Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 26 E 27/7

Veja

29/07/2008 na edição 496

MÍDIA & PUBLICIDADE
Reinaldo Azevedo

A bolacha na telinha e a nossa liberdade, 30/07

‘‘Por meio da censura prévia – de que foi obrigado a recuar – e da limitação à publicidade de vários produtos, pretende-se atingir o caixa das empresas de comunicação, que fazem do que faturam no mercado a fonte de sua independência editorial’

Dizem que sou arrogante, que nunca assumo um erro. A segunda parte, ao menos, é falsa. Errei na única vez em que apoiei, ainda que parcialmente, uma proposta do petismo. Fui enganado pelo ministro da Saúde, o peemedebista José Gomes Temporão. Como sabem, o governo limitou o horário da propaganda de cerveja na TV – Temporão invocava com a ‘Zeca-Feira’. Segundo ele, a publicidade glamouriza o consumo do produto. No programa Roda Viva, eu lhe disse que era favorável à limitação de horário, mas contrário a que o governo se metesse no conteúdo publicitário. Seria censura. É claro que a limitação acarretaria uma diminuição de receita das emissoras de TV. ‘Fazer o quê?’, pensei. ‘Aconteceu isso quando se proibiu a propaganda de cigarro; que procurem novos nichos, novos produtos, novas fontes.’ Eu, o liberal tolo diante de um governo petista. Como numa canção antiga, proclamo: ‘Errei, sim!’. E digo por quê.

Nova pretensão anunciada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deixa evidente que a limitação da propaganda de cerveja tem mais a ver com a saúde do governo Lula do que com a saúde dos brasileiros. Percebi que ela era parte de uma estratégia para asfixiar as emissoras que dependem do mercado para viver – e não da bufunfa de estatais, do governo ou de seitas religiosas. Fui um idiota. Penitencio-me.

A Anvisa, órgão subordinado ao Ministério da Saúde, agora quer limitar ao período das 21 às 6 horas a propaganda de alimentos considerados pouco saudáveis, ‘com taxas elevadas de açúcar, gorduras trans e saturada e sódio’, e de ‘bebidas com baixo teor nutricional’ (refrigerantes, refrescos, chás). Mesmo no horário permitido, a propaganda não poderia conter personagens infantis nem desenhos. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), isso representaria um corte de 40% na publicidade do setor, estimada em 2 bilhões de reais em 2005. Dos 802 milhões de reais que deixariam de ser investidos, algo como 240 milhões seriam destinados à TV – e a maior parte disso, suponho, para a Rede Globo.

Virei caixa dos Marinho? Não! Virei guardião da minha liberdade. É evidente que se tenta usar a via da saúde para atingir o nirvana da doença totalitária. Querem criar dificuldades para as emissoras – e, a rigor, nos termos dados, para todas as empresas que vivem de anúncios – para vender facilidades. O ministro Temporão, que ainda não conseguiu fazer funcionar os hospitais (sei que a tarefa é difícil; daí que ele deva se ocupar do principal), candidata-se a ser o grande chefe da censura no Brasil. Na aparência, ele quer nos impor a ditadura da saúde; na essência, torna-se esbirro de um projeto para enfraquecer as empresas privadas de comunicação que se financiam no mercado – no caso, não o mercado do divino ou o mercado sem-mercado das estatais.

Imagine você, leitor, que aquele biscoito recheado – em São Paulo, a gente chama de ‘bolacha’ -, que sempre nos leva a dúvidas existenciais profundas (‘Como as duas de uma vez? Separo para comer primeiro o recheio? Como o recheio junto com um dos lados?’), seria elevado à categoria de um perigoso veneno para as nossas crianças. Temporão quer protegê-las desse perigoso elemento patogênico. Mesmo no horário permitido, a propaganda teria de ser uma coisa séria, de bom gosto. Sem apelo infantil. O Ministério da Saúde, quando faz propaganda de camisinha, sempre recorre a situações que simulam sexo irresponsável. Mas não quer saber de desenho animado em propaganda de guaraná. A criatividade dos publicitários, coitados, teria de se voltar para comida de cachorro. Imagine o seu filho, ensandecido, querendo comer a sua porção diária de Frolic, estimulado pela imaginação perversa de desalmados diretores de criação.

A proposta não resiste a trinta segundos de lógica. É evidente que biscoito não faz mal. Em quantidades moderadas, não havendo incompatibilidade do organismo com os ingredientes, faz bem. Se o moleque ou a menina comerem um pacote por dia, tenderão a engordar. Deve haver um limite saudável até para o consumo de chuchu. Carro também mata – acidentes de automóvel são uma das principais causas de morte no Brasil. A culpa, quase sempre, é da imprudência do motorista ou das péssimas condições das estradas. É preciso usar/consumir adequadamente a mercadoria.

Uma pergunta: água entra ou não na categoria das ‘bebidas com baixo teor nutricional’? O ridículo desse pessoal é tamanho a ponto de propor limites à propaganda de água? E de lingüiça, pode? A gordura animal em excesso também faz mal à saúde. Quem garante que o sujeito não vai consumir o produto todos os dias, até que as suas artérias se entupam? Não ande de moto. Há o risco de cair. Numa bicicleta, você pode ser atropelado. E desodorizador de ambiente do moleque que quer fazer ‘cocô na ca-sa do Pe-dri-nho’? Pode ou não? Não fere a camada de ozônio?

Observem: ainda que isso tudo fosse a sério, com o propósito de cuidar da saúde dos brasileiros, já seria um troço detestável. Sabiam que os nazistas foram os primeiros, como direi?, ecologistas do mundo? É verdade: não a ecologia como uma preocupação vaga com a natureza, mas como uma política pública mesmo. Hitler, que era vegetariano, gostava mais de paisagem do que de gente, o que fica claro na ‘arte’ alemã do período, com suas evocações da Floresta Negra. Eles também tinham uma preocupação obsessiva com a saúde, com os corpos olímpicos. O tirano odiava que fumassem na sua presença, privilégio concedido a poucos. A exemplo do czar naturalista de Carlos Drummond de Andrade, Hitler caçava homens e achava uma barbaridade que se pudessem caçar borboletas e andorinhas.

A preocupação excessiva do governo nessa área, entendo, é também patológica, mas a patologia é outra. Por meio da censura prévia – de que foi obrigado a recuar – e da limitação à publicidade de vários produtos, pretende-se atingir o caixa das empresas de comunicação, que fazem do que faturam no mercado a fonte de sua independência editorial. Ora, é claro que, sem a publicidade da cerveja, dos alimentos e do que mais vier por aí, elas ficam, especialmente as TVs, mais dependentes da verba estatal e do governo. E, no caso, é mais prejudicado quem se financia mais no mercado.

A equação é simples: vocês acham que a porcentagem da grana de estatais no faturamento total é maior na Globo ou em qualquer uma das concorrentes? Numa Carta Capital ou numa VEJA? Os petistas não se conformam que o capitalismo possa financiar a liberdade e a independência editoriais. Querem tornar essas grandes empresas estado-dependentes. Quanto mais se reduz o mercado anunciante – diminuindo, pois, a diversidade de fontes de financiamento -, mais se estreita a liberdade.

Temporão, tenha sido ou não chamado à questão com esse propósito, tornou-se o braço operativo dessa pressão. Curioso esse ministro tão cheio de querer impor restrições do estado à vida e às opções das pessoas. É aquele mesmo que já deixou claro ser favorável à descriminação do aborto até a 14ª semana porque, parece, até esse limite o feto não sente dor, já que as terminações nervosas ainda nem começaram a se formar. É um ministro, digamos, laxista em matéria de vida humana, mas muito severo com biscoitos. O que faço? Recomendo a ele que tenha com as crianças que estão no ventre o mesmo cuidado que pretende ter com as que querem comer Doritos?

Eis aí o caminho do nosso bolivarianismo light. A terra está amassada pelo discurso hipócrita da saúde. Farei agora uma antítese um tanto dramática, cafona até, mas verdadeira: essa gente finge cuidar do nosso corpo porque quer a nossa alma.’

 

 

REFORMA GRÁFICA
Carta ao Leitor

Veja de cara nova, 30/07

‘A revista que você tem em mãos marca a estréia do novo projeto gráfico de VEJA. O objetivo das mudanças foi tornar ainda mais agradável e produtiva a experiência de ler as reportagens. Para nós da redação que passamos meses no trabalho de fazer e refazer páginas de teste de acordo com a nova concepção visual, este número de VEJA se apresenta mais organizado, elegante e atraente. Novas seções foram criadas. As de abertura foram repensadas e agrupadas sob um único pórtico, batizado de Panorama. O desenho das páginas obedeceu com fidelidade à missão de ajudar a dar foco perfeito ao assunto tratado. A mais sutil das mexidas, mas que terá um efeito marcante, foi a adoção de uma tipologia especialmente desenvolvida para VEJA. Ela se baseia na lendária família de tipos conhecida como Times Roman, criada em 1931 por encomenda do jornal londrino The Times. Não é o caso aqui de entrar em detalhes técnicos, mas os novos tipos dão a impressão de que as letras são maiores e mais espaçadas, favorecendo sobremaneira a leitura – sem que as reportagens tenham de ser encurtadas. É natural e esperado que você, ao deparar com a revista redesenhada, demore um pouco para se acostumar com sua nova cara. Mas temos certeza de que, passado o momento inicial de estranheza, as qualidades da mudança visual se tornarão evidentes.

O responsável pelo novo projeto é Carlos Neri, diretor de arte de VEJA. Neri tem 50 anos, 32 de profissão, nove deles na revista, durante os quais se destacou pela sensibilidade jornalística, pelo perfeccionismo e pelo domínio absoluto das mais avançadas tecnologias digitais relacionadas à diagramação e à imagem. Essas características deram a Neri condições ideais para liderar as mudanças gráficas na revista, que exigiram significativos investimentos em tecnologia e o treinamento da equipe em novos computadores e programas. Diz Carlos Neri: ‘Busquei valorizar cada elemento das páginas, de modo que seus significados possam ser percebidos isoladamente e no conjunto aumentar a capacidade de informação da revista’.’

 

 

TELEVISÃO
Marcelo Marthe

Gracinhas de mulherões, 30/07

‘Nas sondagens que a Globo fez sobre Ciranda de Pedra e Beleza Pura, seus folhetins do horário das 6 e das 7, donas-de-casa de todas as idades e classes sociais foram unânimes em expressar simpatia por um tipo comum nas duas tramas – o da jovem espevitada em busca de realizar um sonho. São assim Elzinha, interpretada pela atriz Leandra Leal em Ciranda de Pedra, e Rakelli, papel de Isis Valverde em Beleza Pura. A primeira é uma loira com ar de pin-up que vende perfumes na São Paulo dos anos 50 e só pensa em se casar com um homem rico. Rakelli é uma morena brejeira que trabalha como manicure e anseia tornar-se dançarina no programa de Luciano Huck (frise-se que não são apenas as donas-de-casa que gostam da personagem: há muito marmanjo vidrado na moça). Ambas se tornaram peças-chave para atrair a audiência em folhetins que não são aquele estouro no ibope (Ciranda de Pedra tem 22 pontos de média na Grande São Paulo e Beleza Pura, 28). Enquanto as heroínas das novelas se arrastam com seus dramas, essas personagens dão aos espectadores a reviravolta nossa de cada dia. Além do apelo humorístico, transmitem uma imagem positiva: nunca se dão por vencidas na batalha por aquilo que querem.

O motor das piadas é o fato de que ambas falam pelos cotovelos e transbordam confusão mental. Ao se jogar para cima de um gringo, Elzinha apela ao ‘portinglês’: ‘How much do you… ganha?’. Rakelli não domina sequer a língua pátria. Décimo segundo vira ‘dôzimo’ e avestruz é ‘avescruz’. A cada susto, solta ainda seu ‘choro de sirene’ – uma gritaria largamente copiada (oh, dor!) pelas crianças. Elzinha adora fazer futricas, mas o público a perdoa pela obstinação em vencer na vida e pela dedicação à filha (que ela esconde de todos por ser mãe solteira). Tonta a ponto de desmaiar diante do ídolo Huck, Rakelli é bem-vista pela pureza de seu romance com o pedreiro Robson (o ator Marcelo Faria – de quem Isis, aliás, virou namorada). Mais que tudo, o segredo de ambas é carregar seus defeitos com leveza. Rakelli é o melhor exemplo. ‘Eu a concebi como uma criatura totalmente infantilizada’, diz a autora Andrea Maltarolli. A beleza e a graça de Isis fazem com que esse jeito débil não seja insuportável.

As intérpretes de Elzinha e Rakelli têm trajetórias muito diferentes. A carioca Leandra, de 25 anos, é praticamente uma veterana nas novelas. Dezoito anos atrás, já fazia a filha de Juma Marruá em Pantanal (1990). Casada com Lirinha, vocalista do grupo de maracatu metafísico-universitário Cordel do Fogo Encantado, ela se amarra num papo difícil – e personagens idem. Está em cartaz nos cinemas como uma jovem baladeira e desgovernada. ‘Elzinha é solar, Camila é da noite’, diz Leandra.

Isis começou bem mais tarde. Natural de Aiuruoca, cidade mineira de 6.000 habitantes, ela conquistou seu primeiro papel numa novela aos 19 anos, em Sinhá Moça (2006), depois de tentar a sorte como modelo e de estudar teatro por três meses. Fez apenas mais uma ponta em Paraíso Tropical, de 2007, antes de ganhar fama como Rakelli. Isis ainda não é uma atriz-cabeça – mas está a caminho. ‘Eu construí a Rakelli como uma transgressora. Tipo assim: ela é meio fora do eixo porque é alguém que fica entre o psicótico e o neurótico’, explica a atriz, que fez sessões de psicologia em busca da ‘essência’ da personagem. Recentemente, declarou que, se pudesse levar só uma pessoa para uma ilha, escolheria Shakespeare. ‘Seria o máximo morrer ouvindo-o contar aquelas histórias’, diz Rakelli. Ou será Isis? Quanto ao poeta inglês, se fosse como os garotos de hoje em dia, tampouco hesitaria em passar uma temporada numa ilha deserta com a bela starlet – em sua versão criadora ou criatura.’

 

 

MEMÓRIA / DERCY GONÇALVES
Roberto Pompeu de Toledo

Dercy Gonçalves, a trágica. 30/07

‘Com a morte de Dercy Gonçalves, aos 101 anos (ou 103, segundo certas versões), é mais um elo com a era Vargas que se rompe. Não é o último. Permanecem, para o bem ou para o mal, a Petrobras, a CLT e a vedete Virgínia Lane, esquecida, aos 88 anos, mas viva e presente ao enterro da amiga Dercy. Dercy Gonçalves fez-se no teatro de revista e na chanchada, dois produtos típicos do período. Ela vinha de um Brasil em preto-e-branco, de terno de tropical inglês, cassinos, rainha do rádio, lista das dez mais elegantes, bondes, manifestos de militares, óleo de fígado de bacalhau, Domingos da Guia, ‘o Divino’, e Leônidas, ‘o Diamante Negro’. Era um Brasil rural, muito mais pobre, e infantil.

Infantil seria a palavra? ‘Ingênuo’ provocaria menos contestação. Acreditava-se na solidez das famílias, obedecia-se aos preceitos da Igreja Católica e imaginava-se que o Brasil era o país do futuro. Não se percebiam, ou se percebiam menos, as injustiças, e a pobreza conhecia o seu lugar, no campo, invisível para os habitantes das cidades, que por isso mesmo se apresentavam arrumadinhas, sem as periferias desarticuladoras nem a violência. Nesse ambiente, Dercy Gonçalves foi escalada para fazer o papel do contra, mas era apenas um papel, e pouco convincente. Era o escape permitido. Como ao palhaço no circo, a ela se deixava que não cumprisse as regras para que os outros pudessem rir.

Não era só o Brasil, o mundo era ingênuo. Os Estados Unidos tinham um presidente, Franklin Roosevelt, condenado à cadeira de rodas por causa da paralisia infantil, mas o público ficou muito tempo sem saber disso; o Roosevelt oficial escondia as pernas. Em Hollywood os beijos eram de boca fechada. Mas ingênuo talvez também não seja a palavra. Os horrores da II Guerra Mundial comiam soltos. No que aquele mundo era bom era em esconder seus podres. A corrupção não deixava de ocorrer no Brasil, mas, como as pernas de Roosevelt, não chegava aos jornais. Em numerosos casos, praticava-se a corrupção sem saber. Aceitava-se (que mal pode haver nisso?) o presente do empresário bonzinho.

Ao Brasil a palavra ‘infantil’ talvez não caiba, mas a Dercy Gonçalves cabe. Ela era infantilizada e infantilizadora. O palavrão era a sua arma. Que graça pode haver num palavrão? A mesma de um tombo do palhaço: em princípio, exceto em ocasiões muito inesperadas, nenhuma. Mas as crianças acham engraçado. Igualmente, o palavrão, exceto em ocasiões precisas, não tem graça. Não tem graça em briga de trânsito nem na voz dos técnicos de futebol, filtrada pelos microfones mantidos dentro do campo. Entre Dercy e sua platéia, no entanto, o grande intermediário, a solda, o agente infalível do riso, era o palavrão. ‘O palavrão… quando virá o palavrão?’, perguntava-se a platéia, ansiosa, quando ele tardava. Dercy Gonçalves sem falar p.q.p. ou f. da p. seria o mesmo que Carmen Miranda sem o turbante e os balangandãs. Dercy não fraudava a expectativa. Se o palhaço não pode deixar de tropeçar, ela não podia deixar de soltar o palavrão. A platéia, tão infantilizada quanto a artista, esbaldava-se.

Será que Dercy gostava, lá no fundo, de falar palavrões? Suspeita-se que ela era um pouco vítima do tipo que lhe coube encarnar. É um caso parecido com o de Grande Otelo, outro personagem da era Vargas. Os vários papéis que Grande Otelo representou podem ser resumidos a um: o do negro da caricatura. Uma de suas especialidades era revirar os lábios, nesse caso chamados de ‘beiços’. Consta que era um ator de recursos, mas, assim como, depois dele, Chocolate e o Mussum dos Trapalhões, ficou prisioneiro da caricatura do negro tosco. Dercy Gonçalves ficou prisioneira da mulher, depois da velha, desbocada. Era seu ganha-pão.

No Carnaval de 1991, Dercy, aos 83 anos, desfilou pela escola de samba Viradouro com os seios de fora. Faziam-lhe uma homenagem, mas não bastava sua presença. Era preciso fazer o tipo. Como não lhe deram um microfone para dizer palavrões, ofereceu o corpo. Na opinião predominante, foi um gesto bonito e libertário, mas também era possível enxergar ali um momento semelhante ao encenado por Garrincha na mesma avenida, anos antes – um Garrincha inchado e zumbi, exibido como bicho de circo. Identificada à comédia, Dercy também podia ser entendida como personagem de tragédia.’

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O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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