Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 15 E 16/04

Veja

18/04/2006 na edição 377


‘OBSERVATÓRIO’ DO MAINARDI
Diogo Mainardi


Jornalistas são brasileiros


‘Franklin Martins é o principal comentarista político da Rede Globo. Um de
seus irmãos, Victor Martins, foi nomeado para uma diretoria da Agência Nacional
do Petróleo. Os senadores que aprovaram seu nome levaram em conta o parentesco
ilustre. Luiz Otávio, do PMDB, comentou: ‘Os 42 votos favoráveis a Victor
Martins são uma homenagem nossa ao jornalista Franklin Martins’. Heráclito
Fortes, do PFL, concordou: ‘Ele acrescenta à sua biografia o fato de ser irmão
de um grande jornalista’. Aloízio Mercadante, do PT, arrematou: ‘Victor Martins
é um profissional competente e vem de uma família marcada pelo processo de
resistência democrática’. Lula entregou a Agência Nacional do Petróleo ao PCdoB.
Victor Martins não obteve o cargo através do partido. Ele foi indicado
diretamente na cota de seu irmão, Franklin Martins. Ivanisa Teitelroit, mulher
de Franklin Martins, também já mereceu sua parcela de cargos públicos. Deve ser
a isso que Aloízio Mercadante se refere quando fala em ‘resistência
democrática’.


Nas últimas semanas, a imprensa tem se dedicado a analisar a frouxidão moral
dos brasileiros. Está certo. Os brasileiros são moralmente frouxos mesmo. Isso
ninguém discute. Mas a imprensa certamente não é muito melhor. Franklin Martins
não representa o único caso de promiscuidade entre jornalistas e poder político.
Pelo contrário. Há exemplos semelhantes em todas as partes. Recentemente, Helena
Chagas, chefe da sucursal de O Globo em Brasília, foi flagrada tramando com
Antonio Palocci um esquema para desmascarar o caseiro Francenildo Costa. O
marido de Helena Chagas, Bernardo Felipe Estellita, é servidor concursado da
Câmara dos Deputados e intimamente ligado ao PT. Nos dias que antecederam a
quebra do sigilo do caseiro, ele foi visto circulando pelo Ministério da
Fazenda. Por outro lado, a irmã de Helena Chagas, Cláudia Chagas, foi indicada
por Márcio Thomaz Bastos para o cargo de secretária Nacional de Justiça. Uma de
suas responsabilidades é rastrear o dinheiro do valerioduto remetido ilegalmente
para o exterior. Inclusive o que abasteceu a campanha de Lula.


Não é só no PT que isso acontece. Eliane Cantanhêde, chefe da sucursal de
Brasília da Folha de S.Paulo, é mulher de Gilnei Rampazzo, um dos donos da GW, a
produtora que cuidou das últimas campanhas eleitorais de Geraldo Alckmin e de
José Serra. Gilnei Rampazzo é sócio de Luiz Gonzales, o marqueteiro escolhido
pelo PSDB para coordenar a campanha presidencial de Geraldo Alckmin. Ele foi
acusado pela Folha de S.Paulo de participar de um esquema de desvio de recursos
da Nossa Caixa. Deve estar a maior confusão na casa de Eliane Cantanhêde. Lula
Costa Pinto é outro jornalista confuso. Ex-jornalista. Ele é genro do
ex-deputado Paes de Andrade e concunhado de Eunício Oliveira, ex-ministro das
Comunicações. Lula Costa Pinto também se beneficiou de desvio de dinheiro
público quando era assessor do deputado petista João Paulo Cunha.


Os brasileiros são moralmente frouxos. Os jornalistas são
brasileiros.’




******************


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‘OBSERVATÓRIO’ DO MAINARDI
Diogo Mainardi


Jornalistas são brasileiros


‘Franklin Martins é o principal comentarista político da Rede Globo. Um de
seus irmãos, Victor Martins, foi nomeado para uma diretoria da Agência Nacional
do Petróleo. Os senadores que aprovaram seu nome levaram em conta o parentesco
ilustre. Luiz Otávio, do PMDB, comentou: ‘Os 42 votos favoráveis a Victor
Martins são uma homenagem nossa ao jornalista Franklin Martins’. Heráclito
Fortes, do PFL, concordou: ‘Ele acrescenta à sua biografia o fato de ser irmão
de um grande jornalista’. Aloízio Mercadante, do PT, arrematou: ‘Victor Martins
é um profissional competente e vem de uma família marcada pelo processo de
resistência democrática’. Lula entregou a Agência Nacional do Petróleo ao PCdoB.
Victor Martins não obteve o cargo através do partido. Ele foi indicado
diretamente na cota de seu irmão, Franklin Martins. Ivanisa Teitelroit, mulher
de Franklin Martins, também já mereceu sua parcela de cargos públicos. Deve ser
a isso que Aloízio Mercadante se refere quando fala em ‘resistência
democrática’.


Nas últimas semanas, a imprensa tem se dedicado a analisar a frouxidão moral
dos brasileiros. Está certo. Os brasileiros são moralmente frouxos mesmo. Isso
ninguém discute. Mas a imprensa certamente não é muito melhor. Franklin Martins
não representa o único caso de promiscuidade entre jornalistas e poder político.
Pelo contrário. Há exemplos semelhantes em todas as partes. Recentemente, Helena
Chagas, chefe da sucursal de O Globo em Brasília, foi flagrada tramando com
Antonio Palocci um esquema para desmascarar o caseiro Francenildo Costa. O
marido de Helena Chagas, Bernardo Felipe Estellita, é servidor concursado da
Câmara dos Deputados e intimamente ligado ao PT. Nos dias que antecederam a
quebra do sigilo do caseiro, ele foi visto circulando pelo Ministério da
Fazenda. Por outro lado, a irmã de Helena Chagas, Cláudia Chagas, foi indicada
por Márcio Thomaz Bastos para o cargo de secretária Nacional de Justiça. Uma de
suas responsabilidades é rastrear o dinheiro do valerioduto remetido ilegalmente
para o exterior. Inclusive o que abasteceu a campanha de Lula.


Não é só no PT que isso acontece. Eliane Cantanhêde, chefe da sucursal de
Brasília da Folha de S.Paulo, é mulher de Gilnei Rampazzo, um dos donos da GW, a
produtora que cuidou das últimas campanhas eleitorais de Geraldo Alckmin e de
José Serra. Gilnei Rampazzo é sócio de Luiz Gonzales, o marqueteiro escolhido
pelo PSDB para coordenar a campanha presidencial de Geraldo Alckmin. Ele foi
acusado pela Folha de S.Paulo de participar de um esquema de desvio de recursos
da Nossa Caixa. Deve estar a maior confusão na casa de Eliane Cantanhêde. Lula
Costa Pinto é outro jornalista confuso. Ex-jornalista. Ele é genro do
ex-deputado Paes de Andrade e concunhado de Eunício Oliveira, ex-ministro das
Comunicações. Lula Costa Pinto também se beneficiou de desvio de dinheiro
público quando era assessor do deputado petista João Paulo Cunha.


Os brasileiros são moralmente frouxos. Os jornalistas são
brasileiros.’




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