mas a Record tá dando…’. Isso é problema da Record, não é problema meu. Não faço isso.

Isso influencia o comportamento do seqüestrador?

Não é questão de influenciar. Uma palavra errada que você coloca, o cara pode pegar e matar alguém lá dentro. O fato de ele ter falado muito em televisão e aparecido muito em televisão pode ter prolongado o seqüestro, sim. Se o cara estava se sentindo o ‘rei do gueto’, como ele falou… Isso pode ter prolongado.

A cobertura foi sensacionalista?

Não sei se foi sensacionalista, mas eu sei uma coisa: se fosse só eu que tivesse entrevistado o cara, tava todo mundo metendo o pau em mim.

Em outros os momentos, o senhor errou pra justificar esse tipo de crítica?

Quem errou?

Em coberturas anteriores, houve erros que justificassem essas críticas?

Você vai aprendendo com o tempo. Agora, não foi a imprensa a principal culpada pelo cara ter matado. Aliás, temos que esperar a perícia, pra ver realmente quem atirou. Não foi a imprensa a culpada disso tudo. Eu critiquei algumas pessoas que também não são as culpadas, do meu ponto de vista. Acho que não é legal fazer isso. É minha opinião.

O senhor disse que tinha o telefone do seqüestrador e optou por não ligar, é isso?

Optei por não entrevistá-lo.

Avaliou que isso prejudicaria as negociações?

É… Mas não estou dizendo que a imprensa foi a culpada ou essas pessoas. Nem sabia que Sonia Abrão tinha entrevistado! Até falei isso no programa de sexta-feira. Não sei por que a Sonia Abrão tá metendo o pau em mim. Não falei o nome dela. Mesmo porque sempre tive ela em alta consideração.

E falou isso no ar.

Nem sabia que era ela. É que o sujeito estava dando uma entrevista, não sei se era gravada ou não, pro telejornal da Record. Todo mundo me critica – ‘Ah, o cara faz entrevista sensacionalista…’ – e eu não coloquei o cara no ar. Acho que fui o único da televisão que não colocou. Não quero dizer que eles foram responsáveis pela tragédia que aconteceu.

Mas não cria um ambiente, em torno do seqüestro, que prejudica a negociação da polícia?

Você não viu? O cara falou que era o ‘rei do gueto’. Aparecendo em tudo que é televisão… O fato de a menina ter voltado pra lá também. Sei lá por que ela voltou pra lá, entendeu?

Isso está em outra esfera?

Pode ser a mesma também. Porque ela estava aparecendo na televisão. Isso tudo pode influenciar. Não é legal. Na verdade, uma cobertura como essa serve pra todo mundo aprender: a polícia, a televisão, a imprensa. Se você isola aquele local e o cara não tem imagem de televisão, acho que a situação seria outra. Mas não foi o fator fundamental que propiciou a tragédia. Mesmo porque não foi ninguém da imprensa que foi resgatar as meninas. Outra coisa: falam aí que a polícia americana acha que houve falhas… Qual foi a maior falha de segurança em termos de história contemporânea?

O 11 de Setembro?

Ué! Os caras enfiaram dois aviões dentro daquelas Torres Gêmeas e mais uma avião na casa de guerra dos americanos, na maior potência do mundo. Não souberam como agir na hora. Quem são eles pra ficarem criticando a ação da polícia brasileira? Deviam olhar para o próprio quintal. O mais lamentável em tudo isso foi o desfecho. Ninguém queria que isso acontecesse. Não sei se você concorda comigo, mas é minha opinião.

Nenhuma crítica específica?

Não é específica. É minha opinião. Sempre dei minha opinião. E não gostei quando disseram: ‘Ah, Datena criticou os colegas…’ Não critiquei colegas.

Há problema em criticar colegas? Não seria corporativismo evitar fazer críticas?

Todo mundo me critica. Eu critiquei quem colocou as entrevistas no ar. E, naquela hora, era uma crítica específica ao ‘Jornal da Record’, que estava colocando o cara no ar. Me disseram: ‘A Record tá colocando o cara…’ Não coloquei. O cara está seqüestrando… Bandido não fala através de televisão, não fala através de jornal. Fala através de advogados, da justiça.’

 

 

TELEVISÃO
Márcio Alemão

Respeito? Como assim?, 20/10

‘A mulher filé estava no Super Pop. Escrevi em letras minúsculas porque acho que se trata de um adjetivo e não um nome próprio. E tal qual a amiguinha melancia só soube fazer, exibiu seus bizarros predicados que devem encantar a igualmente bizarros cidadãos de gosto duvidoso. A certa altura, o rapaz que a acompanha passa um cartão de crédito entre as nádegas da moça. E ela o segura.

Impressiona-me sobremaneira que isso aconteça em um programa comandado por uma mulher. É evidente que sabemos que talvez não chegue a ser um COMANDO. Ainda assim, um programa apresentado por uma mulher que deveria pensar… ôpa! de quem eu penso estar falando? Ainda assim, mulheres deveriam ser mais respeitadas e outras deveriam se dar mais ao respeito.

E esse programa tem anunciantes. Isso é o que mais assusta. Ângela Bismark também esteve lá dizendo que irá fazer uma operação para voltar a ser virgem. Esse desejo da Ângela é antigo. Não cheguei a entender se ela fez a tal cirurgia ou ainda está simplesmente alardeando.

O alardear, no caso, é de fundamental importância. A modelo, ao ser questionada por um dos participantes que alegava não ser boa idéia divulgar a tal cirurgia, considerando ser a mesma delicada e nem sempre possível de ser realizada, deixou claro que isso está praticamente fora de seu controle porque a mídia internacional o tempo todo quer saber o que está acontecendo com ela.

E é verdade, gente. Mesmo nesses tempos de crise no mundo, é só zapear para dar de cara com alguma notícia sobre a Ângela ou com alguma pergunta sobre ela. Não se fala outra coisa na mídia internacional. Madonna estaria fortemente interessada no assunto e não vê a hora de chegar ao Brasil para trocar idéias com a modelo que já fez mais de 40 cirurgias plásticas. Por trás desse papo existe uma armação mercadológica. Dizem que ela, Madonna estaria armando o relançamento de seu segundo álbum, o Like a Virgin, que aconteceria logo após sua separação oficial.

Também passei pelo Brothers, do Supla e João. Vi pouca coisa. Vi uma tentativa tola de ser Chacrinha; vi, como sempre, a grande mercadoria de todos os programas de auditório: mulheres gostosas ‘dançando’. E vi um quadro daqueles que se encaixa na categoria ‘CTA’ -­ Constrangimento Total e Absoluto.

‘O que você faria por 10 contos?’ No centro da cidade, pobres cidadãos pobres sob muitos aspectos, escolhiam uma opção imbecil entre três cretinas para se submeter. Humilhar pessoas simples não é engraçado. Respeito é uma palavra meio perdida na nossa TV.’

 

 

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