Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & GREVES

Imprensa começa a entender cotidiano brasileiro

Por Reinaldo Cabral em 24/07/2012 na edição 704

Quase dois meses depois de reiniciada a temporada de greves nacionais depois do fastígio dos brasileiros empregados nos setores público e privado impregnados pelas diferentes formas de paralisia impostas pelo governo Lula via centrais sindicais, especialmente a CUT, o grande público começa a ter acesso às informações que dão conta das negociações intestinas travadas pelos sindicatos via centrais sindicais com o governo federal.

O Globo desta quarta-feira (18/7) revela a “preocupação” do governo com o movimento grevista e uma reivindicação de um sindicalista para o “destravamento” das negociações no Ministério do Planejamento, uma espécie de antesala de decisões da presidente Dilma Rousseff.

De fato, o governo Dilma Rousseff está diante do seu primeiro grande teste político frente aos servidores e ao país: ou se sintoniza com a universidade para transformá-la em alavanca do desenvolvimento científico e tecnológico do país, ou desperdiça a principal força de trabalho do serviço público, deixando de lado o ponto crucial responsável pela tecnologia de ponta que converteu países centrais em motores do desenvolvimento econômico do planeta.

Subtraído de suas funções de decidir sobre matéria financeira pela ditadura de 64, atividade que vem recuperando a trancos e barrancos desde a Constituinte de 1988, o Congresso Nacional acaba de dar esta semana uma prova de sua maturidade política – claro, depois dos afagos do palácio do Planalto em lhe facilitar a concessão de emendas parlamentares destinadas a beneficiar seus currais eleitorais.

Caminhos delicados

Pelo sim pelo não, embora o debate sobre os principais pontos da lei de Diretrizes Orçamentárias tenha sido eivado de uma pobreza meridiana, certamente devido ao despreparo dos próprios parlamentares com assuntos econômico-financeiros, o governo demonstrou ter retomado o relativo controle sobre o parlamento brasileiro, criando-se um ambiente propício às mudanças tão necessárias a esse novo período político.

Essa influência política ascensorial do governo nas suas relações com o Congresso é uma espécie de página virada, raramente observada pela chamada grande imprensa nacional depois de uma longa fase em que adversários ideológicos ou antisimpatizantes de Dilma Rousseff acreditavam e até torciam pela queda de popularidade presidencial devido à aceleração da rota de colisão do planalto com o Congresso.

Pergunta-se: como estão pacificadas as relações do governo com a grande imprensa e agora com o Congresso Nacional, quais passos serão dados no sentido de evitar que o movimento paredista influencie a retomada de crescimento do aumento dos preços no atacado e, consequentemente, no varejo em favor da disparada da taxa de inflação?

Há dois caminhos a percorrer: primeiro, a rediscussão de um pacto federativo intersindical entre o governo e as centrais sindicais; segundo, deixar fluir os movimentos sindicais até ser erguida uma grande esparrela para as próprias centrais sindicas que abrigarem as categorias que levarem suas lutas até as últimas consequências. Esse caminho foi seguido pelo governo João Goulart antes do golpe militar de 64, concedendo-se reajustes salariais bem acima da média de outras proporcionalmente às pressões e prejuízos que causavam à sociedade.

***

[Reinaldo Cabral é jornalista, Maceió, AL]

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