Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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FEITOS & DESFEITAS > COPA DO MUNDO

Sobre a crítica à Copa

Por Jorge Alberto Benitz em 17/06/2014 na edição 803

Em artigo recente na Folha de S.Paulo, Vladimir Safatle publicou artigo questionando a realização da Copa no Brasil (ver aqui). Para quem serve este tipo de crítica à Copa do mundo nesta altura em que já foi decidido ela ser no Brasil? Noves fora Vladimir Safatle representar – a ser verdade o lido nos jornais (ver aqui) – mais um no bloco dos ressentidos – citá-los seria muito fastidioso – que, por não ser escolhido para um cargo municipal, sai, para usar uma imagem futebolística, envergando a camisa antipetista com um fervor mais orientado pelo fígado, e desprezando o preceito de Ulysses Guimarães, que dizia: “Política não se faz com o fígado”. Não vejo o PSOL como desaguadouro maior de uma insatisfação popular.

A direita deve estar mais do que agradecida por ter na sua trincheira um intelectual tão qualificado como Vladimir. Afinal, é ela que será a mais beneficiada ao fim e ao cabo de toda esta campanha difamadora não só do evento, mas do país, por tabela. Por favor, não me venham com a cantilena de que a crítica por ser de esquerda é construtiva. Eu também acho que a Fifa é uma entidade mafiosa e que a “república das empreiteiras” se beneficiou com todas estas obras cheias de aditivos ao inicialmente previsto. Também sei que isso existe desde sempre neste país e não foi inaugurado pelo PT. Vou mais longe, concordo com Cid Benjamin quando diz que o PT corre o risco de passar vinte ou sei lá quantos anos mais no poder e nenhuma reforma de base ocorrer. A indagação que fica é: será que somente uma revolução criaria condições para reformas de base? Sob um regime representativo tradicional, com partidos tipo PMDB, fica inviabilizada de “cara” qualquer tentativa de mudanças significativas, ou não? São perguntas importantes. Isso, sim, é crítica importante e comprometida com uma visão de esquerda responsável.

Eu não votaria pela Copa no Brasil. No entanto, decidido por esta opção, pois não cabe senão apoiá-la. Pelo menos, não jogar no time da oposição sob o pressuposto de que assim quem será o maior beneficiário será o povo, e não o pessoal da Casa Grande, que está torcendo para que tudo dê errado para faturar politicamente logo ali adiante, na hora da eleição presidencial.

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Jorge Alberto Benitz é engenheiro e consultor

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