Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 30/6 E 1/07

Terra Magazine

03/07/2007 na edição 440

VENEZUELA
Raphael Prado

Dono da RCTV desconversa sobre Goebbels, 2/07/07

‘Não há silêncio para as críticas de Marcel Granier, dono da RCTV, ao presidente venezuelano Hugo Chávez, que não renovou a concessão da emissora de televisão mais antiga do país. É pergunta, resposta, pergunta, resposta.

Granier silencia, no entanto, para tratar de outros temas até menos espinhosos: ‘O senhor é favorável à distribuição de renda?’. Pensa, demora, titubeia diante da questão: ‘O povo, unido, jamais será vencido?’.

A RCTV encerrou suas operações no último dia 27 de maio, depois de 53 anos no ar. Granier acredita que a decisão foi política e, segundo ele, o presidente Hugo Chávez não tem cumprido com suas obrigações. E a RCTV, como meio de comunicação, cumpria as dela?

– Nos últimos 10 anos, a RCTV triplicou sua oferta de empregos, incrementou sua produção nacional em mais de 100%. Tem uma escola de capacitação de pessoal mais importante da Venezuela – alega o ex-todo-poderoso da mídia venezuelana.

A emissora de Granier é uma das acusadas de ter manipulado informações e se negado a evitar que uma multidão de descontentes se aproximasse do Palácio de Miraflores, na capital Caracas, onde estava uma outra multidão, de chavistas. O confronto inevitável foi o estopim para o golpe militar. Era o dia 11 de abril de 2002.

O proprietário da RCTV nega veementemente que a emissora tenha apoiado o golpe que tiraria Chávez do poder por 47 horas. Mas beira a contradição quando argumenta que, caso esse tenha sido o motivo do fechamento de sua empresa, o tratamento deveria ser igual para todos os outros meios de comunicação – deixando escapar que havia, de fato, uma cobertura homogênea dos fatos:

– A Constituição diz que não se pode discriminar. A lei orgânica das telecomunicações diz que todos os concessionários têm que ser tratados igualmente. Se a intenção (de não renovar a concessão) tivesse algo a ver com a sucessão de abril de 2002, todos deveriam ser tratados de modo igual. (…) E não está ocorrendo assim.

Marcel Granier defende que o jornalismo praticado pela RCTV sempre foi imparcial e contou com a participação de todos os setores da sociedade. E desqualifica as imagens do programa ‘24 Horas’, da Venevisión (veja aqui), em que um grupo comemora a destituição de Chávez do poder e congratula a mídia – RCTV incluída – pelo feito:

– Veja, em um programa de televisão, lamentavelmente, muita gente declara muitas coisas sem ter prova – é o que diz.

Apontado como um dos maiores expoentes da elite beneficiada pelo governo de poucos, de uma luxuosa sala no Grand Meliá Mofarrej de São Paulo – onde concedeu a entrevista a Terra Magazine -, Granier mostra também sua preocupação com o restante da população venezuelana: defende a distribuição de renda.

– (longo silêncio) Eu acredito que todo mundo deve… é favorável a que… (pensa um pouco mais)… com os recursos que tem o Estado venezuelano, sobretudo hoje em dia, com os preços do petróleo onde estão, sejam distribuídos de uma maneira eqüitativa, racional entre todos os venezuelanos.

Acusa, no entanto, e uma vez mais, Hugo Chávez de estar utilizando essa riqueza para ‘comprar armamentos’ para a Venezuela. Diz ele que o presidente quer cada jovem do país portando um fuzil.

Logo depois lembra que Hitler chegou a ser eleito pelo voto popular, para justificar que às vezes o povo pode se enganar e ‘ser vencido pelos regimes totalitários’. Quando é lembrado do ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels – que manipulava discursos, imagens e dizia que ‘uma mentira repetida várias vezes se torna verdade’ – Granier muda de país rapidamente, como se o exemplo da Alemanha não tivesse sido bom:

– …aconteceu também na Rússia… ainda que Stálin não tenha chegado ao poder por eleições.

Hoje, a RCTV tenta recuperar o sinal de televisão em canal aberto. Transmite programas pela internet, usando principalmente o YouTube, e em outras cadeias de televisão. Com freqüência, a emissora ainda faz programas em locais públicos, ‘para que o povo continue mantendo contato com os artistas da rede’, segundo Granier.’

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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