Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & MERCADO

Fabricantes de papel reagem à expansão digital

Por Bob Tita em 17/09/2013 na edição 764
Reproduzido do Valor Econômico, 13/9/2013; título original “Fabricantes reagem à expansão digital”; intertítulos do OI

Com um número crescente de pessoas usando e-mails, pagando contas online e armazenando arquivos eletronicamente, o mercado de papel destinado à impressão vem caindo nos últimos dez anos e levando ao fechamento de fábricas. No exemplo mais recente, a International Paper informou esta semana que pretende fechar sua maior fábrica de papel nos Estados Unidos e transferir 1.100 empregados, citando justamente a queda na demanda por papel num mundo cada vez mais digital.

Para os funcionários da fábrica de Courtland, no estado do Alabama, o momento poderia ser melhor: o anúncio de quarta-feira foi feito um dia depois que a empresa, cujas vendas e lucros vêm crescendo, aumentou seus dividendos em 17% e afirmou que recompraria US$ 1,5 bilhão em ações. Fechar a fábrica de Courtland vai reduzir a capacidade da empresa em cerca de um terço, ou 950.000 toneladas por ano. O grosso desse volume – perto de 80% – é de papel não revestido, usado em máquinas copiadoras, enquanto o restante da produção é de papel mais brilhante e revestido, usado em revistas e catálogos.

Os executivos da empresa disseram que examinaram o custo para modernizar as linhas de produção e manter a fábrica lucrativa num mercado em contração e concluíram que o investimento não fazia sentido. “Foi uma decisão muito difícil”, disse Tim Nicholls, vice-presidente sênior da área de papel para impressão e comunicação. “Exploramos várias opções de negócios e adaptações para a fábrica de Courtland, mas concluímos que fechá-la permanentemente é o que melhor nos posiciona para o futuro”, acrescentou.

Papel de graça para as escolas

Os empregados foram surpreendidos pelo anúncio de que a fábrica, que tem 42 anos, será fechada até o fim de março de 2014. “Sabíamos que a capacidade [de produção] ficaria acima do mercado, mas nunca imaginamos que seríamos nós”, disse Johnny Phillips, presidente da filial local do sindicato United Steelworkers Union, de trabalhadores do setor siderúrgico, que representa cerca de 250 empregados de manutenção da fábrica. “O pior para mim são os membros mais jovens”, disse Phillips, de 58 anos, que trabalha na fábrica há 30 anos. “Não há muitos empregadores privados na área que pagam o que eles ganham.” Os empregados da manutenção recebem salários de US$ 20 a US$ 32 por hora. Alguns outros funcionários chegam a ganhar ainda mais.

Cobrindo uma área de 8,9 quilômetros quadrados, o imenso complexo está a oito quilômetros da pequena cidade de Courtland e próximo ao Rio Tennessee, que serpenteia entre as densas florestas do nordeste do Alabama. A fábrica consiste em operações totalmente integradas, em que carregamentos de toras de madeira cortadas na região são convertidos em pacotes de papel embalados para impressoras ou copiadoras.

A área de polpa de celulose alimenta as quatro máquinas de fazer papel, que têm cada uma o tamanho de um campo de futebol e funcionam sem parar. Outras máquinas cortam e empilham o papel em pacotes de 20 por 25 centímetros. Com uma folha de pagamento de US$ 86 milhões, é a maior empregadora do distrito rural de Lawrence e teve uma presença significativa na comunidade desde a sua inauguração, em 1971, inclusive ao fornecer papel de graça para as escolas locais.

Baixas contábeis de US$ 675 milhões

A companhia afirmou que o fechamento da fábrica não teve nada a ver com a decisão do conselho de administração de recomprar ações ou elevar os dividendos. “Essas foram decisões independentes, tomadas tendo em vista os interesses da International Paper no longo prazo”, disse Nicholls.

A International Paper responde por cerca de 25% da capacidade de produção de papel não revestido dos EUA, atrás somente da Domtar Corp. Fechar a fábrica de Courtland deve reduzir a capacidade do setor em torno de 8%. As fabricantes Domtar, Georgia-Pacific e Boise anunciaram cortes na produção nos últimos dois anos. “Todo mundo já fez alguma coisa, então faz sentido para a IP fechar a fábrica de papel”, disse Chip Dillon, um analista do setor de papel da firma de investimento Vertical Research Partners. “Eles eram os únicos que ainda não tinham cortado capacidade.”

A última fábrica que a IP fechou foi a de Franklin, na Virgínia, em 2010. Depois de Courtland, vai contar com as de Eastover, na Carolina do Sul, e Riverdale, também no Alabama, para fornecer papel não revestido na América do Norte. A IP também tem capacidade fora dos EUA que poderia suprir o país, se a demanda ultrapassar a capacidade doméstica. Dillon disse que a queda na demanda por papel branco perdeu fôlego este ano, indicando que pode ter chegado ao seu mínimo. Depois de um recuo de 5% em 2012, o consumo de papel branco nos EUA caiu quase 3% desde o início deste ano.

Enquanto isso, a demanda cresce no Brasil, China, Rússia e outros países em desenvolvimento, onde a International Paper vem aumentando sua capacidade. No Brasil, ela tem três unidades: duas fábricas de papel e celulose em São Paulo e uma de papel no Mato Grosso do Sul. A IP planeja dar baixas contábeis de US$ 675 milhões relativas ao fechamento da fábrica de Courtland até o fim de 2013 e em 2014.

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Bob Tita, do Wall Street Journal

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