Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & MERCADO

AT&T vai comprar DirectTV por US$ 49 bilhões

Por Thomas Gryta e Shalini Ramachandran em 20/05/2014 na edição 799
Reproduzido do Valor Econômico, 19/5/2014; intertítulo do OI

A AT&T Inc. concordou em comprar a DirectTV por US$ 49 bilhões, num negócio que dá à telefônica americana um importante papel no mercado de televisão paga e aumenta seu poder junto a empresas de mídia, num momento em que o consumo de vídeos está migrando para a internet.

O acordo de compra, que os conselhos administrativos das duas empresas aprovaram no domingo, é o maior do ano e foi fechado apenas três meses depois do negócio que detinha o recorde anterior em 2014: a compra da Time Warner Cable Inc. pela Comcast Corp. por US$ 45,2 bilhões.

Juntos, as aquisições mostram como as maiores empresas de televisão e telecomunicações estão se unindo para lidar com a mudança de cenário no setor de mídia. O crescimento está desacelerando em alguns mercados, como o de televisão e internet sem fio por assinatura, e está explodindo em outros, como o de transmissão de vídeo.

“Não deve haver muita gente com condições de criar uma plataforma nacional de telefonia celular, vídeo e uma rede de banda larga com 70 milhões de residências”, diz Randal Stephenson, diretor-presidente da AT&T.

As empresas apostam que uma escala maior criará mais recursos para investir em novas capacidades e poder para forjar arranjos comerciais no mundo da comunicação.

A união entre a AT&T e a DirectTV irá criar uma empresa com 26 milhões de assinantes de TV, um volume menor apenas que a empresa que poderá ser criada pela união da Comcast e a Time Warner Cable, que terão juntas 30 milhões de assinaturas se o negócio for aprovado pelos reguladores e se os desinvestimentos pendentes forem realizados.

A AT&T informou que pagará US$ 95 por ação da DirectTV, sendo cerca de US$ 66,50 com suas próprias ações e os restantes US$ 28,50 em dinheiro.

Banda larga intensiva

A operação é a maior aposta até o momento de Stephenson e a maior aquisição da empresa desde 2006, quando ela comprou a BellSouth por US$ 85,2 bilhões. Stephenson assumiu o comando em 2007, depois que seu antecessor, Ed Whitacre, transformou uma telefônica regional numa gigante nacional.

Stephenson se esforçou para fechar uma grande transação. Ele tentou comprar a T-Mobile em 2011, mas foi derrotado pelos reguladores. A empresa considerou uma mudança para a Europa para se beneficiar da expectativa de crescimento da transmissão de dados móveis, mas a operação entre a Comcast e a Time Warner Cable trouxe seu foco para os EUA de novo.

Para a DirecTV, liderada pelo diretor-presidente Mike White, a combinação das empresas encerra um período de incerteza em que a ela lutou para mostrar a seus investidores um caminho de crescimento na estagnada indústria americana de TV por assinatura. Ao contrário dos provedores a cabo, a companhia de TV por satélite não tem uma fatia do crescente mercado de banda larga. O braço latino-americano da empresa, menor mas de crescimento mais rápido, está sob pressão devido a instabilidades políticas e econômicas na região, incluindo desvalorizações cambiais. Recentemente, White descartou o impacto dessas ameaças sobre os resultados da empresa.

O acordo deixa a Dish Network Corp, numa posição estrategicamente incerta. Muitos analistas viam a AT&T e a DirecTV como potenciais compradores da provedora de TV por satélite. A Verizon Communications Inc. também foi vista por especialistas do setor como compradora potencial da Dish, mas a telefônica já sinalizou que não está interessada no negócio.

Muitos analistas questionam se o acordo tem valor estratégico significativo para a AT&T, principalmente porque a concorrência de serviços sem fio nos EUA aumentou com a ressurgência da T-Mobile e a aquisição da Sprint Corp. pelo grupo japonês SoftBank, no ano passado.

A AT&T, que tem 5,7 milhões de assinantes para seu serviço de televisão U-Verse – que oferece televisão, internet e telefonia por cabos de fibra ótica – irá se tornar uma concorrente mais poderoso na mídia ao se unir com a DirecTV. Ela ganhará força, por exemplo, com as empresas que licenciam a programação de TV. Teoricamente, como uma provedora maior, a AT&T irá eventualmente conseguir tarifas melhores ao renegociar contratos com parceiros de mídia.

Com a DirecTV no bolso, a AT&T poderá avançar em suas ambições quanto a vídeos on-line. Como muitas outras empresas de telecomunicações e tecnologia, ela está procurando formas de capitalizar o aumento da demanda do consumidor, ilustrada pelo crescimento de serviços de streaming como o Netflix. No ano passado, a AT&T e a DirecTV fizeram ofertas malsucedidas pelo serviço de streaming Hulu.

A AT&T começou a se aproximar de companhias de mídia por ter se interessado no potencial de um serviço de vídeo para internet de qualidade superior, que poderia funcionar em conexões de banda larga sem fio e servir para programação de TV, dizem fontes. A empresa também criou recentemente uma empresa de vídeo on-line em parceria com o empreendedor de mídia Peter Chernin e informou que está analisando diferentes opções de serviços de vídeo on-line, entre eles o lançamento de serviços de nichos ou premium, como o Netflix.

O principal concorrente da AT&T, Verizon Communications Inc., também tem tomado decisões semelhantes e está adiantada, de acordo com executivos do setor. Como a AT&T, ela está interessada em implantar uma tecnologia conhecida como “multicasting”, que pode entregar streamings de vídeos através de banda larga intensiva para muitos usuários simultaneamente sem amarrar muito as frequências utilizadas para transmitir voz e vídeo sem fio. A Verizon adquiriu, em janeiro, a unidade de mídia “On Cue” da Intel Corp., e tem consultado vários proprietários de TV sobre o lançamento de um serviço de TV sem fio.

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Thomas Gryta e Shalini Ramachandran, do Wall Street Journal

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