Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > FUTEBOL & ELEIÇÕES

Pesquisas avaliam Eleição x Copa: quem ganhará?

Por Ricardo Kotscho em 22/07/2014 na edição 808
Reproduzido do blog do autor, 15/7/2014; intertítulo do OI

Três institutos estão com pesquisas em campo neste momento para medir os efeitos da Copa no Brasil na campanha presidencial: Ibope, Datafolha e o mineiro Sensus. É grande a ansiedade nas redações do Instituto Millenium, que apostaram tudo no fracasso do evento, e agora esperam que a decepção causada pela seleção brasileira abale a recandidatura da presidente Dilma Rousseff. Em lugar do anunciado caos, tivemos a maior festa do futebol mundial em todos os tempos.

“Vai sobrar para ela?”, pergunta discretamente a “Veja” desta semana, com Dilma na capa, e já vai logo dando a resposta, em 17 páginas que não deixam dúvidas: sim, apesar do retumbante sucesso do governo federal na organização do evento, a presidente vai pagar a conta pelo “azedume geral”, após as biabada de 7 a 1 que tomamos da Alemanha.

À beira da histeria e sem medo de cair no ridículo, alguns colunistas e editores renomados chegaram a apostar na vitória da Argentina para que Dilma passasse a “suprema vergonha” de entregar a taça a Messi, capitão do nosso “maior inimigo”. A Copa do Mundo ficou com a Alemanha e eles perderam mais uma.

Vantagem expressiva

Os números divulgados nesta terça-feira [15/7] pelo Datafolha com a avaliação dos turistas estrangeiros sobre a Copa no Brasil foram mais um balde de água fria para a urubuzada, que esperneia, mas não desiste: 92% gostaram do conforto e da segurança nos estádios, 83% elogiaram a organização, 82% sentiram-se seguros e 69% responderam que gostariam de morar no nosso país.

Chega a ser comovente a ginástica feita nos últimos dias por certos coleguinhas para inverter o resultado do jogo depois que a Copa acabou, jogando no colo de Dilma o fracasso dentro de campo e atribuindo o sucesso fora dele a outras instâncias, como se o governo não tivesse nada com isso. Em lugar de publicar um imenso “ERRAMOS” coletivo e pedir desculpas ao distinto público, brigam com os fatos e nos mandam esquecer tudo o que escreveram ou falaram antes. São uns pândegos.

Sem piscar o olho, com aquela vozinha fina inconfundível, o senador José Agripino Maia, presidente do moribundo DEM e coordenador geral da campanha do presidenciável Aécio Neves, teve a coragem de dizer, em resposta à prestação de contas feita pelo governo, que quem garantiu tudo, das obras de infraestrutura aos estádios, foi a iniciativa privada.

Queimado este cartucho, só resta à oposição midiático-partidária-empresarial jogar no quanto pior, melhor, na área econômica, mas isto poderá não pegar muito bem com o eleitorado, que seria o maior prejudicado.

Na minha modesta avaliação, pelo que ouço por aí, apesar de toda torcida em contrário, nenhum candidato ganhou ou perdeu muito com a Copa no Brasil e tudo deve continuar mais ou menos como estava era antes da bola rolar no Mundial. Se as pesquisas apontarem um empate em 0 a 0, a vantagem seria de Dilma, que lidera as pesquisas, com larga vantagem sobre os dois principais concorrentes. Qualquer outro resultado para mim seria zebra.

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Ricardo Kotscho é jornalista

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