Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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Terra Magazine

11/11/2008 na edição 511

TELEVISÃO
Márcio Alemão

Pelo amor dos meus filhinhos!, 10/11

‘Percebi alguma ironia em alguns jornais que deram a notícia: ‘Sai Silvio Luiz e entra Galisteu na Band’. E não gostei.

Silvio Luiz fez história como locutor esportivo na Tv brasileira. Silvio Luiz continua sendo, de longe, o mais divertido locutor do planeta, sem concorrência. E isso não faz dele um mero bufão. O que deve ser analisado é dito e feito com profissionalismo e muita competência.

Silvio chegou a cansar em um certo momento. A culpa não foi dele. Começou, apesar de já ter décadas de estrada, a fazer muito sucesso. Criou um jeito de locutar. Mas aí, coisa comum nesse país, os sugadores tentam aproveitar o cara que faz uma espetacular torta de banana e abrem um restaurante para ele. Depois de um tempo, é claro, percebem que só a torta é boa.

O programa que chegou a comandar na Record em 1982, o Clube dos Esportistas, foi do genial ao constrangedor. Hoje faria muito mais sucesso. E por que não gostei da ironia da notícia?

Porque não se pode comparar um profissional que fez história e continua fazendo, pois continua e continuará trabalhando – agora só na Band News – com essa moça. Adriane continua a ser um dos grandes mistérios da Tv brasileira. Nunca fez nada que tivesse um mínimo de relevância, nunca deu audiência para as emissoras onde trabalhou, nunca contribuiu com nenhuma idéia ou quadro ainda que fossse nano-interessante. O que sabe fazer bem é divulgar sua incontinência emocional.

Por outro lado, acho que ela vai se encaixar bem na Band, que também teve a genial idéia de contratar Daniela Cicarelli, que nem mais na grade está e teve seu único momento de glória nas praias da Espanha. Da Band, vamos tirar o chapéu para o jornalismo.

E ele ganhou, na minha opinão, o troféu de Matéria Mala da semana: Pedro Bial!

No dia seguinte ao acontecimento mais importante do sistema solar, a eleição de Barack Obama, a Globo mostrou seu poderio bélico: 897 jornalistas em todos os rincões dos Estados Unidos trazendo, a cada momento, uma cena diferente de uma fila diferente em um estado diferente, em uma cidade diferente. E, depois, os diferentes sorrisos em diferentes estados e diferentes etceteras absolutamente idênticos.

Mas o Pedro, gente… Puxa! Essa coisa de poeta que a gente sabe que ele tem, sempre nesses momentos decisivos para a raça a humana, afloram, brotam e nos levam a pensar. Ele mostrou um Obama que sorria na campanha mas que não sorria no discurso da vitória. Uau! Deu no que pensar.

Sugestão para o History Channel: depois dos mega emocionantes ‘Caminhoneiros no gelo’ e ‘Lenhadores’, que tal uma nova série com ‘Motoboys’? No mínimo seria bem mais divertido. Certo, mano?

Márcio Alemão é publicitário, roteirista, colunista de gastronomia da revista Carta Capital, síndico de seu prédio, pai, filho e esposo exemplar.’

 

ENTREVISTAS
Eduardo Tessler

A arte de saber perguntar, 5/11

‘Ligue o rádio em um domingo de futebol qualquer. Espere uma equipe entrar em campo e escute a pergunta que o radialista vai fazer ao jogador.

– Tudo pronto para o jogo?

Espere o final da partida e dê mais uma chance ao repórter. Você vai ouvi-lo perguntar:

– E aquele gol?

OK, OK, troque de mídia. Ligue a TV e veja a cobertura de um velório. O repórter aproxima-se do pai da vítima e pergunta:

– O que o senhor está sentindo nesse momento?

Ou seja, três perguntas sem nenhum sentido, mas que estão presentes em coberturas habituais da imprensa brasileira.

Mas os repórteres agora podem se inspirar no bom jornalismo. Acaba de ser lançado no Brasil o livro Rolling Stone – As melhores entrevistas da revista Rolling Stone, editadas por Jann S. Wenner e Joe Levy (editora Larousse). São 445 páginas de um desfile sobre algumas das maiores personalidades dos últimos 40 anos, de John Lennon a Bono Vox, de Tom Wolfe a Kurt Cobain, de Bill Clinton ao Dalai Lama.

A técnica da Rolling Stones é uma só: perguntar. O entrevistador, antes de tudo, estuda o personagem, busca histórias de sua trajetória, lê tudo o que há a seu respeito. Pensa nas perguntas, trabalha com hipóteses, constrói em seu imaginário o roteiro para a entrevista. Depois liga o gravador, sem contudo deixar de observar tudo o que cerca a situação: o modo como o personagem cruza as pernas, mexe-se na poltrona, coça a cabeça. Os cigarros, o copo de vinho, o telefonema que interrompe a conversa. Tudo é conteúdo rico para criar o clima da entrevista, coisas que o leitor não poderia imaginar se o repórter não informasse.

No Brasil houve algumas tentativas semelhantes. No Pasquim ligava-se o gravador e soltava-se o verbo. Depois era só passar tudo para o papel. Na revista Playboy também apareceram boas entrevistas, mas sem a qualidade da Rolling Stone. Os jornais cansam seus leitores com entrevistas de perguntas e respostas onde grande parte das perguntas é irrelevante e a maioria das respostas também é.

O livro traz momentos brilhantes, como a entrevista de Truman Capote por Andy Warhol, onde os números de voltas do contador do gravador é um elemento determinante. Ou a vez em que a italiana Oriana Fallaci deixou de ser a entrevistadora para ser a entrevistada.

A leitura de As melhores entrevistas da revista Rolling Stone deveria ser obrigatória para todos os estudantes de jornalismo. E para os jornalistas também. Aliás, é leitura recomendada para quem gosta de conteúdo de qualidade e está descontente com as ofertas informativas do Brasil, dos jornais às revistas, passando por estações de rádio, TV e websites.

Dois trechos:

‘Costumava adorar olhar o sol. É ruim para os meus olhos, mas eu gosto. Costumava adorar olhar a lua. Eu saía para o quintal e ficava observando-a. Aquilo me fascinava pra caramba’ – Ray Charles

‘Paul disse: o que você quer dizer?

Eu falei: Quero dizer que o grupo acabou. Estou saindo’ – John Lennon

Eduardo Tessler é jornalista e consultor de empresas de comunicação.’

 

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