Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & MERCADO

News Corp. confirma cisão e considera aquisições

Por John Jannarone em 03/07/2012 na edição 701
Reproduzido do Valor Econômico, 29/6/2012; intertítulos do OI

O grupo de comunicações News Corp. confirmou na quinta-feira (28/6) a intenção de dividir o conglomerado em dois, separando o rentável braço de entretenimento do negócio editorial. Uma empresa vai abrigar operações de entretenimento como a produtora de cinema 20th Century Fox, a rede de televisão Fox e o canal Fox News Channel, enquanto a outra ficará com ativos editoriais como o Wall Street Journal e o jornal londrino Times of London, além da editora HarperCollins e a divisão de educação da News Corp.

O conselho da News Corp. aprovou por unanimidade o plano, disse a empresa. “Reconhecemos que, no decorrer dos anos, a vasta carteira de ativos da News Corporation foi ficando cada vez mais complexa”, disse Rupert Murdoch, que acumula os cargos de diretor-presidente e presidente do conselho de administração do grupo, em um comunicado. “Chegamos à conclusão de que a criação dessa nova estrutura viria simplificar as operações e dar mais alinhamento às prioridades estratégicas, permitindo a cada empresa cumprir melhor [seu] compromisso para com consumidores ao redor do mundo.”

Murdoch continuará como diretor-presidente e presidente do conselho da nova empresa de entretenimento. Já o atual diretor de operações da News Corp., Chase Carey, terá o mesmo cargo na nova empresa de entretenimento. Murdoch também vai ser presidente do conselho do grupo editorial, mas a News Corp. não especificou quem seria seu diretor-presidente. “Nos próximos meses, o conglomerado vai montar equipes de gestão e conselhos de administração para ambas as empresas”, dizia o comunicado.

Assembleia especial de acionistas

Em uma teleconferência, Murdoch disse que a empresa editorial teria uma “posição líquida de caixa robusta” para poder fazer “os investimentos certos”. Murdoch disse que pretende expandir a presença digital dos jornais e continuar cobrando de leitores pelo conteúdo. “As pessoas vão pagar por notícias”, disse. “É a mercadoria mais valiosa do mundo.” Murdoch disse que a empresa de entretenimento também vai continuar a trabalhar na expansão. “Estamos interessados em expandir tudo”, disse.

A ideia de separar as operações editoriais vinha sendo considerada havia anos, mas Murdoch até então se opunha ao plano. Acionistas da empresa estavam cada vez mais insatisfeitos com o braço editorial, que tem margens menores do que as operações de entretenimento. O escândalo do grampo telefônico envolvendo jornais da News Corp. no Reino Unido só aumentou o desconforto de investidores. Com a separação, a editora ficará livre para fazer aquisições e outros investimentos, dizem pessoas a par da situação. “Nossos negócios editoriais são muito subvalorizado pelos céticos”, disse Murdoch em um comunicado aos funcionários. “Graças a esta transformação, vamos dar vazão a seu verdadeiro potencial e articular melhor o real valor que encerram para os acionistas.”

A separação está prevista para ser concluída em 12 meses. Assim que receber o sinal verde do conselho, a empresa vai realizar uma assembleia especial de acionistas para considerar o plano. Esse encontro deve ocorrer no primeiro semestre do ano que vem. A empresa também vai precisar de autorização de órgãos reguladores para garantir que a transação não seja um fato gerador de impostos. “Não é um fato consumado”, disse Murdoch. “Ainda há uma série de medidas a tomar.”

Nas operações editoriais, lucro caiu 26%

O conselho da News Corp. aprovou a divisão, em princípio, em uma reunião em Nova York na quarta-feira à noite que durou aproximadamente uma hora e meia, disse uma pessoa por dentro da questão. Investidores aplaudiram a ideia de criar uma entidade própria para os jornais do grupo, uma operação menos rentável.

A atividade editorial tem margens de lucro muito menores do que operações de TV e cinema da empresa e enfrenta forte concorrência de sites jornalísticos na internet. Nos últimos cinco anos, a publicidade em jornais caiu cerca de 50%, calcula a Associação de Jornais dos Estados Unidos. Embora o WSJ tenha conquistado mais assinantes e cobre por seu conteúdo on-line, a nova empresa editorial enfrentará sérios desafios.

Nos últimos anos, o crescimento do lucro em operações de entretenimento da News Corp. foi impulsionado por canais a cabo como Fox News e FX. Enquanto o lucro do braço de entretenimento cresceu 13% de 2008 a 2011, a alta inteira veio do segmento de cabo, cuja receita operacional mais do que dobrou para US$ 2,76 bilhões.

No mesmo período, o lucro operacional caiu nas operações de TV aberta, TV via satélite e cinema. No caso da TV aberta, o lucro operacional caiu quase pela metade, de US$ 1,1 bilhão em 2008 para US$ 681 milhões em 2011 (em parte devido à venda de certas estações de TV em 2008). Nas operações editoriais que agora serão desmembradas, o lucro operacional caiu 26% no mesmo período, estima Michael Nathanson, analista da Nomura Securities (colaborou Keach Hagey).

***

[John Jannarone, do Wall Street Journal]

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