Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 16 E 17/1

Veja

19/01/2010 na edição 573

TELEVISÃO
Bruno Meier

Big Brother no computador

‘Encerrado o episódio de estreia da décima temporada de Big Brother Brasil, na última terça-feira, o diretor do programa, Boninho, correu para o computador. Queria monitorar o que os espectadores comentavam no Twitter – o serviço de microblog no qual, aliás, Boninho é muito popular, com mais de 120 000 seguidores. Naquela altura, os competidores do reality show passavam por uma prova de resistência para disputar a imunidade à eliminação: tinham de se equilibrar sobre cilindros rolantes enquanto se esguichava água sobre eles. A disputa se estendeu pela madrugada – e os twitteiros ajudaram a incrementar sua dificuldade. Um deles pediu que aumentassem a velocidade de rotação dos cilindros, e lá foi Boninho ligar para a produção para satisfazer o pedido. Outro sugeriu mais água, e também foi atendido. O mais sádico deles sugeriu que a prova fosse embalada com um funk carioca tocado a todo o volume. ‘Infernizei o pessoal até as 4 e meia da manhã’, diz Boninho. Esse é o BBB da internet. Os competidores poderão postar mensagens no Twitter. E cinco deles, mesmo antes do programa, já haviam conquistado uma certa celebridade na rede (leia o quadro abaixo). Para a Globo, não se trata de um investimento isolado na internet. Entre os executivos da emissora, corre um debate sobre como fazer da rede um complemento, e não um competidor, da televisão aberta.

Nas primeiras edições do BBB, cerca de 70% dos vídeos de inscrição chegavam pelo correio, e só 30% pela internet. A proporção inverteu-se drasticamente: dos 400 000 inscritos no programa neste ano, só 15 000 (menos de 4%) mandaram vídeos pelo correio – os outros 385 000 usaram a internet. Dois participantes, Sérgio Franceschini (conhecido no YouTube como Sr. Orgastic) e Tessália Serighelli (a Twittess), foram indicados a Boninho através do Twitter. E não é só nos reality shows que as redes sociais se revelam úteis para escalar participantes – alguns autores e diretores já recorreram ao YouTube para escalar atores. Chegaram à emissora dessa maneira a atriz Cris Nicolotti (a cartomante Regina de Viver a Vida), o menino Maicom Coelho, de 12 anos, que protagonizou o especial de fim de ano Dó-Ré-Mi-Fábrica, e a filha do diretor João Falcão, Clarice Falcão, escalada para um papel em A Favorita (embora pudesse se valer da indicação do papai, Clarice se cacifou com o sucesso na internet do curta Laços, protagonizado por ela).

Muitas atrações da Globo – especialmente as jornalísticas – convidam os espectadores a se dirigir ao computador depois de encerrado o programa, em geral para acompanhar algum chat. Há dirigentes da emissora que consideram isso um equívoco: trata-se, afinal, de um convite para desligar a televisão. ‘A internet deve contribuir para trazer o usuário de volta para a nave-mãe, que é a TV aberta’, diz Luis Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação. Segundo essa visão, a estratégia correta seria capturar o espectador nos momentos em que ele navega pela rede, a qualquer hora do dia. Na ponta dessa linha está Malhação, a novela jovem da emissora, que conta até com episódios curtos feitos só para o site. A internet também é um bom canal para ampliar o boca a boca sem o qual nenhum programa alcança o sucesso. Redes sociais como o Twitter são o canal apropriado para isso. Luciano Huck, de longe o maior twitteiro da emissora – e do país: sua página é seguida por 1,6 milhão de pessoas –, busca histórias para seu Caldeirão nos depoimentos breves deixados por usuários da rede. ‘O Twitter está se firmando como uma central coletiva e democrática de informações, debates e tendências’, teoriza ele. A Globo já editou até um código de conduta na internet para seus profissionais. Deseja-se evitar que informações dos bastidores transpirem para a rede.

Televisão e internet ainda são dois universos incomparáveis – a escala de uma emissora como a Globo segue inigualável. Os 30 pontos de audiência na estreia do BBB representam mais de 30 milhões de espectadores. O vídeo da dançarina Eliane (ou Lia Khey) no YouTube teve 2,5 milhões de visualizações desde que foi postado, em dezembro de 2006. A internet, por enquanto, produz microcelebridades – caso do Sr. Orgastic, que conquistou o nicho emo com vídeos bizarros pontuados de bordões gays como ‘arrasa’. ‘ O meu fotolog é um dos mais acessados do Brasil’, gabava-se ele no primeiro dia de confinamento. E no entanto ele deixou o tal fotolog para lá, na perspectiva de passar três meses na casa (se não for eliminado antes, bem entendido). Para os exibicionistas, a televisão ainda é a conquista da maioridade.’

 

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