Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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FEITOS & DESFEITAS >

Jornal da Califórnia prospera com volta do foco no impresso

Por ‘The Guardian’ em 30/07/2013 na edição 757

A visão predominante na mídia lista várias formas de um jornal se suicidar. Gastar mais, multiplicando profissionais e páginas. Priorizar o impresso em detrimento do digital. Cobrar pela leitura on-line, com um “paywall”.

O diário californiano “Orange County Register” fez as três coisas, surpreendendo o setor e criando dúvida sobre a longevidade da experiência. Passado um ano, o jornal vai de vento em popa.

“Está funcionando”, diz o editor-executivo, Ken Brusic.

A dona do diário, Freedom Communications, manifesta interesse pelo “Los Angeles Times”, diz seu presidente-executivo, Aaron Kushner.

A equipe do jornal –a Redação dobrou no último ano, para 360 profissionais– exala otimismo cauteloso.

Em vez de reescrever reportagens, os jornalistas enchem seções novas com material original. “Sinta o peso. Tem dez cadernos, e isso numa terça”, diz Rob Curley, editor-adjunto do noticiário local.

Fundado em 1905, o “Register” ficou famoso pelos valores libertários, mas a partir da década de 1990 empreendeu mudanças digitais com resultados negativos. O número de páginas e profissionais diminuiu, diz Brusic.

Os leitores perceberam. “Imagine que o jornal é seu café, e, cada vez que você paga, a xícara fica menor, e o café, mais fraco. Foi o que houve com os jornais aqui”, diz.

Suicídio gradativo

“Tiramos coisas das pessoas e ao mesmo tempo fomos dando conteúdo de graça na internet. O setor dos jornais foi cometendo uma espécie de suicídio gradativo.”

Foi quando chegaram Kushner e o sócio Eric Spitz, financistas da Costa Leste, sem experiência no ramo.

Compraram o “Register” e atraíram jornalistas do país todo a Santa Ana com a promessa de ampliar e aprimorar a cobertura e cobrar dos leitores –da versão impressa ou on-line– US$ 1 por dia.

“Este é o modelo: ter um produto bom e receber o justo por ele”, diz Kushner, 40.

Com foco no noticiário local, o “Register” vende 130 mil exemplares nos dias úteis e quase 300 mil aos domingos.

As assinaturas não cresceram, mas a circulação subiu quando incluídos os 28 jornais semanais associados. A receita superou a meta, diz Kushner.

A imensa maioria dos leitores do “Register” consome a versão impressa, reforçando a receita publicitária. Analistas dizem que os resultados ainda são incertos. As mudanças somaram US$ 15 milhões ao custo anual, e não há garantia de que novas assinaturas compensem tudo. Dependerá de leitores suficientes acharem que o jornal aprimorado vale a pena.

“Kushner apostou no fundamental”, conclui o analista de mídia Ken Doctor. “O produto fundamental, os leitores fundamentais.”

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