Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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ENTRE ASPAS >

Tiago Dória Weblog

04/11/2008 na edição 510

IMAGEM
Tiago Dória

Gwen Stefani está sob licença da Creative Commons, 3/11

‘A cantora Gwen Stefani publicou a primeira foto autorizada (oficial) de seu filho Zuma, de apenas 2 meses.

Até aí nada de mais para a maioria dos leitores deste blog, a diferença é que a foto está sob licença da Creative Commons.

Com a licença, qualquer veículo impresso, site ou blog pode utilizar a imagem, inclusive de forma comercial. A única restrição é que a imagem seja usada apenas em contextos informativos.

Geralmente, revistas e celebridades entram em um acordo para uma sessão exclusiva de fotos.

Mas Stefani resolveu ir por outro caminho – contratou um fotógrafo e liberou o uso da foto, esperando assim uma distribuição/divulgação maior.’

 

 

ELEIÇÕES
Tiago Dória

Nova e novíssima mídia em um único espaço (eleições EUA), 2/11

‘O Eleições Americanas 2008 é um agregador que reúne todas as informações publicadas (em português) sobre as eleições nos EUA. A interface é a de um livestream (as notícias são apresentadas de forma contínua).

O bom é que você não fica preso a uma fonte – Reuters, AFP, Folha – mas tem acesso a várias. E o melhor de tudo. Ele indexa e destaca o material produzido nas chamadas ‘mídias sociais’ – Twitter, blogs, delicious.

Nos próximos dias, publicarei um post sobre o importante papel que os agregadores de conteúdo tiveram nesta corrida presidencial nos EUA. Mas antes vamos esperar o resultado das eleições.’

 

 

JORNALISMO COLABORATIVO
Tiago Dória

CNN explicando a piada, 2/11

‘Lembra daquele episódio em que publicaram no iReport, site de conteúdo colaborativo da CNN, uma falsa informação de que o Steve Jobs havia sofrido um infarto?

Na época, a emissora se defendeu, explicando que o conteúdo postado no site não era editado, muito menos filtrado. Portanto, poderiam existir informações falsas.

Pelo visto, uma boa parte das pessoas não levava isso em conta. Acreditava no que era publicado ali. Olhava para a marca na CNN, e acreditava que era verdade.

Neste final de semana, a CNN resolveu colocar um aviso ‘take note’ no site explicando melhor o projeto – as informações postadas no iReport não são editadas, checadas ou filtradas. Somente as que têm o selo ‘On CNN’ foram checadas por jornalistas da emissora.

Isso, claro, não tira a importância do iReport. Mas mostra que uma boa parte das pessoas não entendeu o projeto, assim como até hoje existe gente que não sabe diferenciar um portal de um blog.

É como se um humorista tivesse que explicar a piada.’

 

 

LIBERDADE
Tiago Dória

Google e Apple a favor dos gays e contra a censura na rede, 31/10

‘Nesta semana, empresas do porte de Google, Microsoft e Yahoo! assinaram um acordo para garantir a liberdade de expressão na rede.

Apesar de já terem pisado na jaca em relação ao assunto, é a 1ª vez que as empresas assumem uma posição mais clara e contrária aos governos que restrigem o acesso à internet.

Se vai resultar em algo prático, é outro assunto.

O blog de tecnologia da BBC registrou que a Google e a Apple entraram com somas de dinheiro na ‘No on 8’, campanha contra uma emenda que quer proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia.

Em blogs oficiais e notas enviadas à imprensa, as duas empresas assumiram publicamente um posicionamento favorável ao casamento gay.

Recentemente, dois funcionários do alto escalão da Google, Eric Schmidt e Vint Cerf – CEO e evangelista, respectivamente – declararam de forma pública o seu apoio ao candidato à presidência dos EUA Barack Obama.

O fato chama a atenção, empresas de tecnologias estão deixando de lado uma postura neutra para assumir posições públicas sobre diversos assuntos. Sinal de mudança dos tempos? Apenas marketing? Ou reflexo de seu público, geralmente mais jovem, escolarizado e crítico?’

 

 

CRISE
Tiago Dória

O mundo sofreu um infarto, 30/10

‘Na segunda-feira, participei da transmissão interativa do Roda Viva. O economista Luiz Gonzaga Belluzzo foi o entrevistado e o assunto, a crise econômica.

No final de semana, acompanhei a POP!Tech e a crise entrou em pauta também, mas com um enfoque diferente do abordado no Roda Viva.

Ao acompanhar as apresentações deste ano da conferência, deu para perceber que existe uma visão positiva em relação à crise financeira pela qual o mundo está passando.

Para o biólogo e especialista em economia do conhecimento Juan Enriquez, é um momento de voltar à realidade e repensar o quanto estamos gastando mais do que podemos. Para Saul Griffith, criador do divertido Instructables e 1º palestrante, é hora de revermos o nosso estilo de vida e de consumo.

Na visão dos debatedores da Pop!Tech não seria apenas uma crise global bancária e financeira, mas também cultural. De uma cultura de consumir mais do que precisamos, de explorar o planeta mais do que ele pode nos servir, forçar os nossos corpos e mentes mais do que podem aguentar. De mais especular do que ser prático.

Seria como se o mundo tivesse sofrido um infarto. Sobrevivemos e estamos naquele momento de avaliarmos o que precisamos melhorar para buscar o equilíbrio, um estilo mais sustentável e saudável e evitar os abusos ou descuidos anteriores, um momento positivo de reflexão.

Entendo essa visão do pessoal da Pop!Tech, mas acredito que ainda não exista essa dimensão cultural e humana tão grande, muito além da marolinha, em relação à crise. Pelo menos, que seja perceptível.

[Ontem, na Futurecom, o presidente da Vivo disse que a crise pode ser um momento de ruptura com a sociedade industrial]

Em relação à crise e à POP!Tech, outras coisas ficam mais evidentes. Em tempos de escassez de recursos materiais e realocação de investimentos, existe uma demanda maior por projetos de tecnologia que tenham relevância social e humana e trabalhem com o lado prático da tecnologia.

Tecnologia que resolva problemas imediatos e seja prática para mim, para o meu vizinho, para a minha mãe, para o cara que trabalha ao meu lado e para os meus filhos.

Serviços apresentados durante a POP!Tech são bem emblemáticos neste sentido. Todos ligados à biologia e à medicina, áreas que, por sinal, estão anos à frente da comunicação em matéria de pesquisa científica, e em que empresas como IBM e Nokia estão ávidas por projetos.

Pode demorar um pouco, mas com o cenário atual, não me arrisco a dizer que o ‘próximo Google’ vai sair de algum projeto/tese/pesquisa vinda dessas áreas. Os projetos citados na POP!Tech são:

1) O Hello Health, um programa de saúde em que você paga uma taxa mensal e tem direito a consultas 24horas/7dias via email, IM, webcam ou mensagens de texto pelo celular. Além disso, conta com prontuários online que podem ser acessados de qualquer lugar.

O Hello Health parte do pressuposto de que muitos tratamentos médicos não dão certo por causa da comunicação entre médico e paciente ser muito fria e esporádica.

2) O outro é o PharmaSecure, um site/programa baseado em dispositivos móveis que permitirá a médicos e pacientes verificarem a veracidade de um medicamento. A ONU estima que de 10 a 30% dos remédios vendidos no mercado são falsos – sabe aquela pílula contra gravidez feita de farinha?

É a típica tecnologia que será boa para ambos os lados. Resolverá o problema da indústria, que perde US$ 50 bi/ano com falsos medicamentos, e dos pacientes – uma das grandes causas de mortes ainda é o uso de falsos remédios.

3) E ainda a Needle-Free Vaccine, desenvolvida pela empresa Intercell. São vacinas sem seringas ou agulhas. É uma espécie de colante.

E a idéia, mais para frente, é que todo o seu histórico de vacinação fique arquivado na web e possa ser acessado de qualquer lugar a qualquer hora.

Efeito mais imediato e menos risco de infecção, custo menor de transporte das vacinas e menos possibilidade que o medicamento estrague.

Acredito que projetos como esses serão mais comuns. O mundo está precisando bem mais de projetos que realmente tenham relevância social e humana do que mais uma bugiganga para testar na web.

Em tempos de crise, busca-se o mais econômico, o mais prático. O que faça mais por menos e de forma mais eficiente. É também nessa época que começam a surgir as grandes inovações, as coisas mais simples passam a ter mais valor e o lado mais prático das tecnologias fica mais evidente.’

 

 

CINEMA
Tiago Dória

Resenha de filmes: 2ª API do NYTimes é liberada, 29/10

‘É relacionada à seção de resenhas de filmes do jornal. Há 84 anos, a publicação faz reviews de filmes.

Ou seja, a API dá acesso a bastante conteúdo – 22 mil resenhas – e com diversos parâmetros de busca – por filme, data de produção, diretor etc.

Diferente da 1ª que foi liberada, essa API promete ser interessante para terceiros, como serviços de aluguel de filmes – NetFlix, por exemplo – que poderão utilizar as resenhas do jornal.

Aqui, no Brasil, seria como se o NetMovies pudesse integrar automaticamente as resenhas de filmes feitas pela Folha e pelo Estadão.’

 

 

COMIDA NA REDE
Tiago Dória

O que você comeu no café-da-manhã?, 29/10

‘A Good Magazine lançou um projeto no Flickr no qual convida as pessoas a enviarem fotos do que comem no café-da-manhã.

Algumas fotos postadas no grupo do projeto no Flickr serão publicadas na próxima edição impressa da revista.

A idéia é fazer um apanhado de fotos do mundo inteiro e ter uma noção de como as pessoas estão se alimentando.

Estão faltando por lá o pingado e o pão na chapa brasileiros.’

 

 

MUSIC TELEVISION
Tiago Dória

A nova ‘galinha dos ovos de ouro’ da MTV, 28/10

‘A MTV lançou um site de videoclips, sem restrições de país, o MTV Music, que enterrou de vez a marca do MTV Overdrive.

A emissora chega bem atrasada ao mercado dominado pelo YouTube. O que não é necessariamente ruim. Às vezes, quem ri por último ri melhor, principalmente quando você aprende com os erros de quem já está na estrada. Mas a MTV não aproveitou essa ‘vantagem’.

Poderia ter feito algo na linha do Social Room da CBS ou do Hulu, oferecer videoclips em High Definition. O único diferencial é que existe uma função que recomenda artistas similares ao que você está assistindo.

Talvez o lançamento fraco deste site seja justificado. Em entrevista à FastCompany deste mês, Van Toffler, diretor da emissora, deixou claro que a nova ‘galinha dos ovos de ouro’ da empresa são músicas para games.

Em 2006, adquiriu a Hamornix, responsável pelo jogo Rock Band. E, depois, em 2007, foi a vez de contratar o produtor de games Jerry Bruckheimer. É esperada uma receita de US$ 700 mi com o jogo neste ano.

Mais games envolvendo música vêm pela frente.’

 

 

 

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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