Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > TELEVISÃO

TV católica enfrenta evangélicas

01/03/2011 na edição 631

Folha de S. Paulo, 26/2

Fábio Amato

Para enfrentar evangélicas, TV católica exibe esportes radicais

Menos missas e mais entretenimento. Criada há cinco anos para enfrentar o crescimento dos evangélicos, a TV Aparecida, da Igreja Católica, tem investido em uma programação laica como estratégia para se diferenciar de emissoras irmãs, como a Canção Nova, e atingir um público maior.

A grade do canal, no início totalmente religiosa, hoje exibe programas como o ‘Brasil Off-Road’, para fãs de esportes radicais, e o ‘Sabor de Vida’, com dicas de gastronomia e saúde.

A TV é administrada pelo Santuário Nacional de Aparecida (a 180 km de São Paulo).

A emissora passou ainda a exibir desenhos e filmes. O último pacote comprado inclui títulos como ‘O Pianista’ e ‘Oliver Twist’, do cineasta Roman Polanski, além do brasileiro ‘Amor & Cia’, estrelado por Patrícia Pillar, Marco Nannini e Alexandre Borges.

‘O que nos define é a programação religiosa. Mas nós não queremos ser uma TV piegas. Nós somos diferentes em relação às outras TVs católicas porque nós temos uma programação diferenciada. Nós ousamos falar a quem não quer nos ouvir’, diz o reitor do Santuário Nacional, padre Darci Nicioli.

Segundo ele, a emissora quer falar ‘com todos os segmentos da igreja’ e ‘dialogar com a sociedade’. E, apesar de não veicular só conteúdo religioso, sua programação ‘é permeada de maneira muito sutil pelos valores do evangelho’.

A Aparecida é transmitida para todo o Brasil por parabólica e em 174 cidades pela TV aberta e paga. Neste ano, inaugura a sua transmissão digital para toda a Grande São Paulo (investimento de cerca de R$ 6 milhões).

 

Folha de S. Paulo, 26/2

Gravações de ‘Two and a Half Men’ são canceladas

As redes Warner e CBS decidiram cancelar as gravações do seriado ‘Two and a Half Men’ após o ator principal, Charlie Sheen, ter dado declarações à imprensa ameaçando o produtor, Chuck Lorre.

As declarações de Sheen foram feitas das Bahamas, onde passa férias, e publicadas pelo site de celebridades TMZ. O ator também chamou Lorre de ‘um homenzinho estúpido, um idiota que eu nunca gostaria de ser’.

As produtoras não se pronunciaram a respeito da realização ou não das próximas temporadas.

Com ‘Two and a Half Men’, Sheen alcançou o mais alto salário da TV americana: embolsa US$ 1,25 milhão (R$ 2,12 milhões) por episódio gravado.

Ele ainda negocia com o canal HBO a produção de um programa de entrevistas.

Indisposições desse tipo não são inéditas. Em fevereiro do ano passado, Sheen anunciou que interromperia as gravações da série para que ele pudesse se tratar da dependência de drogas em uma clínica de reabilitação.

No último dia 27 de janeiro, o ator foi internado alegando ‘fortes dores abdominais’ para, em seguida, prometer que iniciaria outro tratamento.

O histórico de problemas com drogas, porém, vem de longa data. Em 1998, Sheen sofreu overdose acidental de cocaína. Desde então, também coleciona acusações de violência doméstica feitas por ex-mulheres.

 

Carta Capital, 28/2

Rodrigo Martins

O lobby das tevês, sem fair-play

A Globo e aCBF estavam em festa. Parecia um racha sem volta, a implosão definitiva do Clube dos 13, entidade que há mais de duas décadas representa os 20 maiores clubes brasileiros na negociação dos direitos de transmissão das competições nacionais. O primeiro a desertar foi o Corinthians, ao anunciar, na quarta-feira 23, que negociaria seus direitos no Campeonato Brasileiro por conta própria. Afoitos diante da promessa de lucro maior no voo-solo, Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo aderiram à rebelião. Na raiz do problema, os desacertos a envolver as milionárias cifras a que os clubes têm direito por sua exposição na tevê. A lista de possíveis desertores não parava de crescer: Coritiba, Goiás, Vitória, Palmeiras, Cruzeiro…

Mas em 24 horas o discurso insurgente amainou. ‘Estamos desfiliados do Clube dos 13, mas não existe rancor. Não ofendi ninguém, apenas não concordo com algumas questões’, afirmou o presidente corintiano, Andrés Sanchez, pivô da crise, ao dizer que ‘não descarta’ um retorno à entidade. Os clubes do Rio, que devem ao menos 60 milhões de reais ao C13, também baixaram o tom. ‘Não há interesse em se distanciar ou romper neste momento, mas de retomar a essência da entidade. Não pensamos em formar liga (paralela ao Campeonato Brasileiro). A questão é a negociação dos direitos de transmissão’, ressaltou Patrícia Amorim, do Flamengo, durante a entrevista coletiva dos presidentes dos quatro grandes clubes cariocas.

Pela primeira vez desde que o Clube dos 13 foi criado, em 1987, a entidade lançou um edital de licitação para os direitos de transmissão do Campeo­nato Brasileiro sem a cláusula que garantia prioridade à Globo. A exclusão do chamado ‘direito de preferência’ é fruto de uma decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia do Ministério da Justiça. No parecer assinado pelo procurador Fernando Antônio de Oliveira Júnior, em 28 de outubro de 2010, exigiu-se o fim do benefício para garantir uma concorrência justa no ‘licenciamento de direitos para as temporadas que se iniciam no ano de 2012’. Graças à medida, outras emissoras manifestaram interesse de transmitir o campeonato, o que permitiu ao Clube dos 13 dobrar o valor pedido pela cota mínima na licitação para o triênio 2012-2014.

Atualmente, a Globo paga cerca de 400 milhões de reais por ano para explorar os jogos no Brasileirão na tevê aberta, na tevê paga, na internet e em placas de publicidade. No edital que acaba de ser finalizado, apenas para transmitir as partidas na tevê aberta, a emissora que vencer a concorrência terá de pagar, no mínimo, 500 milhões de reais. Somadas as demais plataformas, vendidas separadamente, o C13 espera arrecadar mais de 1,3 bilhão de reais por ano. Para a Globo, o risco de perder o contrato para a concorrente Record é alto. Estima-se que a emissora da família Marinho fature ao menos 1 bilhão de reais por ano com a publicidade veiculada no horário dos jogos. Além disso, o futebol é um dos principais pilares da programação da Globo há mais de duas décadas.

Isso talvez explique o empenho de Ricardo Teixeira, fiel aliado da Globo, em tentar eleger um aliado na presidência do Clube dos 13 no ano passado. O chefe da CBF apoiou a candidatura de Kleber Leite, ex-Flamengo, mas quem levou a melhor foi o gaúcho Fábio Koff, ex-Grêmio, reeleito para mais três anos à frente da entidade. Naquela ocasião, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, demonstrou fidelidade a Teixeira e pediu votos para Leite. Dois meses depois, viraria chefe da delegação brasileira na Copa da África do Sul. Meses mais tarde, anunciaria o seu projeto de estádio para o Corinthians, que prontamente recebeu o endosso da CBF para sediar os jogos da Copa de 2014 em São Paulo. Por trás do racha iniciado por Sanchez no Clube dos 13, especula-se, está mais do que a tentativa de engordar as receitas do Corinthians com uma negociação individual. Existiria, na verdade, uma verdadeira aliança entre a Globo, a CBF e o presidente corintiano para minguar qualquer possibilidade de a Record vencer a licitação.

Sanchez nega qualquer insinuação a respeito. Diz não ter preferência entre as emissoras e garante ter se encontrado com executivos da Record para negociar os direitos do clube. Além disso, atribuiu a saída do C13 a ‘uma série de desmandos administrativos’. Também falou em falta de lisura na elaboração do edital de concorrência, uma vez que presenciou dirigentes da organização a discutir detalhes do contrato por telefone com executivos das emissoras interessadas. ‘Se ele não tivesse pedido a desfiliação, eu proporia a sua expulsão por esse comportamento moleque e irresponsável’, rebateu Fábio Koff, visivelmente irritado, ao receber a carta de desfiliação.

Ataíde Gil Guerreiro, diretor-executivo do C13 e responsável pela formatação do edital, esclareceu à imprensa que as emissoras foram contatadas para informar a decisão de oferecer um ágio de 10% à proposta da Rede Globo, em razão de sua maior audiência e participação no mercado publicitário. ‘Ele (Sanchez) está querendo ser o advogado da Globo. Não existe nenhuma falta de lisura. Não aceito entrar em uma farsa. As regras estão definidas. Vai ganhar aquele que fizer a melhor proposta’, afirmou Guerreiro, pouco antes de acusar a emissora da família Marinho de aliciar alguns times para criar um racha e impedir o processo de licitação. ‘Têm alguns clubes que pela primeira vez estão recebendo adiantamento da Globo. O normal é você ter um contrato, pegar o documento e levar no banco para antecipar o recurso. A partir de determinado momento, ela começou a fazer o papel do banco. Em vez de fazer (empréstimos) pelo banco, a própria Globo fazia.’

Nos casos do Flamengo e do Corinthians, é real a possibilidade de que uma negociação individual fosse mais favorável. Isso porque eles possuem as maiores torcidas e dão mais audiência às emissoras de tevê, embora, hoje, recebam o mesmo porcentual destinado a São Paulo, Palmeiras e Vasco, clubes com menor exposição. De toda forma, Koff garante que Sanchez não pleiteou uma verba maior antes de anunciar sua saída do C13. Quanto aos demais times cariocas rebelados, acha difícil que eles ganhem mais caso abandonem a negociação conjunta.

A mesma percepção tem o presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil. ‘Estamos dobrando a receita dos clubes. Eu quero que os dissidentes expliquem à sua torcida como eles pretendem ganhar mais dinheiro negociando sozinhos’, afirma o dirigente, participante da comissão que formatou o edital para a tevê aberta. ‘Recusar uma licitação que vai gerar 3,9 bilhões de reais em três anos é rasgar dinheiro. Mas alguns presidentes parecem gostar de ficar com o pires na mão.’

Em conversas informais, presidentes de clubes afirmam que muitos times são reféns da Globo na negociação, por receberem empréstimos e adiamentos dos direitos de transmissão sempre que a corda chega ao pescoço. No topo do ranking dos mais endividados estariam justamente os clubes cariocas. Boa parte da dívida de 60 milhões de reais com o Clube dos 13, na verdade, é de pagamentos antecipados pela Globo. De tantos adiantamentos, a receita com transmissões estaria comprometida até setembro.

A rebelião dos clubes do Rio teria, segundo fontes ouvidas por CartaCapital, um dedo do empresário J. Hawilla, dono da Traffic, que negocia marketing esportivo. Em dezembro do ano passado, a empresa assinou um contrato com o Fluminense para ser parceira na gestão de marketing do clube por dez anos. Além disso, foi graças ao suporte financeiro da Traffic que o Flamengo conseguiu contratar o meia Ronaldinho Gaúcho. Hawilla teria interesse em manter as transmissões do Brasileirão com a Globo por ser proprietário de uma rede regional de tevê, a TV TEM, afiliada à emissora da família Marinho. Ao todo, são quatro retransmissoras da Globo, que cobrem 318 municípios do interior paulista.

O clima está tão pesado que qualquer fato, por mais irrelevante que seja, alimenta a disputa. Uma semana depois de dar a Taça das Bolinhas ao São Paulo, pelo feito de ser o primeiro clube a conseguir cinco títulos brasileiros, a CBF reconheceu o Flamengo como campeão de 1987, ao lado do Sport. Com esse reconhecimento, o Flamengo seria, em tese, o verdadeiro herdeiro da Taça. Experiente, Juvenal Juvêncio, presidente do clube paulista, não perdeu o foco. ‘A CBF está fazendo um jogo para ver se nos divide. Pode rachar, mas acaba se ajustando no processo’, afirmou. ‘Assunto de Taça de Bolinhas não é sério, estamos discutindo um contrato bilionário.’

A Globo não comentou as acusações de ter pressionado os clubes, por meio de empréstimos ou adiantamentos. Também não esclareceu se pretende lançar uma proposta ou se está negociando isoladamente com os clubes. ‘A TV Globo só vai se pronunciar sobre a renovação dos direitos do Campeo­nato Brasileiro após avaliar os termos do edital’, informou a assessoria de imprensa da emissora. A Record usou o mesmo argumento para não falar sobre a negociação.

Com ou sem racha, o C13 promete levar adiante o processo de licitação. As ofertas seriam apresentadas em 11 de março. Diante da ameaça de deserção de alguns clubes – ou mesmo da negociação em separado -, a entidade não descarta a possibilidade de o edital virar objeto de disputa judicial. ‘O que todos precisam entender é que o Cade e o Ministério Público acompanharão a questão de perto, e não há espaço para privilegiar uma ou outra empresa’, diz Guerreiro.

 

Folha de S. Paulo, 27/2

Vanessa Barbara

Troca de família

‘A COMIDA AQUI é péssima’, diz uma senhora num restaurante. ‘E vêm em porções tão pequenas!’

A piada de Woody Allen se aplica perfeitamente a alguns programas de TV, como séries e telejornais que, a despeito de serem ruins, são também curtos demais.

O mesmo não se pode dizer do reality show ‘Troca de Família’ (Record, terças e quintas, às 23h), baseado no programa ‘Trading Spouses’, da Fox. A versão brasileira é duas vezes mais longa que a original: cada experiência é contada em dois programas de 54 minutos.

Na atração, duas famílias fazem um intercâmbio de mães por uma semana, ganhando R$ 25 mil pela participação. Cada uma delas decide como aplicar o dinheiro. ‘É angústia que não acaba mais’, diz a apresentadora Amanda Françozo.

Na quinta temporada, que começou dia 8, a escritora Clara Averbuck trocou com a estilista Daniela McMullan, num episódio que levantou suspeitas de traição entre o marido de Clara e Daniela.

No episódio seguinte, foi a vez da vegetariana Fernanda Tavares trocar de lugar com Adriana Silva, mulher de um peão de rodeio. Na série, uma cigana já revezou com uma metódica, uma japonesa com uma naturista, uma palmeirense com uma corintiana.

Duas coisas me incomodam: primeiro, saber que o programa é gravado com um ano de antecedência e que, portanto, boa parte dos casais já se separou -como Clara e também Gretchen que, meses após a gravação, pediu o divórcio e desposou o 14º marido.

Se não há como agilizar o processo de edição, sugiro que acrescentem legendas atualizadas após os créditos, como: ‘Dois meses depois, Clodoaldo pediu o desquite e virou ateu’, ou ‘A pedidos da família, Maria hoje toma medicamentos para tratar o chulé’.

A segunda crítica se dirige às mulheres. Caso tivessem senso de oportunidade, elas podiam aproveitar a humilhação em curso para praticar uma saudável vingança.

A esposa sertaneja, por exemplo, poderia obrigar a família da vegetariana a gastar o dinheiro numa churrasqueira. Outra poderia mencionar em sua carta as ‘despesas inevitáveis com a internação psiquiátrica de toda a família’. E a japonesa poderia determinar que a turma dos naturistas usasse todo o valor do prêmio para abrir uma confecção de maiôs.

 

Folha de S. Paulo, 27/2

Keila Jimenez

Adnet e Dani brincam antes de uma gravação do ‘ComédiaMTV’

Eles são o William Bonner e a Fátima Bernardes da comédia na TV. Casados e trabalhando juntos, Marcelo Adnet e Dani Calabresa não dividem bancada, mas sim muitas piadas. Uma vez por semana aparecem juntos no ar no ‘Comédia MTV’ e cada um tem ainda o próprio programa. Dani segue no ‘Furo MTV’ e Adnet ganhou uma nova atração, o ‘Adnet Ao Vivo’. A pedido da Folha, um entrevistou o outro.

DANI ENTREVISTA ADNET

Dani – Prefere fazer TV, teatro ou cinema?

Adnet – Televisão é um produto, cinema é do diretor e o teatro é a casa do ator.

Que lindo! E tem algum personagem do cinema que queria ter feito? Se disser ‘Indiana Jones’ ganha um beijo!

Tenho nada específico, mas admiro o [ator inglês] Peter Sellers [1925-1980].

O que te faz rir na TV?

Gosto de humor e de programação trash. Canal de joias, alguma coisa horrorosa que passa na madrugada.

Gosta de se assistir?

É um pouco angustiante. Vejo e fico pensando: podia ter jogado mais o cabelo…

Como se vê daqui a 20 anos?

Tenho duas preocupações: saúde e manter a cabeça jovem, ser meio criança.

ADNET ENTREVISTA DANI

Adnet – Como é trabalhar e morar com uma pessoa tão maravilhosa como o Marcelo Adnet? (risos)

Dani – É muito bom. A gente testa ideias em casa, chega na MTV e conversa com o resto do elenco. É divertido.

Como é morar com o Adnet. É engraçado?

Todo mundo me pergunta. Não casaria com um homem mal-humorado. Mas você não é um ‘Zé graça’, não joga água na minha cara quando eu acordo. E é responsável.

Qual programa de humor nacional você gosta?

A fórmula de ‘Sai de Baixo’ (Globo), no teatro, é muito boa. ‘TV Pirata’ (Globo) não entendia quando era criança e hoje adoro.

O que te faz ficar na MTV?

Tenho uma atração diária em que faço o que quiser e o ‘Comédia MTV’, em que trabalho com o marido. Estou feliz demais para arriscar.

O que quer ter no futuro que não tem hoje?

Daqui a dois anos quero parar um pouco de viajar, ter filhos e vê-los imitando o Silvio Santos. (risos)

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