Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Terra Magazine

24/08/2010 na edição 604

COBERTURA FALHA
Franciel Cruz

Mídia nacional esquece mortos em desabamentos na Bahia

O desleixo das autoridades e os temporais, tragédias que castigam Salvador desde sempre, provocaram mais um desastre na região central desta besta (e ainda bela) província: O desabamento de um casarão, o 5º em apenas um mês e o 20º só este ano, causou a morte de mais quatro pessoas na madrugada desta terça-feira, 17.

Tal acontecimento, por mais triste que seja, não surpreende. Afinal, o Relatório Casarões 2009, elaborado pela própria Coordenadoria de Defesa Civil (Codesal), já indicava que 111 imóveis tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) corriam o risco de desabar. E mais. Destes, 86 colocavam em risco a vida até das pessoas que circulavam naquela localidade.

Aliás, a tragédia naquela região vem sendo anunciada há séculos. E quando digo ‘séculos’ não é apenas figura de linguagem. Neste caso inexiste a hipérbole. Ouçam o que disse o presidente desta província, Francisco José de Sousa Soares d’Andrea, em 1845, em discurso proferido na Assembleia Legislativa Provincial, num tópico intitulado ‘Obras que se precisam na província’. Às aspas.

‘…E desde então até agora uns annos por outros são os seos moradores advertidos d’estas más disposições por algum desabamento, e por algumas pessoas que ficam sepultadas nas minas das casas desmoronadas, cousas que em poucos mezes esquecem e só por novas desgraças nos lembramos que é preciso segurar a montanha (atualmente Ladeira da Montanha), mas depressa esquecem também essas segundas, terceiras, e últimas desgraças’.

É isso. O esquecimento relatado acima pelo presidente continua uma constante. Nesta quarta-feira, 18, por exemplo, ao não ver mais nem uma nota de rodapé nos grandes portais da internet sobre a tragédia, saquei do coldre a seguinte pergunta que me atormenta há tempos: Por que diabos algumas dores repercutem insistentemente no noticiário e outras caem logo no esquecimento?

Foi exatamente por não saber efetuar tal diferenciação que abandonei o jornalismo e segui o conselho de um anjo gauche que me disse: vai ser barnabé na vida. E cá estou um burocrata quase feliz.

Mas, derivo. E derivo muito, porque felicidade é uma palavra que deveria ser proibida de frequentar estes rabiscos. Afinal, ela, a felicidade, é uma afronta às dores que não têm o direito nem de frequentar os jornais.

 

ELEIÇÕES 2010
Carolina Oms

Bucci: TV ainda é a principal sede dos debates eleitorais

A algumas horas da ‘estreia’ do horário eleitoral gratuito de 2010, o jornalista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Eugênio Bucci não menospreza o papel da internet nas eleições, mas ressalva:

– O centro do espaço público no Brasil ainda é a televisão, e muita coisa vai acontecer em torno da televisão e do horário eleitoral. Isso me parece indiscutível. (…) Eu não diria protagonista, mas a TV é a sede dos discursos, dos debates e do veio principal da campanha.

Para o jornalista, que transitou pelas redações dos principais veículos do Brasil e comandou a revitalização da Radiobrás (Empresa Brasileira de Comunicação S.A), houve equilíbrio no tratamento dispensado pelos apresentadores do Jornal Nacional na série de entrevistas com os presidenciáveis Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva:

– Há 20 anos as entrevistas eram diferentes de um candidato pra outro, inclusive na locação, nos cortes. (Este ano) os candidatos estavam no mesmo estúdio, com a chance de reconduzir, de questionar uma pergunta, porque era uma entrevista ao vivo.

Atualmente, avalia o professor, a importância da internet vem da sua capacidade de amplificar os fatos gerados na TV ou no cotidiano e de mobilizar as militâncias de cada partido.

Leia a entrevista.

Terra Magazine – Muito se falou sobre a importância que a internet teria nestas eleições. Já podemos avaliar os resultados da influência da mídia eletrônica na campanha?

Eugênio Bucci? – Existe um grande impacto e uma grande presença das tecnologias da área digital nas eleições. Basta ver a ação dos partidos em cima disso, buscando receber doações, mobilizar militância. Hoje as militâncias são mobilizadas pelos meios digitais. Embora a televisão ainda seja o centro dos esforços, é indiscutível que os novos meios já têm uma presença muito grande.

A questão é que não dá pra separar: ‘isso veio da internet, isso veio da TV’. Esses debates que aconteceram na Band e as entrevistas no Jornal Nacional são muito reproduzidos. Uma das funções da internet é amplificar esses eventos de TV ou outras manifestações, um vídeo doméstico como do garoto que encontrou o (governador Sergio) Cabral e o Lula no Rio de Janeiro.

A televisão continua a desempenhar o papel de protagonista nesta história?

Eu diria que sim, mas, veja só, não dá pra separar uma coisa da outra. Você tem uma entrevista no Jornal Nacional e isso é difundido pela internet, muita gente vai ver isso pela internet. O centro do espaço público no Brasil ainda é a televisão e muita coisa vai acontecer em torno dela e do horário eleitoral. Isso me parece indiscutível, tanto que uma das principais moedas de troca entre os partidos é o horário político.

Eu não diria protagonista, mas a TV é a sede dos discursos, dos debates e do veio principal da campanha. É pra ela que os partidos dirigem os investimentos e é pra ela que muito mais gente no Brasil vai dirigir sua atenção. Isso tem a ver com a penetração da TV ser maior do que o hábito de consultar a internet. Cerca de 70 milhões de brasileiros têm internet, mas o hábito não está tão difundido quanto o da televisão.

Foram feitas muitas críticas em relação à maneira como William Bonner se portou com cada entrevistado. Como o senhor avalia a condução das entrevistas?

Ele recebeu críticas de apoiadores, então alguém que apoia tal candidato acha que o dele não foi favorecido, mas isso é normal. Na minha avaliação, ele teve um tratamento relativamente equilibrado entre os principais candidatos. Criticaram o Bonner por não ter perguntado sobre a reeleição do Fernando Henrique, mas ele também não perguntou sobre o dossiê da Dilma.

Tem críticas e críticas, mas, no geral, acho que o público percebeu isso, o tratamento foi relativamente equilibrado. É claro que em uma entrevista, que é feita por pessoas humanas, tem a ver com o nervosismo do candidato, com quem foi primeiro, com quem falou mais tempo, como estava o dia, tudo isso tem variação, mas, no geral, foi equilibrado.

Por que há sempre tanta polêmica em torno da TV Globo?

Claro que há polêmica, é sinal de influência. Eu acho natural isso aí… O principal evento da campanha até agora foram as entrevistas no Jornal Nacional. Claro que pode haver uma crítica ali, outra aqui, e até críticas procedentes, mas são flutuações de uma conduta que, no geral, foi equilibrada. Há 20 anos, as entrevistas eram diferentes de um candidato pra outro, inclusive na locação, nos cortes. (Este ano) os candidatos estavam no mesmo estúdio, com a chance de reconduzir, de questionar uma pergunta, porque era uma entrevista ao vivo.

 

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