Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

FEITOS & DESFEITAS > LEITOR SEM VOZ

Seção de cartas dos leitores

Por Geraldo Magela Maia em 20/05/2014 na edição 799

Como leitor assíduo de jornais e revistas, tenho um sonho. As seções de cartas aos leitores deveriam funcionar corretamente. Seria preciso dar voz aos leitores. Infelizmente, o único veículo que publica críticas ao próprio jornal e mantém uma ombudsman é a Folha de S.Paulo. Ainda que isto seja feito de forma não muito transparente, é melhor do que nada. Os outros só aceitam elogios e não dialogam com a sociedade. É esta falta de enfoque no leitor, e não apenas o custo do papel, o motivo da decadência da imprensa escrita e o aumento de cada vez mais informações disseminadas pela internet.

Dois exemplos:

Se alguém escrever uma carta para o mais antigo jornal de Belo Horizonte (o Estado de Minas) questionando o fato de ele ser um jornal mais do governo de Minas do que do povo de Minas eles jamais publicarão. O jornal (sabemos que por motivos econômicos) costuma ser tão aliado aos ocupantes do Palácio Tiradentes que só tem duas opções em suas reportagens: ou assume a propaganda do governo e mostra Minas como um paraíso sem nenhum problema, ou faz malabarismos para mostrar as mazelas do estado sem criticar o governo. Vide a excelente e recente reportagem que fizeram sobre os problemas com a merenda escolar. Eles só não publicaram que o problema ocorre nas escolas estaduais e faltou mostrarem o que estado tem feito para sanar este problema. A verba da merenda é federal, mas o que o estado (Secretaria da Educação) diz sobre isto? O que poderia fazer para complementar e melhorar a merenda? Faltou esta análise. Ouvir todos os agentes envolvidos nesta situação.

Outro exemplo: a revista Veja publica artigos sobre a educação pública assinados por um economista chamado Gustavo Ioschepe. Porém, este indivíduo (que segundo consta é filho de banqueiro e estudou sempre em escolas particulares), que não conhece a realidade dos professores nem do sindicato, não deveria escrever sobre educação pública. Educação não poder ser apenas vista pelo viés econômico – há que se pensar em toda a sua complexidade. No máximo, Ioschepe deveria ater-se a falar em educação sob a ótica das escolas particulares. Ainda assim não poderia ser considerado um especialista. Se alguém escrever para a revista Veja criticando isto, tal carta jamais será publicada.

Infelizmente, os jornais e revistas mantêm páginas chamadas “opinião dos leitores”, “cartas à redação”, “fórum dos leitores”, “Do leitor” e outros títulos só para posarem de receptivas aos leitores. Tais páginas não têm valor algum.

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Geraldo Magela Maia é professor

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