Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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FEITOS & DESFEITAS > LITERATURA DE CORDEL

Cordelteca completa dez anos

Por Lucas Oliver em 12/11/2013 na edição 772

Há dez anos, a cultura e o resgate popular vêm sendo trabalhados através da cordelteca, setor da Biblioteca Pública Clodomir Silva, unidade vinculada à Secretaria Especial de Cultura de Aracaju (SEC/Funcaju). Primeira biblioteca de cordel do Brasil, a cordelteca homenageia o saudoso João Firmino Cabral, natural do município de Itabaiana. De acordo com a diretora da Clodomir Silva, Fátima Góes, “o ambiente da biblioteca tem características da literatura de cordel e a escolha do nome deve-se à carreira de sucesso do primeiro cordelista sergipano a levar o nosso cordel para fora do estado, João Firmino Cabral”.

O Nordeste brasileiro herdou a literatura de cordel, que nasceu na terra de Pedro Álvares Cabral, um dos vestígios deixados pela colonização portuguesa. É um gênero popular escrito na forma rimada, originado em relatos orais e depois impressos em folhetos com figuras desenhadas em xilogravuras e expostos à venda pendurados em barbantes, o que deu origem ao nome cordel.

Segundo o cordelista sergipano Ronaldo Dória, as rimas e métricas nascem a qualquer hora e o dom de brincar com as palavras vem desde a infância. “Desde pequeno fazia poemas e poesias, mas nunca tive coragem de mostrar. Os temas surgem a partir de uma história, de um sonho, de uma reportagem na TV e assim vai, estou sempre com papel e caneta. Me dediquei mais ao cordel quando me aposentei, há 12 anos, e agora possuo 155 histórias contadas em cordel”, comenta.

“Aprendi tudo com João Firmino”

A Cordelteca João Firmino Cabral é palco do Sarau Poético, que reúne grandes autores ou cordelistas para recitarem versos de forma cantada acompanhados de suas violas. “Destinamos esse encontro para conversar sobre cultura, música e arte. Momento especial para a comunidade e os estudantes aprenderem sobre cordel”, completa a diretora Fátima Goés.

O trabalho educacional é intenso, professores e coordenadores de escolas levam o livreto para a sala de aula com o objetivo de trabalhar temas transversais através dos poemas rimados. “A biblioteca recebe diariamente docentes de diversos bairros em busca de inserir no cotidiano de seus alunos temas como geografia, cultura popular, histórias que são encontrados nos livretos e esse espaço é de fácil acesso e está aqui para toda a população”, justifica a coordenadora de eventos, Maria José.

“Digo com muito orgulho que fui aluno de João Firmino. Se hoje visito as escolas levando a cultura local para crianças e adolescentes é porque aprendi tudo que sei sobre literatura de cordel com ele, que levava meus versos para analisar em casa e no outro dia me explicava”, afirma Ronaldo Dória.

Banca vaga

A Cordelteca João Firmino Cabral abriga mais de 500 livretos de cordelistas nacionais e locais, de variados temas. A Biblioteca Clodomir Silva foi eternizada na literatura de cordel através da homenagem feita pelo também sergipano Chiquinho Além Mar. “Hoje a cordelteca possui títulos escritos por 36 cordelistas sergipanos, mas aqui também há obras de autores de outros estados. Você encontra nomes como Enoque Araújo, Gilmar Santana Ferreira, Zé Antônio e de mulheres que fizeram e fazem história com as rimas, a exemplo de Antônia Amorosa, Izabel Nascimento, Salete, entre outras”, ressalta Fátima Góes.

Patrono da primeira cordelteca do país, João Firmino Cabral despertou para a Literatura de Cordel ainda na adolescência, quando pedia à irmã para ler os livretos comprados na feira de Itabaiana, município de Sergipe. Seguiu os passos do poeta e mestre, Manoel D’Almeida Filho, produzindo o seu primeiro livreto sobre as profecias de Padre Cícero, aos 17 anos.

Em 2002, João Firmino recebeu da Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) a medalha de Mérito Cultural Serigy. Ao falecer, em fevereiro deste ano, João Firmino deixou a banca que tinha instalada no Mercado Municipal Antônio Franco, no Centro de Aracaju, e deixou vaga a cadeira de número 36, da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), que ocupava desde 2008.

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Lucas Oliver é estudante de Jornalismo, Aracaju, SE

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