Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & MERCADO

Murdoch compra maior editora de romances femininos do mundo

Por ‘OG’ em 06/05/2014 na edição 797
Reproduzido do Globo.com, 2/5/2014; intertítulo do OI

A News Corp, do magnata das comunicações Rupert Murdoch, anunciou nesta sexta-feira a compra da editora canadense de romances femininos Harlequin Enterprises por US$ 415 milhões em dinheiro. Com a aquisição da empresa, que era do grupo Torstar, a NewsCorp vai agregá-la à unidade de livros da HarperCollins, que já tem uma divisão chamada Romances Avon.

A Harlequin foi fundada há 65 anos e se tornou a maior editora mundial de romances femininos. A aquisição dá à HarperCollins força em 11 países e experiência em traduções. Além disso, o acordo evidencia a estratégia do diretor executivo da NewsCorp, Robert Thomson, de “globalização e digitalização” – a ideia de que o grupo precisa vender melhor seu conteúdo fisicamente e online em todo o mundo. Hoje, quase todos os livros da HarperCollins são publicados em inglês.

Segundo o site brasileiro da Harlequin, a empresa é dedicada ao entretenimento da mulher e está presente em mais de 109 países, publicando mensalmente cerca de 800 títulos em 29 idiomas. Ainda de acordo com a página na internet, a editora canadense chegou ao Brasil em 2005 por meio de uma joint-venture com o Grupo Editorial Record. Há títulos disponíveis a partir de R$ 3 e coleções de bolso e de livraria.

“Líder mundial em ficção feminina, a editora reúne mais de 1.300 autoras para oferecer à mulher uma leitura variada, de romances contemporâneos e históricos a thrillers e suspenses românticos”, afirma a Harlequin em seu site, destacando que seus títulos estão distribuídos em linhas como Paixão, Desejo, Jessica, Destinos, HR Históricos, Rainhas do Romance, Fuego e Modern Sexy.

Uma dor de cabeça legal

A News Corp., controlada por Murdoch, também é dona do Wall Street Journal e do New York Post. Em junho do ano passado, a empresa separou-se da 21st Century Fox, sua maior e mais lucrativa divisão, de TV e cinema.

A aquisição anunciada nesta sexta-feira deve ajudar a impulsionar as vendas da unidade de livros da News Corp., que gerou cerca de US$ 1,4 bilhão no último ano fiscal, ou cerca de 15% da receita total do grupo. A divisão literária deve passar a responder agora por 20% das vendas totais da News Corp., de acordo com Eric Katz, analista de mídia da Wells Fargo Securities, LLC.

A Harlequin registrou uma receita de 398 milhões de dólares canadenses no ano passado, respondendo por 29% das vendas da Torstar e por 32% dos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização. A Harlequin tem mais de mil funcionários em todo mundo, cerca de 350 deles no Canadá. O grupo Torstar também é o dono do jornal mais vendido do país, o Toronto Star.

Apesar das altas cifras, esse é um negócio que tem encolhido, já que as editoras de livros têm enfrentado uma grande mudança nos preços com a consolidação dos livros digitais, que estão se tornando cada vez mais populares. Além disso, o sucesso de Cinquenta tons de cinza, que criou um novo gênero de romance erótico, afetou a receita da Harlequin, que vem caindo desde 2009 – no quarto trimestre a queda foi de 9,5%.

Paralelamente, uma dor de cabeça legal que estava prestes a ir embora voltou a atormentar as editoras. Um tribunal de recursos de Nova York retomou ontem algumas reivindicações de um grupo de escritores com o objetivo de representar cerca de 1.000 romancistas que exigem o pagamento de royalties pelas vendas de livros eletrônicos. Um juiz distrital dos EUA havia rejeitado a ação no ano passado. Autores da Harlequin vão se juntar aos da HarperCollins, que publicou, por exemplo, O Alquimista, do brasileiro Paulo Coelho (com a Bloomberg News).

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