Sábado, 07 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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FEITOS & DESFEITAS >

Jornalistas sofrem para manter o assunto no ar

Por Bernardo Mello Franco em 30/07/2013 na edição 757

No primeiro nascimento real da era da internet, o pontapé inicial da cobertura jornalística foi dado no Twitter. Faltava pouco para as 6h em Londres (2h em Brasília) quando o fotógrafo Jesal Parshotam, de uma agência especializada na realeza, escreveu em seu microblog que Kate Middleton havia acabado de ser internada. O tuíte se espalhou pela rede e iniciou uma corrida de repórteres de todo o mundo até a porta do hospital, onde cinegrafistas já acampavam desde 1º de julho.

Durante as 14 horas e meia que separaram a primeira notícia do anúncio do nascimento, centenas de jornalistas tiveram que se virar para manter o assunto no ar. Por todo o dia, as informações oficiais se limitaram a uma breve nota do palácio de Kensington (residência oficial do casal) confirmando a internação. Sem saber o que acontecia no hospital, âncoras e repórteres tiveram que apelar a entrevistas com populares e especulações intermináveis sobre nome e sexo do bebê.

Simon McCoy, âncora da rede BBC escalado para passar o dia diante do hospital, chamou a atenção pela sinceridade. Com típico humor britânico, ele admitiu ao vivo que não havia o que relatar. “Voltaremos com muito mais daqui, é claro. Sem nenhuma notícia, porque isso sairá do palácio de Buckingham. Mas isso não vai nos fazer parar!”, disse, à tarde.

O truque do Guardian

Em Yorkshire, interior da Inglaterra, o enviado da BBC Danny Savage usou a criatividade. Diante de um sereno príncipe Charles, que disse não ter notícias, arriscou: “É claro que ele está ansioso. Só não está mostrando isso…”

A rede americana CNN enviou a Londres a veterana Christiane Amanpour, que durante um dia trocou a cobertura de guerra por assuntos mais amenos, como as apostas sobre o sexo do bebê. À noite, ela ensaiava um sorriso ao dizer que os chafarizes da praça Trafalgar estavam iluminados de azul para indicar que era um menino.

Na internet, alguns dos principais jornais britânicos criaram blogs para narrar os acontecimentos (ou a falta deles) em tempo real. O Guardian repetiu o truque usado no dia do casamento real para agradar seus leitores antimonarquistas. Bastava clicar no botão “republicano” e o noticiário sobre o bebê desaparecia da capa do site.

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Bernardo Mello Franco, da Folha de S.Paulo, em Londres

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