Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Tiago Dória Weblog

16/09/2008 na edição 503

SÍTIOS DE NOTÍCIAS
Tiago Dória

ELPaís é referência mundial, segundo a ONA, 15/9

‘Pela 1ª vez, a Online News Association resolveu premiar os melhores sites de notícias que não são em inglês.

Os grandes vencedores foram o ELPaís.com e o Soitu, um site espanhol de notícias que adota um layout de blog, semelhante ao argentino Clarin.

O site do ElPaís foi considerado uma referência sobre infografia e como um ‘meio tradicional pode se adaptar aos novos tempos’.

Desde o ano passado, quando liberou o acesso gratuito a todo o seu conteúdo, o jornal espanhol passou a utilizar o seu site para atingir uma audiência global, nunca antes imaginada. E o impresso para ir ao encontro de um público mais local.’

 

 

ELEIÇÕES
Tiago Dória

Orkut não pode fazer propaganda política, 14/9

‘Embora a lei brasileira permita discussões políticas, ela não permite propaganda política no orkut. A lei exige que retiremos seu perfil ou comunidade quando soubermos das seguintes atividades:

* Propaganda direta no perfil: você não pode mostrar o número nem o nome do candidato em seu perfil pois isso é considerado um convite para votar nele.

* Fotos em perfis e álbuns que sejam simplesmente banners dos candidatos.

* Comunidades que sejam um chamado para se votar em um candidato.

O recado acima está no blog oficial do Orkut.’

 

 

PORTUGAL
Tiago Dória

Entrevista com António Granado, editor do Público e autor do livro Weblogs, 12/9

‘António Granado é um dos mais influentes especialistas em mídia em língua portuguesa. Desde 2001, mantém o blog Ponto Media, é co-autor do Weblogs: diário de bordo, um dos primeiros livros sobre blogs, e atualmente é editor do site do jornal Público, de Portugal.

Segue abaixo a entrevista [ping-pong] que fiz com ele. Mas antes de clicar no vídeo, vale responder a várias pessoas que me perguntaram se o Mediaon valeu a pena.

Teve um erro grave que foi o fato de não ter wifi. Para um evento que se propõe a falar de jornalismo online, é bem contraditório.

Mas, para mim, valeu, principalmente, por ter sido uma oportunidade de conhecer pessoalmente a Lila King, da CNN, e o António Granado, do Ponto Media. Conhecia-os de caixa de comentários de blogs, links e emails.

Mas conhecer pessoalmente, trocar umas idéias e ainda tomar uma cerveja juntos, como aconteceu na quarta-feira à noite, é outra coisa, somente existe no presencial. O melhor do evento sempre é o relacionamento.

Logo após a sua apresentação no 2º dia do MediaON, Granado deu rapidamente a sua opinião sobre diversos assuntos:

As restrições ao uso da internet nas eleições, a existência de uma ‘panelosfera’ ou uma fragmentação dos blogs no Brasil, a tendência dos sites de notícias liberarem o acesso público à sua API – o Banco Mundial liberou a API nesta semana – e sobre as empresas conciliarem essa preocupação em manter uma qualidade, um padrão editorial, e ao mesmo tempo trabalhar livremente com conteúdo colaborativo.’

 

 

JORNALISMO ONLINE
Tiago Dória

Como foi o primeiro dia do MediaON, 11/9

‘Nesta quarta-feira, participei do Mediaon08 – 2º Seminário Internacional de Jornalismo Online, realizado pelo Portal Terra, em São Paulo. Não assisti a todos os painéis, mas compartilho com vocês o que acompanhei e achei mais interessante:

O primeiro dia do evento começou mesmo na terça-feira à noite, com a palestra de Michael Rosenblum, editor do NYT Television, o que para mim foi bem decepcionante.

Rosenblum veio com um discurso muito teórico, do tipo: a internet vai acabar com as grandes corporações de mídia, uma nova economia está surgindo…

Enfim, um discurso, a meu ver, muito pré-bolha da internet e que não acrescenta muita coisa atualmente, quando as principais discussões na área de mídia são justamente sobre convergência, como unir velha e novas mídias.

De mais interessante, um trecho em que ele afirmou que atualmente para fazer a sua própria produção de vídeo, você não precisa de dinheiro, mas de talento. Talento sempre foi a moeda e o combustível do jornalismo, não importa o ambiente – online ou offline.

Aliás, hoje essa divisão online e offline não faz sentido nenhum.

Passamos para o 2º dia, quarta-feira. Gostei muito da fala do Fábio Malini, da Universidade Federal do Espírito Santos, no painel ‘O novo jornalista e a cobertura eleitoral’.

Disse que as empresas de mídia devem aprender a agregar mais serviços de informações, que vão além da produção tradicional de notícia. Ou seja, agregar o conteúdo que seja relevante, produzido em blogs, redes sociais e outros ambientes.

Acrescento algo à fala do Malini e cito como exemplo o NYTimes, que, na passagem do furacão Gustav, passou a usar o conteúdo postado no site de fotos Flickr.

Acredito que uma empresa que ignora esse conteúdo é a mesma coisa que um jornal ignorar tudo o que acontece em uma praça.

Enfim, uma empresa que não leva em conta esse tipo de conteúdo postado no YouTube, Flickr, Vimeo, só porque está em um suposto site da concorrência, está negligenciando informações ao leitor.

Vale lembrar que a maioria dos portais e sites de notícias brasileiros tem uma política interna de não linkar ou fazer referência para conteúdo postado no YouTube e no Flickr.

Edward Pimenta, da Abril, mostrou algumas informações interessantes sobre o perfil do profissional de mídia que está entrando no mercado, pelo menos, via Curso Abril. São contra hierarquias, não gostam de ficar presos a resultados e são extremamente independentes.

Algo que já comentei, no blog, é um pouco da cultura do ‘faça você mesmo’ que a web deixou mais latente. Tenho percebido isso também entre os profissionais mais capacitados que estão entrando no mercado. De certa forma, é um desafio na gestão das empresas de mídia que, muitas vezes, pecam pelo excesso de hierarquia e centralização nas redações.

Terceiro painel, sobre a web e as eleições nos EUA. Apesar do deslumbramento de alguns colunistas de mídia, Miguel Almaguer, repórter da NBC, e Francisco Mendes, correspondente da Rádio Bandeirantes em Washington, foram quase categóricos ao afirmar que a internet não vai decidir as eleições presidenciais nos EUA.

Mendes chegou até a lembrar que, apesar de perderem terreno na internet, os republicanos dominam as rádios nos EUA e que elas é que podem ser decisivas junto com a televisão, mesmo caso do Brasil. Não é à toa que a maioria das verbas de campanhas está indo justamente para a TV.

Quarto painel, sobre a importância do ‘conteúdo gerado pelo usuário’.

Márcia Menezes, editora-chefe do G1, mostrou uma visão bem pé no chão em relação ao assunto, ao dizer que não faz sentido um site de notícias querer ‘reinventar a roda’ e montar a sua própria rede social.

O caminho é usar estruturas já consolidadas, como o Orkut. Citou o caso dos aplicativos para a rede social que o portal Globo.com está produzindo.

Comentou ainda que não devemos ficar muito presos ao ‘modelo/conceito tradicional’ de jornalismo colaborativo, no sentido de que a colaboração pode acontecer de várias formas, vai muito além do ‘enviar matéria, foto, vídeo’. Para exemplificar, citou o caso do mashup/aplicativo Amazônia VC, que mais de 130 mil pessoas instalaram em seus perfis.

Marco Chiaretti, diretor de conteúdo do Portal Estadão, falou uma frase que gostei. De que a internet e os portais já viraram velha mídia. Não faz sentido usarmos os termos velha e nova mídia. O que existe é mídia e ponto final.

Isso vai ao encontro do que o consultor Steve Rubel comentou e que assino embaixo – o termo ‘mídias sociais’ faz cada vez menos sentido. O que está acontecendo é convergência. Mídias tradicionais absorvendo dinâmicas das novas mídias, por isso não faz sentido isolar um tipo de mídia.

E foi justamente sobre essa convergência o foco da apresentação de Lila King, co-fundadora do iReport, da CNN. Quem acompanha esse blog sabe o quanto o iReport é um case de sucesso na área de jornalismo colaborativo.

Durante o andamento de sua apresentação, a jornalista da CNN respondeu indiretamenta à pergunta de muitos. Por que um projeto como o IReport dá certo lá fora e não aqui, no Brasil?

O sucesso vem da capacitação e do constante diálogo com a comunidade, não apenas pegar o conteúdo que o usuário envia e colocar no ar, como se estivesse fazendo um favor – olha, o seu conteúdo está na CNN. Pelo contrário, o sucesso está no relacionamento constante, algo que comentei no post É o produto, pô!

Enfim, são coisas que não existem na maioria ou em quase todos os projetos de jornalismo colaborativo no Brasil, que mal têm equipes para cuidar desse conteúdo.

Ainda é escassa a figura de um profissional como a Lila, que se dedica fulltime a esse tipo de site, que deveria ser uma das partes mais nobres, pois é um canal onde o usuário se relaciona de forma mais direta com um veículo, uma empresa de mídia.

Não é à toa que o iReport conta com uma equipe fixa de 9 pessoas, porém o projeto envolve toda a CNN. Todos os jornalistas, de certa forma, estão envolvidos no iReport, que teve a sua grande virada durante o massacre de Vírgina Tech, quando um usuário gravou o tiroteiro com um celular.

Para quem se interessou, eu gravei com o n95 a palestra completa da Lila. Dá para baixar, se quiser.

Hoje estarei dividido entre o 2º dia do MediaOn e o evento da Cásper Líbero sobre Cidadania Digital.

Devo postar algo no final do dia. A gente se vê por lá.’

 

 

 

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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