Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Escolha de novo líder pode ser um recomeço para a Microsoft

Por Shira Ovide em 27/08/2013 na edição 761
Reproduzido do Valor Econômico, 26/8/2013; intertítulos do OI

Ao anunciar repentinamente sua aposentadoria, após mais de 30 anos na Microsoft Corp., o diretor-presidente Steve Ballmer deixará ao seu sucessor a gigantesca missão de reviver uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, hoje fustigada por concorrentes em todas as frentes.

Ballmer, de 57 anos, junto com seu colega de faculdade e fundador da Microsoft, Bill Gates, tornou a empresa uma máquina de lucros cujo sistema operacional Windows está presente em quase todos os 305 milhões de compu-tadores que devem ser vendidos este ano globalmente, segundo a firma de pesquisa Gartner Inc.

Mas devido ao crescimento de rivais como a Apple Inc. e o Google Inc., ele será usado em apenas 15% de todos os eletrônicos de computação se somarmos os PCs aos smartphones, tablets e outros aparelhos conectados à web.

Conflito interno

A notícia da saída de Ballmer foi bem recebida pelos investidores, o que fez com que as ações da Microsoft subissem 7% na sexta-feira, fechando a US$ 34,75 na bolsa Nasdaq.

Financeiramente, a Microsoft continua gigante. Ela gerou quase US$ 78 bilhões em receita no ano fiscal encerrado em 30 de junho e um gordo lucro de US$ 21,86 bilhões. Sob o comando de Ballmer, a companhia foi bem-sucedida em manter sob controle várias ameaças, incluindo o software de código aberto Linux, que Ballmer chegou a descrever como um “câncer”. Ele também ajudou a Microsoft a se recuperar do impacto da campanha do governo americano para dividir a empresa.

Mas a Microsoft praticamente obtém todo o seu lucro de um trio de produtos: o Windows, o Microsoft Office e o software relacionado ao funcionamento de seus sistemas computacionais. Todos são profundamente dependentes das vendas de PCs que usam o Windows. Outros produtos, como o videogame Xbox e o sistema de buscas Bing, ou não dão lucro ou geram uma margem minúscula.

Executivos de dentro e fora da Microsoft dizem que uma mudança de liderança já devia ter sido feita há muito tempo. Pessoas a par das deliberações do conselho disseram que há anos os diretores buscam potenciais sucessores para Ballmer, mas que tem sido difícil encontrar o substituto certo para comandar uma empresa complexa que ao longo da sua história teve apenas dois diretores-presidentes. Gates vendeu grande parte da sua participação acionária na Microsoft, mas ainda exerce mais influência no formato da empresa do que qualquer outra pessoa.

A Microsoft anunciou que procuraria o sucessor de Ballmer, que continuará no cargo por até 12 meses, tanto dentro como fora da empresa. O anúncio surpreendente de sexta-feira sugere que não havia uma sucessão planejada. Ele foi feito apenas seis semanas depois que Ballmer anunciou uma reestruturação na cúpula executiva, sem deixar claro quem seria o número dois na companhia.

Nos últimos anos, a empresa perdeu possíveis candidatos ao cargo à medida que vários tropeços permitiram que a Apple, o Google e o Facebook se tornassem os novos titãs do setor de tecnologia. Acredita-se que entre os executivos que serão avaliados de perto para o cargo estão Paul Maritz, um ex-executivo da Microsoft que hoje comanda a empresa de tecnologia GoPivotal Inc., e Stephen Elop, atual diretor-presidente da Nokia que antes liderou os negócios do Microsoft Office. Entre os altos executivos da Microsoft considerados candidatos potenciais estão Tony Bates, ex-diretor-presidente do Skype, que oferece serviços de comunicação pela internet, e Satya Nadella, que ganhou reconhecimento por tornar o software da Microsoft dedicado às áreas administrativas de empresas mais compatível com a internet.

Uma porta-voz de Elop não quis comentar, assim como Maritz e Bates. Nadella não respondeu a um email solicitando que falasse a respeito.

“Com essa mudança na liderança, há uma oportunidade que é um divisor de águas na empresa para encontrar alguém que traga uma abordagem nova para liderar a companhia no futuro”, disse Paul Allen, que fundou a Microsoft junto com Gates, por meio de um comunicado.

Os críticos dizem que o próximo líder precisa jogar fora a cartilha de manter isoladas as principais marcas da Microsoft. Para proteger o império do Windows, por exemplo, a empresa tem se recusado a disponibilizar gratuitamente a licença do Office para pessoas que usam aparelhos que não rodam seus softwares, como o iPhone. A decisão tem criado conflito interno e já custou à Microsoft toda uma geração de novos usuários.

“A Microsoft precisa de um líder jovem, com grande intuição de produto e vontade de quebrar paradigmas para reo-rientar a companhia”, diz Ali Partovi, que vendeu uma empresa para a Microsoft.

“Verdadeiro visionário”

A aposentadoria de Ballmer marca uma linha divisória entre a primeira geração da computação e a era seguinte, que ainda está tomando forma. Pioneiros da tecnologia como a Apple, a fabricante de processadores Intel Corp. e a International Business Machines Corp. já elegeram novos líderes nos últimos anos.

“Os ciclos pelos quais adotamos tecnologia e criamos novas tecnologias estão mudando drasticamente”, diz Aaron Levie, diretor-presidente da Box Inc., que está entre a nova geração de empresas nascidas na era da internet e que desafia a Microsoft ao oferecer alternativas de software mais baratas e simples.

Há muitos que duvidam que uma nova liderança seja suficiente para salvar a empresa. “O único que pode tirar a Microsoft da sua situação desastrosa é Bill Gates – ele é um verdadeiro visionário e líder da nossa indústria”, diz Marc Benioff, diretor-executivo da Salesforce.com, firma de software concorrente da Microsoft. (Colaboraram Don Clark, Joann S. Lublin e Lora Kolodny.)

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Shira Ovide, do Wall Street Journal

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