Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA RADIOFÔNICA

Como é mesmo a lei eleitoral?

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 07/08/2012 na edição 706

Algumas emissoras de Fortaleza resolveram de forma intempestiva e desrespeitosa sem aviso prévio ou comunicação das razões tirar os ouvintes do ar alegando que era ordem do Tribunal Regional Eleitoral. No entanto pelo que se sabe isso não é determinação deste órgão que apenas recomenda que não se fale em políticos nem se faça evocação de campanhas ou preferências políticas. Não concordamos com este tipo de atitude das rádios de Fortaleza, pois o que se passa neste tipo de ação é que os ouvintes não têm educação nem conhecimento para participar da comunicação. Outro problema constatado é que as rádios de Fortaleza não têm atendentes para fazer uma recomendação aos participantes no sentido de garantir que os mesmos cometam algum erro de colocação nos programas.

Vale salientar também que o Tribunal Regional Eleitoral é muito duro em relação aos meios de comunicação onde os profissionais de rádio e televisão são obrigados a deixar seus empregos e sair da programação em função de sua candidaturas. É também muito rigoroso não deixar que os ouvintes façam comentários acerca das administrações, das anomalias políticas e das diversas manifestações do mundo político. Hoje o que acontece no rádio é aquela máxima onde se mata o boi para acabar com os carrapatos o que denota, sim, o desrespeito real dos que fazem o rádio para com o ouvinte.

O ouvinte tem seu valor

O que vemos neste sentido é que não há avisos, não há explicações, não há respeito ao ouvinte e simplesmente usam a lei para evitar sua participação nos programas esquecendo claramente que há ouvintes letrados, informados e que sabem falar nos programas e, claro que jamais prejudicarão as rádios com ações do tipo das que eles temem. Nas rádios onde há organização geralmente não há nenhum tipo de problema durante as participações dos ouvintes, pois antes dos mesmos participarem tem uma pessoa para verificar as falas e até educar a participação dos mesmos durante o processo. As rádios que não valorizam o poder informativo dos ouvintes de rádio geralmente fazem de tudo para evitar sua participação e a atual lei eleitoral é um prato cheio para isso.

Temos que mudar os aspectos do rádio com respeito aos ouvintes e interação firme que faça com que os ouvintes possam colaborar com o desenvolvimento dos programas com críticas, informações e curiosidades. Há ouvintes no rádio que só fazem bem, pois promovem atos de solidariedade, dão informações valiosas, discutem os problemas das cidades e dizem muitas coisas que podem levar as autoridades a tomar providências em relação às coisas que podem não estar corretas. O ouvinte de rádio tem seu valor, sim, e retirar sua participação do ar é uma falta de respeito e castra de forma incorreta a interação que é uma das grandes saídas para o crescimento do rádio. Por tudo isso é preciso que as rádios que hoje tiram ouvintes do ar revejam suas posições, pois o rádio tem de ser usado para o bem das pessoas e da sociedade em geral e, na minha humilde opinião, o ouvinte tem, sim, grande importância no crescimento e na melhoria do rádio como um todo.

***

[Francisco Djacyr Silva de Souza, presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE]

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