Quarta-feira, 22 de Abril de 2015
ISSN 1519-7670 - Ano 18 - nº 847

FEITOS & DESFEITAS > PRECONCEITO

O tubarão de dentes afiados também tem lágrimas

Por Gabriel Leão em 15/05/2012 na edição 694

“E o tubarão tem lágrimas e elas escorrem em sua face; Mas o tubarão vive na água. Então, as lágrimas não são vistas.” Este é o refrão da canção Haifisch (Tubarão), do conjunto de metal industrial alemão Rammstein. O animal muitas vezes é associado com pessoas de caráter virulento, dominatório e inescrupuloso, mas estas, assim como o predador, pouco são vistas por suas outras facetas.

A mídia coloca alguns poderosos como “tubarões”, pessoas que são “culpadas até que se prove o contrário”. O empresário Oscar Maroni é um deles, uma espécie de Lex Luthor paulistano para o qual supostos “homens de bem” podem apontar e dizer que ali reside o mal. Sua casa noturna de entretenimento adulto, Bahamas, foi lacrada por autoridades como se fosse a única de São Paulo.

Em 2007, Maroni foi envolvido no processo do acidente do Voo Tam 3054. Havia construído um hotel de 11 andares na região de Congonhas ao lado de sua boate. O prefeito Gilberto Kassab cassou o alvará do edifício. Conforme sentença disponibilizada no Diário Oficial digital do Estado de São Paulo, em 25 de novembro de 2011 Maroni foi condenado pela 5ª Vara Criminal de São Paulo, capital, a 11 anos e oito meses de reclusão pelos crimes de favorecimento à prostituição e manutenção de local destinado a encontros libidinosos. Referida decisão foi recorrida ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O empresário responde em liberdade.

As câmeras não mostram

Para Maroni, antes da possível reclusão e da condenação na Justiça, já imputaram a fama de cafetão e gangstêr. A Sociedade do Espetáculo preconizada pelo intelectual francês Guy Debord em muito é regida por maniqueísmos e Maroni lhe é útil para certos interesses. O sacrifício de uma figura pública sacia a fome dos populares pelo banimento e danação de seus demônios e muitas vezes pecados suprimidos. O empresário da noite se vê ator em um jogo político dos mais violentos. Como é falastrão, acaba sendo usado pela mídia. Por outro lado, traz o assunto sobre a legalização da prostituição a debate, como abordado na TV Folha (22 de abril de 2012).

Maquiavel já ensinava o príncipe a ser prudente com seus vícios e, caso conseguisse extirpá-los de sua personalidade, seria melhor, mas se não pudesse se abster daqueles que não o tirariam do poder, que ao menos colocassem um véu sobre eles.

Poucas matérias abordam Maroni por um viés humano, formado em psicologia e com capacidade para erguer um empreendimento não é o tipo comum, então se mostra o personagem. As câmeras não mostram as lágrimas que escorrem dos olhos nos escuros oceanos e nas casas da boemia paulistana.

***

[Gabriel Leão é jornalista e mestre em Comunicação]

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O tubarão de dentes afiados também tem lágrimas

Por Gabriel Leão em 15/05/2012 na edição 694

“E o tubarão tem lágrimas e elas escorrem em sua face; Mas o tubarão vive na água. Então, as lágrimas não são vistas.” Este é o refrão da canção Haifisch (Tubarão), do conjunto de metal industrial alemão Rammstein. O animal muitas vezes é associado com pessoas de caráter virulento, dominatório e inescrupuloso, mas estas, assim como o predador, pouco são vistas por suas outras facetas.

A mídia coloca alguns poderosos como “tubarões”, pessoas que são “culpadas até que se prove o contrário”. O empresário Oscar Maroni é um deles, uma espécie de Lex Luthor paulistano para o qual supostos “homens de bem” podem apontar e dizer que ali reside o mal. Sua casa noturna de entretenimento adulto, Bahamas, foi lacrada por autoridades como se fosse a única de São Paulo.

Em 2007, Maroni foi envolvido no processo do acidente do Voo Tam 3054. Havia construído um hotel de 11 andares na região de Congonhas ao lado de sua boate. O prefeito Gilberto Kassab cassou o alvará do edifício. Conforme sentença disponibilizada no Diário Oficial digital do Estado de São Paulo, em 25 de novembro de 2011 Maroni foi condenado pela 5ª Vara Criminal de São Paulo, capital, a 11 anos e oito meses de reclusão pelos crimes de favorecimento à prostituição e manutenção de local destinado a encontros libidinosos. Referida decisão foi recorrida ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O empresário responde em liberdade.

As câmeras não mostram

Para Maroni, antes da possível reclusão e da condenação na Justiça, já imputaram a fama de cafetão e gangstêr. A Sociedade do Espetáculo preconizada pelo intelectual francês Guy Debord em muito é regida por maniqueísmos e Maroni lhe é útil para certos interesses. O sacrifício de uma figura pública sacia a fome dos populares pelo banimento e danação de seus demônios e muitas vezes pecados suprimidos. O empresário da noite se vê ator em um jogo político dos mais violentos. Como é falastrão, acaba sendo usado pela mídia. Por outro lado, traz o assunto sobre a legalização da prostituição a debate, como abordado na TV Folha (22 de abril de 2012).

Maquiavel já ensinava o príncipe a ser prudente com seus vícios e, caso conseguisse extirpá-los de sua personalidade, seria melhor, mas se não pudesse se abster daqueles que não o tirariam do poder, que ao menos colocassem um véu sobre eles.

Poucas matérias abordam Maroni por um viés humano, formado em psicologia e com capacidade para erguer um empreendimento não é o tipo comum, então se mostra o personagem. As câmeras não mostram as lágrimas que escorrem dos olhos nos escuros oceanos e nas casas da boemia paulistana.

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[Gabriel Leão é jornalista e mestre em Comunicação]

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