Terça-feira, 16 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1008
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Terra Magazine

08/04/2008 na edição 480

SÉRGIO DE SOUZA
Juca Kfouri

Sérgio de Souza – idealista da ‘Caros Amigos’, 7/4

‘Quando Bertolt Brecht escreveu que havia homens imprescindíveis porque lutavam a vida inteira, certamente pensou em alguém como o jornalista Sérgio de Souza. Quando Miguel de Cervantes imaginou seu cavaleiro magro, alto e inconformado com as injustiças, talvez conhecesse alguém como Souza viria a ser numa carreira que fez do jornalismo, verdadeiramente, um sacerdócio.

O paulistano Serjão adentrou a profissão na Folha da Manhã, em 1958. Foi revisor, repórter e editor. Entre tantos trabalhos que desempenhou vida afora tinha orgulho de ter fundado e editado as revistas Realidade e Bondinho, que fizeram história no jornalismo brasileiro. Dirigiu ainda o jornalismo da Rede Tupi de Televisão, levou Osmar Santos para a rádio Globo e comandou a redação paulista do Fantástico.

São raros os textos assinados por ele, embora alguns dos melhores já publicados país afora tenham a marca de seu lápis cuidadoso e perfeccionista, sensível e voltado para um mundo melhor.

Há mais de uma década, Serjão dirigia seu último projeto, a revista ‘Caros Amigos’, que ele próprio fundou -razão pela qual morre pobre e sem nenhum bem, exceção feita à convicção do que fez ao Brasil.

Morreu ontem (25/3), aos 73, em São Paulo, de falência múltipla dos órgãos. Deixa sete filhos, dez netos e um a caminho, além da companheira Lana Novikow. Deixa, também, um lápis, preto, número 2.

(Artigo também publicado no jornal Folha de S. Paulo. A missa de Sérgio de Souza será realizada hoje, 7, na Igreja São Domingos, às 19h, rua Caiubi, 164, Perdizes, em São Paulo).’

 

Márcio Alemão

Ao mestre com carinho, 7/4

‘A primeira coluna que escrevi na minha vida foi sobre TV. Foi-me encomendada e foi gongada retumbantemente pelo autor da encomenda. Falo de vinte e tantos anos atrás.

Fiquei furioso. O camarada, concluí, não entendia nada de texto e muito menos de TV. Lembro que era uma coluna furiosa que em poucas linhas destruia toda a TV do Brasil.

O tempo foi passando, me acalmei e comecei a ouvir com mais atenção o tal sujeito. Tínhamos um excelente amigo em comum e esse amigo fazia questão de nos manter próximos.

Ainda bem. O tal sujeito era o jornalista Sérgio de Souza, que faleceu no dia 25 de março.

Serjão era um mestre com um raríssimo talento: ensinava muito falando pouco. E seu tom de voz dificilmente se alterava. Nunca o vi proferindo inflamados discursos. Por mais cabeluda que fosse a matéria em discussão, quase sempre o que se via era um sorrisinho e o que se ouvia era uma ou duas frases que costumavam encerrar o assunto. Infelizmente, essa aparente fleuma, com o passar de muitos anos virou úlcera e a coisa se complicou recentemente.

Sérgio foi um dos idealizadores das revistas Realidade, Quatro Rodas, do jornal O Bondinho, foi da Globo, do Fantástico e quando o conheci já havia optado por vias alternativas. Ele e meu amigo Mimito Gomes, outro sujeito que se foi e me faz uma falta tremenda, decidiram que o caminho a seguir era o da produção independente para a TV. Repito: estou falando de mais de vinte anos atrás. Naquela época a TV fechada nem era sequer sonhada. Mimito decidiu investir em equipamentos e em talentos e iria provar que a produção independente era um ótimo negócio para todos os lados. Não teve tempo.

Para meu gigantesco privilégio, no meio da década de 80, a garagem de minha agência de propaganda que se localizava na Rua dos Bombeiros, recebeu uma turma realmente da pesada. O Serjão, claro, sempre acompanhando de Milton Severiano, o Juca Kfouri, o José Trajano e uma figura muito especial que era o reporter policial Otávio Ribeiro, autor do livro Barra Pesada e protagonista do primeiro programa, de mesmo nome, produzido pela Manduri 35. A turma do esporte também colocou no ar, sempre na Record, uma série de programas sobre a Copa. Minuto da Copa, Almanaque da Copa e outros. Peço desculpas mas não me lembro do ano. Lembro apenas que essa turma não parava de ter idéias. E a imagem Serjão sempre por alí, na frente de uma Olivetti Linea 98 é forte e nítida na minha lembrança.

Ouvi muito e, a exemplo do mestre, passei a falar menos. Vou sentir saudades e sinto não ter tido a oportunidade de agradecê-lo por ter gongado aquele artigo.’

 

 

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