Terça-feira, 19 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1028
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Terra Magazine

27/12/2006 na edição 413

COMUNICAÇÃO CORPORATIVA
Paulo Nassar

Iguais e diferentes em rede, 23/12/06

‘O pensamento funcionalista norte-americano, datado no ambiente industrial, esquarteja a sociedade em públicos e tem os interesses da empresa como a grande referência. Infelizmente ele foi assumido por boa e significativa parte dos comunicadores brasileiros. E isso, de alguma maneira, nos consumiu.

No tempo da pouca inovação, da fraca mobilidade geográfica, informativa e tecnológica, essa abstração até podia ter alguma valia. Afinal, quase sempre, a empresa funcionava como madrasta, mãe e provedora. Hoje, esse esquema mental, além de limitado, não apreende a realidade, na qual o aspecto geográfico ou funcional não é o que mais importa. Somos tudo. Potencialmente mais do que tudo. Afinal, quem é só empregado? Quem é só consumidor? Atenção: são muitos nossos papéis na sociedade.

O discurso, didático e estéril, por exemplo, dos stakeholders – jargão inglês – muito usado pelos comerciantes da responsabilidade social, dá lustro ao caquético controle funcionalista que procura, como conceito-ferramenta, localizar e domesticar grupos cujos interesses impactam as operações e os resultados de uma empresa.

Empregados, comunidade, imprensa, sindicato, ou seja, as pessoas são colocadas em caixinhas, catalogadas, independentemente de seus desejos, etnias, idades, aptidões, gênero e, a partir daí, são analisadas e pretensamente operadas pelas empresas.

Esse modelo mental acredita que a sociedade ainda se organiza e se movimenta por meio de engrenagens, roldanas, polias, correias de transmissão, peças de pouca flexibilidade, de uma época linear.

O comunicador empresarial mecanicista trabalha em pranchetas, munido de esquadro, régua, transferidor e compasso. Seus desenhos, de retas e ângulos, consideram um mundo cheio de separações, no qual a empresa tenta impor seus resultados quantificados e previsíveis. E não há mais isso.

As pessoas se organizam em redes, tecidas a partir de identidades, usam blogs, podcasts e oportunidades wikis. O mundo virtual, sem fronteiras, é o espaço no qual a sociedade junta pessoas e suas expressões, de maneira conveniente, segura, barata, sem muito esforço e prazerosamente.

A contestação política, como no recente caso do aumento de 91% dos salários dos parlamentares e da contestação cotidiana às corporações, é, na internet, quase entretenimento puro. O oposto da imprensa tradicional. E um dos seus prazeres e benefícios é estar em rede e resgatar o espaço do debate, da opinião.

Sem dúvida, a interação entre os iguais e entre os diferentes é uma das características do nosso tempo. Saber relacionar-se nessa nova perspectiva passou a ser uma questão de sobrevivência.

Paulo Nassar é professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE). Autor de inúmeros livros, entre eles O que é Comunicação Empresarial, A Comunicação da Pequena Empresa, e Tudo é Comunicação.’

******************

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No tempo da pouca inovação, da fraca mobilidade geográfica, informativa e tecnológica, essa abstração até podia ter alguma valia. Afinal, quase sempre, a empresa funcionava como madrasta, mãe e provedora. Hoje, esse esquema mental, além de limitado, não apreende a realidade, na qual o aspecto geográfico ou funcional não é o que mais importa. Somos tudo. Potencialmente mais do que tudo. Afinal, quem é só empregado? Quem é só consumidor? Atenção: são muitos nossos papéis na sociedade.

O discurso, didático e estéril, por exemplo, dos stakeholders – jargão inglês – muito usado pelos comerciantes da responsabilidade social, dá lustro ao caquético controle funcionalista que procura, como conceito-ferramenta, localizar e domesticar grupos cujos interesses impactam as operações e os resultados de uma empresa.

Empregados, comunidade, imprensa, sindicato, ou seja, as pessoas são colocadas em caixinhas, catalogadas, independentemente de seus desejos, etnias, idades, aptidões, gênero e, a partir daí, são analisadas e pretensamente operadas pelas empresas.

Esse modelo mental acredita que a sociedade ainda se organiza e se movimenta por meio de engrenagens, roldanas, polias, correias de transmissão, peças de pouca flexibilidade, de uma época linear.

O comunicador empresarial mecanicista trabalha em pranchetas, munido de esquadro, régua, transferidor e compasso. Seus desenhos, de retas e ângulos, consideram um mundo cheio de separações, no qual a empresa tenta impor seus resultados quantificados e previsíveis. E não há mais isso.

As pessoas se organizam em redes, tecidas a partir de identidades, usam blogs, podcasts e oportunidades wikis. O mundo virtual, sem fronteiras, é o espaço no qual a sociedade junta pessoas e suas expressões, de maneira conveniente, segura, barata, sem muito esforço e prazerosamente.

A contestação política, como no recente caso do aumento de 91% dos salários dos parlamentares e da contestação cotidiana às corporações, é, na internet, quase entretenimento puro. O oposto da imprensa tradicional. E um dos seus prazeres e benefícios é estar em rede e resgatar o espaço do debate, da opinião.

Sem dúvida, a interação entre os iguais e entre os diferentes é uma das características do nosso tempo. Saber relacionar-se nessa nova perspectiva passou a ser uma questão de sobrevivência.

Paulo Nassar é professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE). Autor de inúmeros livros, entre eles O que é Comunicação Empresarial, A Comunicação da Pequena Empresa, e Tudo é Comunicação.’

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