Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 2/01

TVs americanas cogitaram transmitir execução de Saddam

Por Luiz Antonio Magalhães em 03/01/2007 na edição 414


Leia abaixo os textos desta terça-feira selecionados para a seção Entre Aspas


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Folha de S. Paulo


SADDAM EXECUTADO
Bill Carter


TVs nos EUA discutiram se transmitiriam


‘DO ‘NEW YORK TIMES’ – Confrontadas com um segundo e mais explícito vídeo do enforcamento de Saddam Hussein, as redes americanas de TV se viram diante daquilo que o presidente da NBC News, Steve Capus, chamou de ‘decisões editoriais delicadas’.


Esse segundo vídeo, quase certamente obtido por um celular de um dos guardas ou de alguma das testemunhas da execução, inclui o diálogo áspero entre o ditador e os carrascos e também o momento em que o cadafalso se abre e o réu despenca no vazio, balançando e dependurado pelo pescoço.


Nenhuma das redes nacionais americanas levou ao ar essa última cena. O site da BBC passou a fornecer um link para quem quisesse assisti-la, embora a emissora não a tivesse levado ao ar.


Mas o comedimento das redes americanas não foi demonstrado por sites da internet, que postaram toda a seqüência sem cortes, inclusive aquela em que o rosto do ditador já aparece imobilizado pela morte.


A CNN e a Fox News divulgaram o vídeo feito por celular, congelando a imagem do rosto de Saddam antes dos instantes finais, ou seja, antes da execução propriamente dita, que chocaria seus telespectadores. A cena foi reiteradamente transmitida anteontem. A Fox a obteve já no sábado, depois que um canal árabe a havia transmitido. A ABC também divulgou imagens em seus jornais, tarde daquela noite.


David Rhodes, vice-presidente da Fox News, disse que uma das razões que levaram sua rede a transmitir o novo vídeo era a existência de um diálogo entre Saddam e seus carrascos. Esse detalhe é que virou o centro da notícia, disseram diretores de redes. John Klein, presidente das operações americanas da CNN, disse que havia na cena um confronto entre o condenado sunita e seus algozes xiitas, o que segundo ele compunha ‘um microcosmo das tensões da sociedade iraniana no momento’.


O grande assunto


O vídeo se transformou em tema tão relevante quanto a própria execução de sábado. Só nos países de língua inglesa, segundo o Google, havia ontem à noite 4.370 menções a esse fato.’



Folha de S. Paulo


Sunitas protestam por vídeo de Saddam


‘O enforcamento de Saddam Hussein poderia ter sido o cumprimento de uma decisão judicial, mesmo contestável. Mas se tornou para os sunitas uma nova prova política da opressão que sofrem da maioria xiita do governo iraquiano.


‘Claro, ele foi um ditador, mas foi morto por um esquadrão da morte’, disse ao ‘New York Times’ uma não identificada sunita de Bagdá.


Essa e outras reações foram provocadas pelo vídeo de dois minutos, em que Saddam Hussein, pouco antes de ser enforcado, é verbalmente agredido por guardas e carrascos xiitas.


O registro, feito por celulares, indica ofensas verbais ao ditador e demonstra que o episódio teve pouca dignidade.


Com isso, dizem analistas, a execução de um déspota sangüinário, em lugar de ser vista como a virada definitiva de uma página para a pacificação do país, tornou-se combustível para as tensões sectárias.


O Conselho dos Clérigos Sunitas divulgou ontem nota em que culpa os Estados Unidos pela execução e exorta os iraquianos a ‘frustrarem os planos’ das forças estrangeiras.


‘Foi um ato eminentemente político’ e ‘uma provocação aos sunitas’, diz o texto.


Amotinamento


Cerca de 300 prisioneiros sunitas de uma prisão nas imediações de Mossul se amotinaram, ao serem ontem informados por familiares da execução de sábado. Suspeitos de integrarem a insurgência, destruíram suas células, queimaram colchões e quebraram móveis. Ao menos sete guardas e três prisioneiros ficaram feridos. Segundo familiares ouvidos pela Reuters, uma pessoa foi morta.


As tensões que o filmete gerou levaram o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki a determinar abertura de inquérito sobre o vazamento.


O ‘New York Times’ comenta que ‘o enforcamento foi precipitado e deixou de lado as normas com que deveria ocorrer. Os policiais encarregados de manter a ordem [ao redor da forca] passaram a gritar palavras das milícias xiitas’. ‘Sempre falamos dos crimes de Saddam, mas estamos nos comportando da mesma forma’, disse Alaa Makki, político sunita.


As milícias xiitas são suspeitas de atuarem com o apoio de ministros do governo. Os Estados Unidos relançaram o apelo à reconciliação, mas ‘não há nenhuma razão para que isso venha a acontecer’, disse ao jornal americano um político sunita não identificado.


As circunstâncias que envolveram o enforcamento do ditador se somam à marginalização da antiga elite sunita. A associação de acadêmicos que falava em nome da comunidade está hoje exilada na Síria ou na Jordânia. Há um único sunita entre os 50 vereadores da Câmara Municipal de Bagdá.


A tensão poderia ser evitada caso o Ministério da Justiça mantivesse para o enforcamento um cerimonial de fria eqüidistância. O episódio, no entanto, transformou-se em ato explícito do ódio xiita. O próprio vazamento das imagens demonstra malícia partidária.


A revista ‘Newsweek’ entrevistou Ali al-Massedy, encarregado pelo primeiro-ministro Maliki de registrar a cena. Ele disse ter feito um vídeo de 15 minutos e entregue imediatamente a fita ao chefe-de-gabinete do premiê.


Mas o que deveria ter sido uma operação controlada, para a divulgação eventual de alguns de seus trechos, tornou-se um ato público, em razão da internet e dos celulares aptos a captar imagens. O relato sobre Massedy é feito pelo blogueiro americano Michael Roston.


Governo fecha TV


O governo iraquiano determinou ontem o fechamento por prazo indeterminado de uma emissora de televisão pró-sunita, a Sharkiya, por ‘incitar o sectarismo’ religioso.


O canal é de propriedade de um sunita radicado em Londres, e seus estúdios funcionam no vizinho emirado de Dubai.


O porta-voz do Ministério do Interior, Abdul Karim Khalaf, disse que a Sharkiya havia sido advertida por supostamente incitar ao confronto entre facções islâmicas.


Indagado se o fechamento tinha relação com a divulgação de cenas do enforcamento de Saddam, Khalaf disse que ‘se nos últimos três dias vocês assistissem aquele canal, vocês veriam que ele está exortando as pessoas à violência e aumentando a tensão sectária’.


Em novembro, quando Saddam foi condenado à morte, o governo tirou duas emissoras pró-sunitas do ar. A Al Jazeera está proibida, enquanto sua rival, a Al Arabiya, teve sua sucursal de Bagdá fechada por um mês em setembro.


Com agências internacionais’


 


SEGUNDO MANDATO
Clóvis Rossi


Popularidade virtual


‘É bom deixar claro, de saída, que o pequeno público que foi a segunda posse de Luiz Inácio Lula da Silva não tem a ver com popularidade, prestígio, augúrio para o futuro etc. Tem muito mais a ver com o fato de se tratar de repeteco -e repetecos, em geral, causam pouco entusiasmo.


De todo modo, a ausência de público pode, sim, ter a ver com a análise de Isidoro Cheresky, professor de Teoria Política da Universidade de Buenos Aires, para o número mais recente de ‘Nueva Sociedad’, a revista da social-democracia internacional para a América Latina.


Contra a corrente dos que dizem que o rosário de eleições do ano passado na América Latina conduziu ao poder majoritariamente populistas e/ou esquerdistas, Cheresky classifica a grande maioria dos eleitos como ‘lideranças de popularidade, sustentados em uma relação direta, mas virtual, com a opinião pública’.


Ou, posto de outra forma, o apoio aos governantes eleitos é passivo, distante. Ou, nos termos do discurso do senador Renan Calheiros, o eleitorado se manifesta apenas no ‘silêncio do voto’. O próprio Lula admitiu, no discurso de posse, que nunca houve, no mundo, ‘tão grande descrédito na política’, e defendeu a necessidade de ‘produzir uma cidadania ativa’.


Essa passividade parece ter sido a grande marca da posse, na medida em que o discurso do presidente produziu muito calor (especialmente na auto-avaliação positiva de seu primeiro período), mas pouca luz sobre o segundo, até por ter sido a repetição de temas, bordões e promessas de campanha.


Vale, de todo modo, registrar uma mudança de tom. No primeiro discurso de posse, Lula dizia que a ‘mudança’ se daria ‘sem atropelos e precipitações’. Agora, pede ‘pressa, ousadia, coragem e criatividade’. Muito bom. Mas, em vez de pedir, não seria melhor exibir tudo isso, na fala e na prática?’


 


REQUIÃO vs. MÍDIA
Mari Tortato


Requião diz que fará ‘governo de esquerda’ e ataca imprensa


‘O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), 65, tomou posse do segundo mandato consecutivo declarando que fará um ‘governo de esquerda’ e chamando o grupo político que derrotou na última eleição de ser ‘corrupto’ e ‘de direita’.


O governador incluiu a imprensa no grupo adversário. Disse que suspenderá verbas publicitárias aos maiores veículos de comunicação do Estado nos próximos quatro anos.


O discurso na Assembléia Legislativa Requião dedicou ao ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo (PFL), a quem chamou de ‘imprevisível e extraordinário conservador’.


Em entrevista à Folha, publicada no domingo, Lembo acusou a elite de ‘sempre se lambuzar e viver das benesses do Estado’ e disse que só era ‘mais cuidadosa’ na corrupção do que o PT ao chegar ao poder.


‘Somos de esquerda porque ser de esquerda é ser solidário, fraterno e humano’, afirmou Requião. Para ele, a frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que sexagenários que se mantêm na esquerda têm problemas não pode ser mal interpretada ou distorcida como pretexto para negar a opção.


O discurso do governador paranaense também abrigou a defesa da opção nacionalista, com citações elogiosas aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales, e do Equador, Rafael Correa, e condenações ao governo dos Estados Unidos e à globalização da economia.


‘E lá vem essa conversa toda de populismo, do horror a um Hugo Chávez, a um Evo Morales, a um Rafael Correa, a qualquer um, enfim, que se oponha ao consenso de Washington, aos ditames do FMI, às receitas do neoliberalismo, à ação sem freio do mercado’, disse ele.


Requião repetiu na posse, ontem, os ataques à imprensa que marcaram a campanha eleitoral no Estado. Anunciou ‘como primeiro compromisso’ do seu governo ‘o famoso choque de democracia na imprensa’. Segundo ele, ‘pela primeira vez na história do país, a mídia foi questionada e derrotada no Brasil e no Paraná’.’


 


TELEVISÃO
Laura Mattos


O Acre de R$ 20 milhões


‘‘Nasce gente lá?’ A novelista Glória Perez, 58, finalmente vai responder em horário nobre da Globo à piada que se cansou de ouvir quando dizia ser acreana.


A partir de hoje, às 21h55, ela conta a história de seu Estado natal em ‘Amazônia – De Galvez a Chico Mendes’, uma das minisséries mais caras já produzidas na televisão brasileira.


Natural da capital Rio Branco, Perez mudou-se com a família do Acre para o Rio, onde se formou em história e passou a ser autora de TV.


‘Cheguei e me dei conta de que ninguém sabia nada de nós, acreanos, de nossa vida, nossa luta para nos integrar ao Brasil. O Acre era sempre motivo de piada. ‘Nasce gente lá?’. Todo acreano escutava isso. Desde então, eu quis contar essa história’, diz a escritora à Folha.


Após o sucesso de audiência de outras séries históricas, como ‘Um Só Coração’ e ‘JK’, a Globo deu ‘ok’ ao projeto de Perez. Serão retratados cem anos da epopéia do Acre, desde as guerras entre bolivianos e brasileiros pela posse da região, no início do século passado, até o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, em 1988.


Superprodução


Em meio à expansão da Record na teledramaturgia, a Globo decidiu dar ares de superprodução à ‘Amazônia’.


Cada um dos 48 capítulos tem um orçamento de no mínimo R$ 400 mil (o dobro de um episódio de novela), o que eleva o custo da produção a algo em torno de R$ 20 milhões.


E não faltam números ‘amazônicos’ para impressionar:


1) Metade do elenco da Globo foi mobilizada para a gravação, o que significa cerca de 200 atores e atrizes;


2) Mais de 150 profissionais do canal passaram 72 dias em gravações no Acre e Amazonas;


3) Perto de 20 toneladas de equipamentos foram utilizadas, e em torno de 16 mil peças de figurino, confeccionadas;


4) Em um mês, duas cidades cenográficas foram levantadas no Acre por 270 profissionais contratados em uma área de dois mil metros quadrados;


5) Aproximadamente 600 acreanos fizeram figuração nos seringais e nos Exércitos do Brasil e da Bolívia.


A construção do ‘Projacre’ contou com o apoio do então governador do Estado, Jorge Viana (PT), e o incentivo da ministra acreana e também petista Marina Silva (Meio Ambiente). À Folha, Perez não deixou claro de que forma eles colaboraram. ‘O governador nos deu o suporte que os governos costumam dar a esse tipo de produção. Tanto ele como a ministra participam do entusiasmo de todos os acreanos pela minissérie. Estão todos mobilizados. Recebo documentos antigos, fotografias, relatos’, diz.


Apesar de ‘Amazônia’ começar em 1899 e chegar à década de 1980, Viana e Silva não serão retratados. Mas Perez tem planos de colocar na história o companheiro-mor dos petistas, Luiz Inácio Lula da Silva.


‘O presidente Lula é personagem de um momento muito marcante na vida de Chico Mendes: foi em conseqüência de um discurso que fez quando mataram o [sindicalista] Wilson Pinheiro [1980] que Chico acabou preso. Ainda não comecei a escrever essa parte da história, portanto, é cedo para dizer se o episódio será mostrado’, despista a escritora.


Ficção e realidade


A exemplo das outras minisséries históricas da Globo, ‘Amazônia’ mistura fatos reais com ficção. A segunda das três fases que compõem a obra é ambientada na década de 1940 e será quase inteiramente composta por personagens fictícios.


Essa parte é baseada em dois romances de autores acreanos, ‘Terra Caída’, de José Potyguara, e ‘O Seringal’, de Miguel Ferrante, pai de Perez. ‘Mas também aparecerão personagens reais que ficaram na memória popular’, diz a novelista.


Entre eles, estão o padre José (Antônio Calloni), que auxiliava os moradores com conselhos e remédios, o poeta Juvenal Antunes (Diogo Vilela) e Chico Mendes quando criança.


Quem já viu novela da autora (‘O Clone’, ‘América’) sabe que ela certamente vai abusar da ficção. Seu estilo mirabolante deverá vir à tona sobretudo quando a série explorar as lendas amazônicas. Ou tem algo mais ‘Glória Perez’ do que um boto que se transforma em um lindo rapaz e beija a mocinha à beira do rio? Giovanna Antonelli foi brindada com a personagem Delzuite, que nadará com o boto e, depois de engravidar, dirá que o filho é dele.


Ela é filha de Bastião (Jackson Antunes), que fugiu com a família da seca nordestina para trabalhar em seringais do Acre. Ele acaba nas mãos do Coronel Firmino (José de Abreu), dono de um seringal que desenvolve com empregados um sistema quase escravocrata. São personagens inventados, mas em situações enfrentadas na realidade acreana. Já aqueles que existiram de verdade ganharão, na caneta de Glória Perez, vidas para lá de folhetinescas.’


 


***


Autora quer discutir destino da Amazônia


‘Glória Perez diz ter dois principais objetivos com a minissérie que estréia hoje: apresentar o Acre ao Brasil e levantar a discussão a respeito do destino da Amazônia.


Para a autora, o país conhece a região só como ‘floresta’ ou ‘pulmão do mundo’. ‘A vida que pulsa ali, os dramas, os conflitos e as tragédias humanas permanecem invisíveis, como se não existisse gente ali dentro.’


Apesar disso, Perez não respondeu, em entrevista à Folha por e-mail, a perguntas ligadas ao tema: ‘O que acha da atual política do Acre e do governo federal em relação ao Estado?’ e ‘Qual é a sua opinião sobre a acusação de que Lula estaria ‘privatizando’ a Amazônia ao assinar lei que permite a empresas estrangeiras explorarem a floresta por 60 anos?’


Heróis


Os heróis da saga, Galvez, Plácido de Castro e Chico Mendes, serão interpretados, respectivamente, por José Wilker, Alexandre Borges e Cássio Gabus Mendes.


A epopéia começa em 1899, quando o Acre, antes boliviano, é declarado por Galvez um país independente. Retomado pela Bolívia, em 1900, é entregue pelo governo ao Bolivian Syndicate, autorizado a explorar a região por 30 anos. Castro, então, incorpora o Acre ao Brasil em 1903. Dessa revolução, participou o avô de Perez.


Por fim, é retratada a luta em defesa da floresta amazônica e dos direitos dos seringueiros liderada por Chico Mendes, morto em 1988.’


 


Laura Mattos


Procuradora de ‘Páginas’ deixa cargo após seqüestro


‘Após ter o filho seqüestrado, a procuradora da República de ‘Páginas da Vida’ deixará a função para voltar a advogar.


O primeiro caso de Tereza, personagem de Renata Sorrah, será a disputa judicial pela guarda de Clara e Francisco -a principal trama da fase final da novela das oito da Globo. Ela irá defender os interesses da protagonista Helena (Regina Duarte), mãe adotiva de Clara, e de Alex (Marcos Caruso), avô das crianças, que cria Francisco desde o seu nascimento.


Léo (Thiago Rodrigues), o pai dos dois que os havia rejeitado à época da gravidez, agora pleiteia a guarda na Justiça.


Últimos capítulos


‘Páginas’ entra em fase final: faltam menos de 50 capítulos para terminar, em 2 de março.


Segundo o autor, Manoel Carlos, a partir desta semana ‘alguns nós serão desatados’.


Além da mudança profissional de Teresa, o autor prepara uma cena forte do reencontro entre Marta, a vilã interpretada por Lilia Cabral, e Helena.


Manoel Carlos conta que em breve haverá também o primeiro beijo entre Léo e Olívia (Ana Paula Arósio), recém-separada de Silvio (Edson Celulari).


Outra trama paralela que deverá ir bem no Ibope é o triângulo amoroso entre Carmen (Natália do Valle), Greg (José Mayer) e Sandra (Danielle Winits). Carmen descobre que o marido a está traindo. Em seguida, que a amante é a filha da empregada da casa dos pais.


Terá início também nos próximos capítulos o romance entre Jorge (Thiago Lacerda) e Thelma, papel da ex-’Big Brother’ Grazielli Massafera.


Por fim, o novelista conta que o fotógrafo Renato (Caco Ciocler) irá se separar da mulher, Lívia (Ana Furtado), que está grávida do segundo filho do casal. Assim, estará livre para se relacionar com a fotógrafa Isabel (Vivianne Pasmanter).


Em março, ‘Páginas da Vida’ será substituída por ‘Paraíso Tropical’, de Gilberto Braga.’


 


QUADRINHOS
Pedro Cirne


HQ resgata ‘Sobrinhos do Capitão’


‘São duas crianças, mas estão longe de ser meigas e fofinhas.


Afinal, elas apenas pensam em se divertir, mesmo que isso signifique machucar um pouco outras pessoas. Elas são Hans e Fritz e estão no livro ‘Os Sobrinhos do Capitão – Piores, Impossível! – 1936 a 1938’.


Os gêmeos Hans e Fritz são personagens da série em quadrinhos publicada continuamente há mais tempo no mundo: surgiram em dezembro de 1897 no diário americano ‘New York Morning Journal’ e, desde então, há sempre uma história nova aos domingos.


O pai dos personagens foi Rudolph Dirks, alemão radicado nos Estados Unidos. Ao criar Hans e Fritz, Dirks colocou um pouco da sua herança germânica nos ‘Sobrinhos’: além dos nomes, Hans, Fritz e seus coadjuvantes dos quadrinhos falam inglês com sotaque alemão.


Mas a principal característica da série é universal. As crianças não medem esforços para garantir diversão. A mãe, coitada, vive uma luta inglória para tentar fazer com que elas se comportem. E o Capitão é o alvo principal do humor físico dos gêmeos. Depois, o Capitão repreende os garotos, na esperança de fazer com que eles desistam das peraltices. Em vão.


A família (meninos, mãe e Capitão, que não se sabe se é tio, padrasto ou amigo dos meninos) vive na ilha Bongo, um lugar imaginário habitado por macacos, elefantes e girafas.


A criação de ‘Os Sobrinhos’ passou por um problema em 1914, quando o criador trocou o ‘New York Morning Journal’ pelo ‘New York World’. Após uma disputa na Justiça, os personagens passaram a sair em dois jornais ao mesmo tempo.


No ‘NY World’, criados por Dirks, sob o nome de ‘Hans and Fritz’, que depois virou ‘The Captain and the Kids’. Um novo artista, Harold Knerr, assumiu a tira original.


Knerr produziu as histórias de Hans e Fritz de 1914 a 1949, quando morreu. Essa série continua a existir até hoje, enquanto ‘The Captain and the Kids’ acabou em 1979.


O livro que está saindo no Brasil reúne histórias lançadas durante dois anos, de 1936 a 1938. São as mais antigas que a King Features Syndicate, dona dos direitos dos personagens, mantém em bom estado para republicação. Há humor e inocência em suas páginas, além de um clima de história das histórias em quadrinhos.


OS SOBRINHOS DO CAPITÃO – PIORES, IMPOSSÍVEL! Autor: Harold Knerr Editora: Opera Graphica Quanto: R$ 74 (112 págs.)’


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O Estado de S. Paulo


SADDAM EXECUTADO
O Estado de S. Paulo


Em meio a protestos sunitas, governo iraquiano ordena fechamento de TV


‘Reuters e AP – O governo iraquiano ordenou ontem o fechamento de uma popular TV privada, acusando-a de incentivar a violência e o sectarismo, em meio à controvérsia sobre a cobertura da mídia da execução de Saddam Hussein.


A TV Al-Sharqiya é de propriedade do iraquiano Saad al-Bazzaz, que vive em Londres e já foi chefe da rádio e TV do ex-ditador. Diretores da TV dizem que ela tem uma linha editorial independente, mas muitos a consideram pró-sunita, seita dominante no regime de Saddam. A maioria xiita e a minoria sunita travam agora uma luta sectária que já deixou milhares de mortos.


O canal, com sede em Dubai, ainda estava transmitindo ontem e um jornalista da Al-Sharqiya disse que a TV fechou seu escritóro em Bagdá há três meses, por isso seus responsáveis não sabiam da ordem do governo. ‘Fizemos vários alertas ao canal, mas ele insistiu em circular informações falsas e causar violência e ódio’, disse o brigadeiro Abdul-Karim Khalaf, porta-voz do Ministério do Interior.


No domingo, em contraste com a TV estatal – que descreveu Saddam como ‘tirano’ e ‘criminoso’ -, o apresentador da Al-Sharqiya, usando negro em sinal de luto, referiu-se a ele como ‘presidente’ ao noticiar sua execução pela morte de 148 xiitas em 1982. Ontem, a Al-Sarqiya mostrou imagens de um protesto em Amã, Jordânia, contra a execução de Saddam. A filha mais velha de Saddam, Raghad, participou do protesto, em sua primeira aparição pública desde a morte do pai. Ela e a irmã, Rana, vivem em Amã. Também ocorreram protestos em vários redutos sunitas no Iraque, como Samarra, onde uma multidão enfurecida com a execução danificou uma mesquita xiita. O governo começou a investigar como guardas conseguiram filmar o enforcamento de Saddam, tornando sua execução um espetáculo que pode inflamar a fúria sectária. O vídeo, feito com celular, foi colocado na internet e exibido em tevês.


Ainda ontem, um alto funcionário iraquiano revelou que o embaixador dos EUA no Iraque, Zalmay Khalilzad, havia pedido ao primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, que adiasse o enforcamento de Saddam por duas semanas. Segundo o funcionário, os EUA não queriam que ele fosse executado tão rápido, pois temiam o aumento da luta sectária. Mas cederam diante da insistência de Maliki.


MORTES


Em Bagdá, forças americanas mataram seis pessoas no ataque a um suposto esconderijo de membros da Al-Qaeda no Iraque. O Exército dos EUA informou que dois soldados americanos morreram domingo numa explosão em Diyala, aumentando para 3.002 o número de militares do país mortos desde o início da guerra, em março de 2003. Do lado iraquiano, já morreram mais de 52 mil civis e 5 mil militares.’


 


INTERNET
Miguel Helft


Os novos desafiantes do Google


‘Nos novos escritórios com novas salas de jogos ainda vazias e bastante espaço para triplicar o número de funcionários – hoje são quase 30 -, um trio de empresários lidera a mais nova empresa de internet que nasce com uma missão improvável: vencer o Google.


Steve Newcomb, Lorenzo Thione e Barney Pell abriram a Powerset, empresa cujo objetivo é fornecer melhores respostas do que qualquer outro mecanismo de busca, incluindo o Google. E, por mais improvável que pareça, conseguiram angariar adeptos no Vale do Silício. São investidores que gostam de aplicar sua fortuna na identificação da próxima grande jogada.


‘Existe um segmento do mercado que acha que somos loucos’, disse Charles Moldow, sócio da Foundation Capital, empresa de capital de risco que é a principal patrocinadora da Powerset. ‘Em 2000, algumas pessoas acharam que o Google era uma loucura’, justifica.


A Powerset não está absolutamente sozinha. Embora o Google continue à frente de suas principais rivais na área de busca, como Yahoo e Microsoft, um número grande de novos empreendimentos, que envolvem nomes como Hakia, ChaCha e Snap, buscam derrotar o Google usando o seu próprio jogo.


A Wikia Inc, por exemplo, empresa aberta por um dos fundadores da Wikipedia, pretende desenvolver um mecanismo de busca que usará o mesmo modelo da popular enciclopédia online, que envolve uma comunidade de programadores e usuários na sua criação.


Essas ambiciosas aventuras refletem o otimismo renovado que vem tomando conta dos centros de tecnologia como o Vale do Silício e estimulando um início de nova explosão na internet. Mostra também a que ponto a nova economia gerada pela internet se parece a um sistema planetário, onde tudo e todos giram em torno da busca em geral, e em torno do Google em particular.


O Vale do Silício está repleto de novas empresas cuja principal meta, em termos de negócios, é ser adquirida pelo Google, Yahoo ou Microsoft. Muitas outras dependem do Google como seu condutor principal para trafegarem ou do poderoso sistema de propaganda do Google como principal fonte de renda. Basicamente todas as novas empresas concorrem com o Google pelos talentos na área de engenharia, que são escassos. E adivinhar o próximo passo do Google tornou-se uma obsessão para vários blogs de tecnologia e em jogo favorito entre os investidores de tecnologia.


‘Existe uma obsessão excessiva com busca, como se fosse o fim do mundo’, disse Esther Dyson, conhecida investidora no setor de tecnologia e especializada em prognósticos no setor. ‘Google equivale a busca, que equivale a publicidade, que equivale a dinheiro. Tudo isso é combinado como se fosse o último grande modelo de empresa.’


Pode não ser o último grande modelo, mas o Google provou que a busca ligada à propaganda é uma operação ampla e bastante lucrativa, e todos – incluindo Dyson, que investiu uma pequena soma na Powerset – querem ter parte nessa operação.


De acordo com a National Venture Capital Association Group, desde o início de 2004, investidores colocaram quase US$ 350 milhões em pelo menos 79 novas empresas lançadas, que tinham alguma coisa a ver com buscas na internet.


Uma maioria esmagadora não está tentando tirar a liderança do Google, mas se concentrando em áreas especializadas do mundo das buscas, como busca por vídeos, postagem de blogs ou informações médicas. Como a missão declarada do Google é organizar todas as informações que circulam no mundo, essas empresas podem acabar buscando fios de retículos do Google. O que não é necessariamente ruim.


Porém, no ‘boom’ atual existe dinheiro até para aqueles com a meta audaciosa de se tornar um Google melhorado. A Powerset recentemente recebeu um financiamento de US$ 12,5 milhões. O Hakia, que da mesma forma que o Powerset tenta criar um mecanismo de busca com ‘linguagem natural’, conseguiu US$ 16 milhões.


Outros US$ 16 milhões foram para o Snap, que se concentra na apresentação dos resultados de busca de um modo mais atrativo e está fazendo experiências com um novo modelo de publicidade. E o ChaCha, que utiliza pesquisadores pagos que atuam como bibliotecários virtuais para fornecer respostas às dúvidas dos usuários, obteve US$ 6,1 milhões.


Porém, a história recente indica que ganhar musculatura vai ser difícil. Das dezenas de empresas iniciantes abertas nos últimos anos, em novembro nenhuma tinha uma participação acima de 1% no mercado de busca dos Estados Unidos, de acordo com a empresa de pesquisa Nielsen NetRatings.


Acumular uma grande audiência tem sido o desafio para aquelas empresas que já têm antecedentes na área e recursos. É o caso do A9, mecanismo de busca da Amazon.com, que recebeu críticas positivas quando começou em 2004 e era operada por Udi Manber, um especialista em buscas famoso.


Apesar de atividades inovadora e sucessos iniciais, o A9 conquistou só uma pequena fatia do mercado. Manber agora trabalha para o Google, como vice-presidente de engenharia.’


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