Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 25 E 26/11

Veja

29/11/2006 na edição 409

MÍDIA vs. LULA
Diogo Mainardi

A imprensa lubrificada

‘Quando a IstoÉ publicou a entrevista com o chefe dos sanguessugas, sugeri que ela poderia ser recompensada com anúncios da Petrobras. Ninguém deu bola para o assunto. Na ocasião, indiquei o nome dos intermediários: Hamilton Lacerda, assessor de Aloizio Mercadante, e Wilson Santarosa, diretor de marketing da Petrobras. Agora a CPI dos Sanguessugas revelou que os dois trocaram dezenas de telefonemas no período de negociação do dossiê contra os tucanos. A CPI quer saber se o dinheiro para comprar o dossiê saiu da Petrobras. É perda de tempo. O que a CPI deveria investigar é se o dinheiro da Petrobras foi usado para comprar a cumplicidade da IstoÉ.

Na última quarta-feira, encontrei mais um dado comprometedor para a Petrobras. Analisando os telefonemas de Hamilton Lacerda, em poder da CPI, descobri que ele recebeu uma chamada do celular de Dudu Godoy. Dudu Godoy é um dos sócios da Quê, a agência de propaganda que atende a Petrobras e controla a verba publicitária da empresa. O telefonema de Dudu Godoy para Hamilton Lacerda ocorreu em 5 de setembro, às 15h33. Dois dias depois, em pleno feriado de 7 de setembro, Hamilton Lacerda foi à IstoÉ para combinar a entrevista com o chefe dos sanguessugas. Dudu Godoy fez carreira em Campinas, assim como Wilson Santarosa, que presidiu o sindicato dos petroleiros local. Em 1998, ele foi um dos marqueteiros da campanha de Lula à Presidência. A seguir, passou a trabalhar para Marta Suplicy e Zeca do PT. O que é que Dudu Godoy disse a Hamilton Lacerda? Ele propôs um pacote publicitário para a IstoÉ?

Um dos articuladores da entrevista com o chefe dos sanguessugas disse que a IstoÉ foi escolhida para publicá-la porque os petistas ‘estavam em guerra’ com o resto da imprensa. Quem também está em guerra com o resto da imprensa é o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Na semana passada, ele acusou o Globo e a Folha de praticar ‘jornalismo marrom’. Isso porque os jornais ousaram publicar reportagens mostrando o favorecimento da estatal a ONGs e empreiteiras ligadas ao PT. O Globo, em editorial, atacou: ‘Nunca como no governo Lula a Petrobras foi tão usada como aparelho partidário e instrumento de propaganda’.

O fato é que a Petrobras não favorece apenas ONGs e empreiteiras ligadas ao PT. Ela favorece também a imprensa caudatária do governo. De maio a setembro de 2006, segundo o levantamento de Reinaldo Azevedo, a IstoÉ veiculou 58 páginas de anúncios da Petrobras. Neste ano, pelos dados do Ibope Monitor, foram 2,6 milhões de reais investidos pela estatal na IstoÉ. Carta Capital lucrou ainda mais, proporcionalmente à sua tiragem. Foram 789.000 reais. Na TV aconteceu algo semelhante. A Bandeirantes, depois de ceder um canal ao filho de Lula, tornou-se a segunda maior arrecadadora de comerciais da Petrobras, na frente do SBT e da Record, faturando mais de 20% do total destinado pela empresa às emissoras de TV. Detalhe: o diretor de marketing da Petrobras, Wilson Santarosa, é também o presidente do conselho deliberativo da Petros, o fundo de pensão da Petrobras. Um de seus colegas na diretoria da Petros, Jacó Bittar, é o pai dos sócios do filho de Lula.

O petismo está em guerra com a imprensa. Esse negócio vai acabar mal.’



INTERNET
A Amazon brasileira

Chrystiane Silva

‘O fato fundador do comércio eletrônico no mundo divide os especialistas. Para alguns teria sido a venda on-line pela NetMarket de um CD do cantor Sting, em 1994. Para outros a pioneira foi uma loja de equipamentos eletrônicos da Califórnia que conseguiu vender, por meio de um portal improvisado, 100 dólares em acessórios de computador. O mais certo é que o primeiro produto vendido pela web tenha sido uma garrafa de vinho ou um livro. Quando o americano Mark Andreessen lançou sua primeira versão gráfica do Mosaic para internet, as duas primeiras lojas a anunciar seus produtos na página inicial do browser eram uma livraria e uma loja de bebidas – só depois viria a terceira onda, a de lojas de ração para cães e gatos.

No Brasil, o comércio eletrônico chegou tardiamente no fim da década de 90. Não faltaram razões – a renda achatada da classe média e pouca penetração da internet no país. Mas nos últimos dois anos a explosão do crédito e a popularização dos computadores elevaram em 145% as vendas on-line, que devem fechar o ano em 4,3 bilhões de reais. No despertar do comércio virtual, as duas maiores lojas do segmento no Brasil anunciaram a assinatura de um acordo com potencial de criar uma das cinco maiores lojas virtuais do mundo – em vendas e valor de mercado.

A Americanas.com, líder do mercado, pretende unir-se à vice-líder Submarino. A fusão ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Se confirmada, criaria uma nova empresa, a B2W Companhia Global de Varejo, com mais de 50% do comércio eletrônico nacional e faturamento anual de 2 bilhões de reais. A Americanas.com é uma subsidiária das Lojas Americanas, que estão há 77 anos no Brasil. O sucesso do braço on-line do grupo é fruto da sagacidade de seus controladores e do uso da infra-estrutura e da logística da rede tradicional. Já o Submarino é uma empresa quase que exclusivamente virtual, líder em número de pedidos na internet. As duas lojas tiveram como controladores, em momentos diferentes, o mesmo trio de acionistas que arquitetou, em 2004, a fusão entre a fabricante de bebidas AmBev, da qual eram sócios, e a belga Interbrew. São eles Marcel Telles, Carlos Alberto Sicupira e Jorge Paulo Lemann. Como acionistas das Americanas desde 1982, os três participam do bloco de controle. No Submarino, exerceram o mando de 1999 a março de 2006. Não se sabe se a idéia de fusão partiu deles, mas a estratégia faz sentido. Juntas, as duas lojas virtuais terão fôlego para negociar com fornecedores e competir com grandes varejistas. Além disso, prepara as empresas para uma eventual entrada, no Brasil, de gigantes internacionais como a Amazon.com. O mercado justifica tanta competição: o comércio eletrônico representa apenas 2% de todos os produtos e serviços comprados pelos brasileiros; nos Estados Unidos, esse porcentual é de 6%. Mesmo com atraso, a tendência é o Brasil atingir o mesmo patamar.’



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