Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & MERCADO

Dono de rede australiana de TV apoia oferta de Murdoch

Por Neil Hume, Andrew Edgecliffe-Johnson, Jeremy Grant em 26/06/2012 na edição 700
Reproduzido do Valor Econômico, 21/6/2012; tradução de Mário Zamarian; intertítulos do OI

O bilionário James Packer decidiu acabar com a associação de longa data de sua família com o setor de mídia, vendendo sua participação de 50% na maior companhia de TV por assinatura da Austrália para a News Corp., de Rupert Murdoch. Packer disse que vai apoiar a oferta de 2 bilhões de dólares australianos (US$ 2 bilhões) da News Corp. pela Consolidated Media Holdings (CMH), que controla 25% da Foxtel, a maior companhia de TV por assinatura da Austrália, na ausência de uma proposta melhor.

O negócio, todo em dinheiro e que ainda depende da aprovação das autoridades reguladoras, vai fortalecer a presença da News Corp. no setor de TV por assinatura da Austrália ao dobrar sua participação na Foxtel para 50% e dar-lhe controle pleno da Fox Sports Australia, que controla os direitos de transmissão do futebol australiano.

Packer é o maior acionista da CMH, enquanto a Seven Group Holdings, do bilionário Kerry Stokes, detém uma participação de 24%. Analistas disseram acreditar na aprovação da proposta da News Corp. pelas autoridades reguladoras, mas afirmaram que Stokes poderá conseguir mais que os 3,50 dólares australianos por ação que lhe foram oferecidos. A CMH é o último ativo de mídia que Parker herdou de seu pai, Kerry Packer. O resto do império televisivo e editorial da família – incluindo a Nine Entertainment, adquirida pelo grupo de private equity CVC Capital Partners por 4,5 bilhões de dólares australianos antes da crise financeira – já foi vendido, com Packer mantendo uma participação pessoal de 10% na rede de TV T en Network.

Hotel e cassino

Packer reinvestiu os recursos obtidos no setor de jogos de azar, incluindo a Crown, uma operadora de cassinos em Melbourne e Perth, e a Melco Crown Entertainment, associação com o empresário de Hong Kong Lawrence Ho, que controla uma das seis licenças para o desenvolvimento e administração de cassinos em Macau.

A News Corp. quer ampliar seus negócios na área de TV paga, e seu diretor operacional Chase Carey já deixou claro que está de olho em empresas em que a News Corp. possa ter apenas uma participação parcial, visando a aquisição futura do controle pleno ou a venda da participação. A oferta pela CMH, lançada com um ágio de 14% sobre o preço de fechamento da ação da companhia na bolsa australiana, na terça-feira, acontece no momento em que Packer tenta chegar a um acordo com a Echo Entertainment, um grupo rival australiano que atua na área de jogos de azar, avaliado em quase 3 bilhões de dólares australianos.

O empresário quer usar a licença exclusiva da Echo para a operação de cassinos no estado de New South Wales, para construir um hotel seis estrelas e cassino de 1 bilhão de dólares australianos em Sydney, para atrair grandes apostadores da Ásia – em especial da China. Mas a Genting, o grupo malásio do setor de jogos, formou uma participação de 10% na Echo, igualando à fatia de Packer. Analistas opinaram que a Genting poderá fazer uma proposta de aquisição, a qual Packer teria dificuldade para igualar.

Potencial para o jogo

“O fato de Packer ser um vendedor da CMH a 3,50 dólares australianos, quando obviamente os jornais sugerem que ele queria 4 dólares, é um sinal de que ele quer dinheiro vivo e rapidamente”, disse Derek Francis, do banco de investimentos Moelis & Co. “Por quê? Para que Packer possa ter como fazer uma contraproposta, se a Genting fizer uma oferta pela Echo.”

Packer está tentando posicionar-se para entrar naquela que está se transformando rapidamente na maior fonte de turistas para a Austrália: a China. No último ano, o número de visitantes oriundos da China cresceu 17%, segundo o Australian Bureau for Statistics, o departamento de estatísticas do governo australiano.

A Genting, que administra cassinos na Malásia, Coreia do Sul, Austrália e Cingapura, está muito bem de caixa, tendo captado este ano 2,3 bilhões de dólares de Cingapura via emissões de bônus. Analistas afirmam que a empresa enfrentará em breve pressões para empregar esse dinheiro. Mas além da Echo, que recentemente revisou suas diretrizes de lucros e lançou uma emissão de direitos de subscrição de ações de 450 milhões de dólares australianos para fortalecer seu balanço, não há nenhuma outra aquisição de cassinos óbvia. Outros países “fronteiriços” com potencial para o jogo, como a Índia e o Japão, ainda não forneceram licenças para operadores estrangeiros.

A ação subiu 9,7%

A Genting construiu seu império de cassinos na Ásia desenvolvendo instalações novas como os Resorts World Sentosa, em Cingapura, de modo que a aquisição de um negócio já estabelecido seria algo incomum. Mas ela tem um enorme banco de dados de clientes que poderia ser empregado para atrair mais jogadores asiáticos para a Austrália.

David Green, presidente da Newpage Consulting de Macau, disse que não há indicações de que a Genting e a Crown estejam trabalhando juntas para cortar a Echo em pedaços, mas teria sentido para a Crown, se ela fizer uma proposta pela Echo, vender as propriedades da Echo em Queensland para a Genting. A Crown está interessada apenas pela licença de Sydney. A ação da CMH subiu 9,7% ontem (20/6), para 3,389 dólares australianos, na bolsa australiana.

***

[Neil Hume, Andrew Edgecliffe-Johnson, Jeremy Grant e Enid Tsui, do Financial Times em Sydney, Nova York, Cingapura e Hong Kong]

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