Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & MERCADO

BBC busca aproximação com o Brasil

Por João Fernando em 27/08/2013 na edição 761
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 21/8/2013; título original: “BBC busca aproximação com o país”; intertítulo do OI

Responsável por séries de sucesso e inovadora em formatos de documentários, que exporta para emissoras de todo o planeta, a BBC reconhece ter ficado para trás por não ter criado seu serviço de vídeo sob demanda fora do Reino Unido nem ter lançado seus múltiplos canais de TV na América Latina. “Acho uma vergonha termos chegado atrasados para a festa. Deveríamos ter trazido nossos outros canais há muito tempo”, admite Paul Dempsey, presidente do setor de mercados globais da BBC Worldwide, braço comercial da rede britânica. Entretanto, o executivo vê um aspecto positivo na defasagem. “O bom é que podemos ser experimentais quando os outros estão nervosos sobre o que fazer na TV paga. É tudo novo para os exibidores tradicionais”, disse ao Estado.

Dempsey e outros executivos da emissora vieram ao Rio para o “BBC Show Case da América Latina”, evento em que mostram as novidades e negociam programas com as redes locais. Na ocasião, afirmaram que pretendem aumentar os investimentos no país. “O Brasil é um lugar onde estamos investindo mais. Estou tentando evitar a desculpa de ser um país dos Brics (ao lado de Rússia, Índia e China), que são dinâmicos, com grande população, e economia crescente. Vejo isso na Rússia e na China, onde há milhões de pessoas querendo um futuro melhor. Aqui, há a classe C”, diz.

Apesar de mirar o Brasil, o executivo ainda não dá detalhes de como a lei da TV paga, que obriga os canais a cumprir cota de produção nacional, está afetando a BBC HD, canal de entretenimento daqui. “Sou bem novo no mercado brasileiro, é minha primeira vez aqui. Com ou sem regulamentações, é sensato haver produções locais. A melhor proposta é ter um desafio global, ter os mesmos programas, como dramas e (a série)Doctor Who, que funcionam em todos os lugares e, ao mesmo tempo, ter coisas locais no mesmo canal ou serviço. No Brasil, estamos produzindo, mas é bom para o mundo todo. Podemos fazer programas aqui com o mesmo estilo e qualidade, mas com pessoas locais que entendem o que o mercado brasileiro quer”, afirma.

Os 50 anos deDoctor Who

Dempsey explica que a BBC Worldwide ainda tem pouca proximidade com os brasileiros. “Temos que saber o que querem, o que temos, e, então, saber como distribuir isso. Sei que estou falando de maneira ampla, porém, estou levando isso muito a sério.” Presente no catálogo do Netflix, a BBC não teme que o serviço tire seus espectadores da TV linear, dor de cabeça dos outros canais e tema abordado no último congresso da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura. “A preocupação da indústria é que os novos modelos de negócio não trazem o mesmo dinheiro de antes. As assinaturas e o valor por programa são baixos e os anúncios online também. O valor do programa vai ficar complexo”, avalia.

A BBC Worldwide abastece os próprios concorrentes com suas produções. “Nossos documentários estão no Discovery e no Animal Planet, por exemplo. São janelas para a nossa participação”, analisa Fred Medina, responsável pelos negócios da rede na América Latina e mercado hispânico nos EUA. Segundo ele, ter conteúdo em outros canais é uma maneira de atrair mais público. “Estamos em plataformas de outras marcas, como a Globosat. Assim, criamos mais fãs”, justifica. Para ele, a qualidade é mais importante que a disputa por audiência. “Não quero competir com a Globo ou com a TV aberta. Há 200 canais no mercado, queremos criar o nosso nicho. O público quer entretenimento e conhece o perfil da BBC.”

Entre as próximas novidades anunciadas pelo executivo está a temporada de comemoração dos 50 anos deDoctor Who, uma das produções mais antigas da rede. “O lançamento será mundial”, adianta.

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João Fernando, do Estado de S.Paulo

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