Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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ENTRE ASPAS >

Tiago Dória

14/07/2009 na edição 546

NYTIMES
Tiago Dória

Você pagaria 10 reais por mês para acessar um site?

‘US$ 5 ou, mais ou menos, 10 reais, é o que NYTimes pretende cobrar por mês para acessar todo o conteúdo e recursos de seu site.. A conversa sobre voltar a cobrar por acesso à versão online de um dos jornais mais relevantes do mundo vai e volta, os boatos são constantes, mas desta vez a coisa parece ser mais séria.

Um executivo do jornal afirmou que a decisão sobre cobrar ou não deve sair no próximo mês e recentemente o NYTimes fez uma pesquisa com os assinantes sobre a idéia da cobrança. Parece uma discussão distante, mas como toda decisão do NYTimes acaba, de certa forma, se refletindo aqui, no Brasil.

Não será a primeira vez que o jornal cobra por acesso. Até 2005 a versão online era gratuita. Passou a ser paga até 2007, quando o jornal resolveu derrubar o paredão do conteúdo pago em troca de ganhar receita com publicidade apoiada no tráfego vindo de buscas, aplicativos e sites de terceiros. Decisão histórica que, na época, foi devidamente registrada aqui, no blog.

Pelo que percebo desta vez as opiniões estão divididas. Um lado acha que dificilmente alguém pagará por conteúdo por menor que seja a taxa. Ao colocar o conteúdo debaixo de um paredão de conteúdo pago, o NYTimes perderá tráfego vindo de buscas e consequentemente relevância.

Outro lado acha que é inevitável cobrar por parte do conteúdo, afinal de contas a publicidade online não sustenta o negócio, além do mais o NYTimes desta vez teria condições de cobrar, pois oferece mais do que notícias, conteúdo próprio multimídia (infográficos interativos, especiais, newsgames, vídeos bem produzidos, datamining), enfim recursos e narrativas que você não encontra em qualquer lugar.

Particularmente, fiquei confuso sobre como será a tecnologia utilizada nessa suposta cobrança. Se for utilizado o modelo do WSJ que permite ler um trecho ou resumo da notícia, mesmo que paga, ainda faz sentido. O conteúdo é indexado do mesmo jeito por terceiros.

Agora se for para fechar o conteúdo mesmo, nem permitir que ele seja indexado por terceiros, então é preocupante por que muito daqueles projetos de APIs, trabalhar o jornal como uma plataforma aberta e o tráfego vindo de terceiros (aplicativos, por exemplo) precisará ser reformulado.

Ainda não está claro como será feita essa cobrança (se acontecer, claro). Ainda é muito cedo para ter uma opinião clara. Além disso, existe um ponto importante. Essa pesquisa que poderá servir para ratificar a decisão de voltar a cobrar por conteúdo foi feita somente com o público da versão impressa do NYTimes, que já é acostumado a pagar pelo jornal. O público do online ainda não foi consultado.

De qualquer forma, esse burburinho todo já reflete os conflitos internos do jornal, comum em toda instituição grande e com bastante idade. Uma turma defende o conteúdo gratuito, outra o modelo híbrido (conteúdo pago e gratuito) para garantir o futuro de um dos jornais mais antigos do mundo e que, indiretamente, a cada dia, é um reflexo de como a forma como consumimos informações mudou.’

 

FUNERAL
Tiago Dória

Câmeras ‘espiãs’ Flip aparecem na TV

‘Logo após serem lançadas no ano passado, as portáteis câmeras Flip passaram a ser utilizadas para a ‘cobertura móvel’ de diversos eventos. Pela sua praticidade e preço, a agência de notícias Reuters foi uma das primeiras a utilizá-la. Em abril, 100 câmeras foram distribuídas aos jornalistas.

A Flip funciona com pilhas AA, dá para carregar no bolso da calça, faz uploads automáticos para o YouTube, 4GB de memória e custa, em média, US$ 129 (mais ou menos 258 reais). Enfim, é quase perfeita para ser utilizada em situações em que é logisticamente impossível uma equipe de TV trabalhar completa, com câmera, repórter, assistente. Ou para pessoas que não podem ter uma equipe maior para gravar vídeos.

Durante o velório de Michael Jackson, nesta terça-feira, por exemplo, elas foram utilizadas por jornalistas de emissoras de TV que estavam dentro do estádio onde aconteceu a cerimônia.

Apesar das restrições quanto à captação de imagens, uma produtora da emissora ABC, que trabalha com a apresentadora Barbara Walters, fez imagens exclusivas com a câmera, que logo depois foram ao ar e republicadas pelo blog TMZ (vídeo abaixo). O repórter brasileiro Rodrigo Bocardi, na Globo News, também utilizou o gadget para mostrar imagens de dentro do estádio.’

 

Tiago Dória

TVs se integram a redes sociais e Facebook bate recorde com funeral (atualizado)

‘Se na cobertura do anúncio da morte de Michael Jackson quem se destacou foi o blog TMZ e o Twitter, desta vez, em sua cerimônia de funeral, realizada nesta terça-feira, quem atraiu a atenção foi a integração que as emissoras de TV fizeram com a rede social Facebook.

Graças ao recurso Facebook Connect, que permite integrar a rede social a outros sites, emissoras de TV puderam conectar mensagens que eram postadas na Facebook à sua transmissão ao vivo pela web. O recurso funcionou como uma espécie de sala de chat ao lado do vídeo.

A CNN se consagrou com essa integração durante a transmissão da posse de Obama, em janeiro deste ano. Desta vez não foi somente a CNN, mas também as emissoras MTV, ABC e E!, que lançaram mão da operação, que fez a Facebook bater um recorde de mensagens, quase 6.000 mensagens por minuto, o dobro da média na transmissão da posse de Obama.

Nesta segunda-feira, na Facebook, a página do cantor alcançou 7 milhões de fãs, ultrapassando a de Obama, que também diz ser fã de Michael Jackson. A página do cantor é a mais popular da rede social.

A CBS News, divisão da CBS, emissora líder de audiência na TV aberta nos EUA, utilizou a sua parceria com o site Ustream que permite fazer transmissões ao vivo de vídeo pela web. Ao contrário da CNN e da MTV, apostou numa integração com o Twitter.

Da mesma forma, o portal MSNBC (parceria da Microsoft com a emissora de TV NBC) integrou a ferramenta de microblogging à sua transmissão, mas utilizou também uma ferramenta que eu não conhecia muito bem, o Tinker. Funciona como um filtro de assuntos no Twitter. Permite filtrar e agregar assuntos por temas e subtemas. Bem útil para acompanhar e fazer coberturas de eventos.

Ainda não foram publicados os números oficiais sobre a transmissão. A expectativa era que superaria a audiência online de 7,7 milhões de streamings simultâneos na transmissão da posse de Obama.

Pelo menos, na rede Facebook a quantidade de mensagens por minuto foi maior do que na posse. Segundo o blog NewTeeVee, especializado em vídeo online, ao que tudo indica, a posse de Obama ainda é o evento com mais audiência na história da web.

Mais tarde, atualizo o post com mais detalhes.

Atualização – Realmente, o funeral de Michael Jackson não ultrapassou a audiência online da transmissão da posse de Obama em janeiro. O pico foi de 2,2 milhões de streamings. O Techcrunch e o NewTeeVee têm os números completos.

Vale lembrar que a posse de Obama não teve a mesma cobertura na TV, o que talvez explique por que na ocasião um número maior de pessoas assistiu às transmissões na web.’

 

CUIDADOS
Tiago Dória

Quando parte da internet é apagada

‘Jack D. Lail, diretor de inovação do jornal Knoxville News Sentinel, escreveu recentemente que a web está desaparecendo.

O alerta é sobre o fato de que em migrações de servidores ou de sistemas de publicação, jornais acabam perdendo conteúdo, que nunca mais será recuperado. Hoje é tão fácil arquivar informações, existem padrões abertos que permitem estruturar o conteúdo de forma a não perdê-lo em migrações, que a maioria dessas perdas acontece mesmo por falta de cuidado e visão dos jornais, de achar que a ‘notícia de ontem’ não tem importância.

O alerta de Lail veio em boa hora principalmente depois que eu soube que a agência Espalhe teve o seu álbum de fotos deletado sumariamente do Flickr. Sem qualquer aviso prévio ou chance de fazer um backup mais detalhado do conteúdo que estava há anos no ar. Não é a 1ª vez que isso acontece.

Para completar, neste final de semana, devido a um suposto erro humano, o Twitter acabou suspendendo a conta de diversas pessoas. Ou seja, quase que uma parte da web, pequena, mas importante para as pessoas, foi apagada. A chiadeira foi grande. A promessa é que todas as contas suspensas sejam restauradas.

Se para uma pessoa física já é um transtorno ter a sua conta deletada ou suspensa, imagine para uma pessoa jurídica, uma empresa. Por mais irônico que seja, quanto mais esses serviços web ficam conhecidos, ganham escala, mais seus defeitos ficam evidentes. A possibilidade de não poder fazer backups de suas mensagens e contatos é um dos problemas que mais é realçado quando o Twitter deleta ou suspende sem querer contas.

Para mim, essas pisadas de bola do Twitter e do Flickr somente deixam em destaque a importância do conceito por trás de projetos como o WordPress e Identi.ca. São projetos que ainda exigem um pouco de conhecimento técnico do usuário, mas que têm uma base tecnológica que dá mais autonomia.

O WordPress, voltado para blogs, é um projeto mais antigo. O Identi.ca funciona como uma instalação do WordPress, você instala o seu microblog em seu próprio servidor com o seu próprio domínio e não fica à mercê e com todos os seus dados nos servidores do Twitter.

Algo que parece ser mais pertinente e seguro para algumas empresas, principalmente para as que estão pensando em utilizar o Twitter como ferramenta interna ou um importante meio de comunicação. Além de permitir maior customização do blog ou microblog, os dois projetos permitem que os dados de contato e conteúdo fiquem em um servidor próprio com menos riscos de cortes acidentais.

Neste sentido, se a web caminha para mais segurança e autonomia total às pessoas, ao contrário de Twitter e Flickr, serviços como WordPress e Identi.ca naturalmente encampam bem mais essas duas bandeiras.’

 

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