Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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Veja

14/07/2009 na edição 546

ELEIÇÕES
Raquel Salgado

Não sabem o que falam

‘A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que faz 173 mudanças na Lei Eleitoral. Dessas, 22 tratam do uso da internet nas eleições e podem ser divididas em dois blocos. No primeiro estão as regras liberalizantes. Elas ampliam, por exemplo, o espaço na rede em que é permitido fazer campanha eleitoral, hoje restrita aos sites dos próprios candidatos. Pelo projeto, os políticos podem passar a usar blogs, redes sociais e e-mails. O restante das medidas é autoritário e está em descompasso com a realidade. Elas equiparam sites de veículos de comunicação e portais a emissoras de rádio e TV, como se os primeiros fossem também concessões públicas e, portanto, sujeitos a supervisão estatal. Não são, fique claro. No projeto, há uma regra que diz que sites e portais devem dar o mesmo tratamento a candidatos e partidos, sob pena de ser multados, e outra que chega a ser mais rígida com a internet do que com os veículos impressos. Veda a propaganda paga na rede, hoje permitida em jornais e revistas. Os deputados também querem proibir a veiculação de vídeos e áudios com montagens que ridicularizam candidatos. É uma tolice que cairá no vazio. Muitos dos sites que divulgam esse tipo de material têm sede no exterior e não são regidos pelas leis brasileiras..

Especialista em legislação de internet, o advogado Renato Opice Blum diz que os deputados tentam tolher a liberdade de expressão. ‘Muitos artigos do projeto não fazem sentido, como o que exige que todos os políticos tenham idêntico tempo ou espaço na rede. Ora, como isso é possível num meio que prima pela instantaneidade e por abrigar milhões de opiniões individuais?’, espanta-se Blum. O relator da medida, Flávio Dino (PCdoB-MA), rebate: ‘Não podemos aceitar que a internet seja um território sem regras’. Trata-se de uma opinião dinossáurica, só compartilhada por ditadores chineses, iranianos, cubanos e norte-coreanos, que tentam controlar a rede de computadores. Nas democracias dignas desse nome, a internet é indisciplinada porque sua natureza é indisciplinável. O deputado Dino, tão rígido em relação ao que vai pela rede, mostrou-se flexível em temas mais próximos aos parlamentares. Ele foi favorável a que políticos ‘ficha-suja’, que respondem a processos criminais, possam se candidatar e também oficializou as ‘doações ocultas’, feitas aos partidos para esconder o vínculo do doador com o candidato. Possibilitou ainda que erros em prestação de contas de campanha considerados ‘irrelevantes’ sejam perdoados. Como não especificou o que entende por esse adjetivo, abriu uma estrada para absolver políticos que fraudam contas eleitorais. Espera-se que, no Senado, o projeto aprovado na Câmara sofra alterações e perca as tintas do teatro do absurdo.’

 

INTERNET
Renata Bettia

O Google desafia a Microsoft

‘Nos próximos anos, a maneira como a grande massa das pessoas administra a sua vida digital vai se alterar profundamente. Escritos, fotos e vídeos, bem como os programas necessários para criar esses documentos, vão deixar a memória dos computadores e migrar para a internet – ou para a ‘nuvem’, como hoje preferem os especialistas, referindo-se ao espaço virtual sem fronteiras definidas resultante da interconexão de grandes centros de processamento de dados espalhados pelo mundo. A informação se tornará acessível de qualquer lugar, em vez de ficar trancada num disco rígido. Na era da nuvem – e não há dúvida de que se trata de uma nova era da computação –, aquilo que se espera de um computador pessoal já não é o que até agora se esperava. Com isso, mudam não apenas os aparelhos, como mostra a ascensão dos compactos e baratos netbooks, mas também o tipo de sistema operacional necessário para controlar o funcionamento deles. Na semana passada, o Google se pôs na vanguarda dessa movimentação ao anunciar que lançará, em 2010, o Chrome OS, seu primeiro sistema operacional. Nas palavras da própria empresa, um sistema ‘rápido e leve, que conecta as pessoas à internet em poucos segundos’.

‘O Google escolheu o momento ideal para lançar seu sistema operacional’, afirma Annette Jump, analista da consultoria americana Gartner. ‘A nuvem e os netbooks oferecem a base para que seu produto deslanche.’ Não é segredo, contudo, que o objetivo do Google, mais do que apenas ‘deslanchar’ nesse novo mercado, é abalar a hegemonia que a Microsoft conquistou nos últimos 25 anos com as várias versões do Windows – o sistema operacional presente em 95% dos computadores fabricados na ‘era do PC’.

No último ano e meio, a Microsoft rapidamente fez parcerias com fabricantes emergentes de netbooks como Asus e Acer. O Windows já vem instalado na maior parte dos computadores desse tipo que saem das linhas de montagem. Trata-se, porém, do Windows XP, uma vez que o Windows Vista, a versão atual do programa, é grande e pesado demais para a memória limitada dos netbooks. Em outubro, a empresa de Bill Gates lança o Windows 7, que promete ser mais leve, justamente para rodar nesses aparelhos. Mas o novo sistema operacional mantém o armazenamento de programas dentro da máquina – ou seja, ainda não abraça totalmente a nova realidade da nuvem. O Google conta com esse ‘atraso’ da concorrência e com um segundo fator que deve representar uma importante vantagem competitiva: o Chrome será grátis. Esse é um desafio real para o modelo de negócios da Microsoft, que tira cerca de 30% de todo o seu faturamento das vendas do Windows. Ao longo dos anos, o custo do sistema operacional em relação ao preço final de um computador aumentou exponencialmente. Em 1984, o sistema representava 5% do preço de uma máquina. Hoje, o Windows representa até 40%. Para fazer negócio com os fabricantes de netbooks, a Microsoft teve de dar descontos pesados, da ordem de 70%. A concorrência de um sistema grátis vai exigir mais do que simples promoções.

O hábito, no entanto, conta a favor da Microsoft. ‘As pessoas são conservadoras, preferem ficar com o que já conhecem’, afirma Ethevaldo Siqueira, especialista em tecnologia. Além de fazer parcerias com os fabricantes de computador, para que as máquinas já saiam da loja com o Chrome instalado, o Google terá de convencer as pessoas de que vale a pena adotar a sua novidade. O Linux, software livre no qual o Chrome OS se baseia, jamais conseguiu isso. Embora também seja gratuito, está presente em apenas 1% dos computadores. O Google, contudo, é uma empresa gigantesca, universalmente conhecida e reconhecida pelo espírito de inovação que a fez criar o serviço de busca mais utilizado da internet. A briga vai ser boa.

E tudo começou com o DOS

Foi pela bagatela de 50 000 dólares que o empresário Bill Gates deu o pontapé inicial para o desenvolvimento do Windows, o sistema operacional mais difundido no mundo. A quantia foi desembolsada pela Microsoft no começo da década de 80 para comprar o 86-DOS, um sistema criado pelo engenheiro Tim Paterson. Quase sem modificar o sistema de Paterson (o nome passou a ser MS-DOS), Gates fez uma parceria com a IBM, que projetava seu primeiro ‘microcomputador’, e deu início à sua ascensão como empresário. Com o tempo, contudo, ele também implementou vastas melhorias tecnológicas no MS-DOS. De sistema difícil de usar, tornou-se um programa intuitivo, que permitia a qualquer leigo ter acesso a um computador – o Windows. Até recentemente, códigos de programação do DOS faziam parte dos sistemas operacionais desenvolvidos pela Microsoft. Só com o Windows Vista, lançado em 2007, a empresa afirma tê-los abandonado completamente. Até para gênios como Gates, a máxima de que nada se cria, tudo se copia às vezes é verdadeira.’

 

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