Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 30 E 31/1

Tiago Dória

02/02/2010 na edição 575

COMUNICAÇÃO
Tiago Dória

Redes sociais se tornaram ferramentas de massa

‘As redes sociais deixaram de ser ferramentas de comunicação de nicho para se tornarem de massa. Nesse cenário, o Facebook alcançou uma supremacia em âmbito mundial, tornando-se a maior rede social, com os seus 350 milhões de usuários e 55 millhões de atualizações por dia.

Esse é um dos principais eixos do relatório/dossiê sobre redes sociais publicado pela revista Economist. O documento tem vários pontos que achei interessante:

1) A supremacia do Facebook não seria causada somente pela rede social ter absorvido o conceito econômico de ‘efeitos da rede’ – o valor que um usuário dá a um produto depende de quantas outras pessoas o estão usando -, mas também pela tecnologia.

Ou seja, desde o início, a própria infraestrutura tecnológica do Facebook seria superior em relação aos concorrentes, o que, em parte, garantiria o sucesso e a capacidade da rede social em trabalhar com uma avalanche crescente e diária de conteúdo (por mês, 2,5 bilhões de fotos são publicadas. Engenheiros do Facebook teriam quintuplicado a capacidade do memcached, sistema de cache de memória utilizado pela rede social).

2) Sobre as diferenças entre Facebook e Twitter. O serviço de microblogging mostra o poder do texto na comunicação, enquanto o Facebook demonstra o da multimídia. Além da própria dinâmica (o Twitter é mais próximo do broadcasting – um fala e uma grande quantidade escuta), o conteúdo trafegado nos dois sites é diferente. O Facebook é bem mais multimídia.

3) E para o futuro das redes sociais, o relatório prevê ‘plataformas inteligentes’ e a dobradinha mobile e geolocalização (Foursquare?)

O relatório tem 16 páginas e traz bastante do que já é comentado em bons blogs e eventos na área. Faz parte de uma lista de dossiês que a Economist publica todo ano (a agenda de publicação pode ser vista aqui. Um dos próximos será sobre TV).’

 

CONTEÚDO PAGO
Tiago Dória

Em 3 meses, site consegue apenas 35 assinantes

‘Está causando burburinho nos blogs gringos de mídia a informação de que o ‘paredão de conteúdo pago’ do jornal novaiorquino Newsday não funcionou. Em 3 meses, logo após aplicar o sistema de cobrança, o site do jornal conseguiu apenas 35 assinantes.

A pergunta imediata é – o suposto fracasso do Newsday seria um alerta para o NYTimes, que pretende adotar um modelo de cobrança em 2011? A priori, eu acredito que não.

Primeiro, o modelo de cobrança que o NYTimes quer aplicar é diferente do Newsday.

Não fecha o conteúdo. O NYTimes, na realidade, segmenta a audiência de acordo com a ‘fidelidade’ e o ‘valor’ que cada um dá às informações do jornal. Deixa de tratar igual os desiguais. A partir disso, gera receita.

Quem usa mais paga mais, mesmo modelo que a Google aplica no Gmail e no Google Apps.

Segundo, um ponto importante. Diferente do NYTimes, o Newsday é apenas pedaço de uma operação multimídia maior, que é a Cablevision, dona do jornal. Usuários do serviço de internet da Cablevision já são automaticamente assinantes do Newsday e, claro, não entraram nessa estatística de 35 assinantes em 3 meses.

Enfim, não dá para comparar o modelo do Newsday com o que o NYTimes pretende adotar.’

 

TABLET
Tiago Dória

iPad: Apple entende que o futuro é agnóstico

‘As profecias estavam certas. Era um tablet. A Apple anunciou nesta quarta-feira o lançamento de seu aguardado gadget – o iPad. Tela sensível de 24,6 cm, bateria de 10 horas, Wi-fi, 3G, Bluetooth. Possibilidade de assistir a filmes, ouvir música e, claro, navegar na internet.

A interface e as funções são muito parecidas às do iPhone. A diferença é que você não pode enviar mensagens de texto nem fazer chamadas (atualização: na sexta-feira, a Apple anunciou que será possível fazer chamadas por meio de aplicativos que utilizam a tecnologia VoIP)

Confesso que fazia tempo que eu não via tanto hype em torno do lançamento de um gadget. A última vez foi no lançamento do iPhone em 2007.

Esse burburinho em torno do lançamento não é uma questão apenas de RP, que a Apple sempre dominou muito bem, simboliza também o quanto a computação pessoal e a cultura digital estão inseridas entre nós. O lançamento de um computador consegue mobilizar milhares de jornalistas e autores de blogs. Mobiliza pessoas. Algo inimaginável há alguns anos.

E, longe das especificações técnicas, esse lançamento representa o quanto a Apple entendeu que o futuro é agnóstico em relação a dispositivos.

Uma das características mais poderosas da internet é o fato dela poder ser acessada de qualquer lugar. Ela pode estar em todos lugares. Até alguns anos atrás, isso era apenas um conceito.

Tínhamos as tecnologias para isso – banda larga e cloud computing, mas faltavam os dispositivos. A Apple parece ter percebido isso e está trabalhando nesses dispostivos, mas dentro de uma ideia de coexistência. Dessa forma, nos empurra para um futuro agnóstico.

Com o iPhone, a Apple trouxe efetivamente a internet para o celular (é o celular que proporciona a melhor navegação, não há dúvidas) e agora busca trazer a internet realmente para a mesa de café, a cozinha, o quarto. O iPad é o meio termo entre o celular e o laptop.

É aquele dispositivo que não é mobile, mas é portátil e flexível (quase o tamanho de uma revista), você pode levar para quase qualquer lugar, sem as limitações de tela de um celular nem o desconforto de um laptop.

Para mim, daqui para frente, após a poeira baixar, o interessante será acompanhar todo o desenvolvimento em torno do gadget. Certamente surgirão diversos aplicativos para o iPad.

O lado ruim será ter que ler artigos afirmando que o iPad vai salvar, de uma hora para outra, a mídia impressa. Como se o iPad não fosse um gadget, mas uma tábua de salvação.’

 

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