Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

FEITOS & DESFEITAS > ‘FANTÁSTICO’

Vamos até o Alto do Sumaré…

Por Pedro Henrique Lorena em 29/07/2014 na edição 809

PM do Rio é bandida! Obviamente, você já ouviu essa frase, assim como eu. Principalmente depois do acontecido no Sumaré. O que dizer sobre a atitude dos cabos Lima e Magalhães? Cruel? Talvez sim, talvez não! Calma lá! Vamos discorrer sobre isto, juntos.

A polícia militar fluminense matou um garoto, atirou em outro e soltou o terceiro, teve a gravação do carro que indicia os PMs. E eles fizeram – sim – por maldade! Mas, vamos parar agora e refletir, à opinião pública sobre o acontecimento. Cheguei a ver inúmeras pessoas no Facebook comentando sobre o caso, algumas “xingavam” e até diziam que os policiais mereciam receber o troco, de forma escrupulosa. Enquanto outras levantavam a bandeira de que é necessário fazer o que os PMs fizeram, matar solitariamente sem estar ligado as ordens da corporação. Pois, o Brasil é um país sem política e injusto. E quem rouba tem que morrer. Assim como, quem rouba está para matar.

Ao assistir a reportagem feita pelo Fantástico e ler algumas matérias feitas pelo O Globo, pude sincronizar ainda mais minha opinião. E me levei para os seguintes acontecimentos: “Jovem morre espancado por moradores”, “Mais um linchamento é feito na cidade de São Paulo”, “Este já é o terceiro espancamento feito na semana”. Vocês se lembram disto? Pois bem, todos nós vimos os casos explicitados acima na TV, internet, jornal. Nestes casos, todos os que chegaram a agredir, muitas vezes, algum “jovem bandido” não pereceu na cadeia, nem foi indiciado por homicídio doloso. Por quê? O que faz um morador ter o direito de tirar a vida, ou tentar, doutro? Sem responder criminalmente.

A falência da sociedade

Pois é, a sociedade anda cada vez mais “prostituída” – desculpem-me pelo termo chulo – mas é verdade! Estamos cada vez mais iguais a cocô de neném, sem consistência – molinho, molinho! Não temos mais medidas, não temos mais a proeza de distinguir o que é certo e o que é errado. Os policiais merecem ser presos pelo ato criminoso? Sim, sem dúvida! Mas e os moradores que já espancaram algum jovem infrator? Merecem, também! “Mas são pessoas de bem! Elas só fizeram o que deve ser feito. Imagina um cara chegar com uma arma pra você, e tentar te assaltar?” Espancar até a morte é o que deve ser feito? Então, o que os policiais cometeram é correto! Foram até além e mereciam ganhar uma medalha.

É triste ler, é triste ver, é triste vivenciar! É um jogo de culpados e culposos, onde o certo é errado, e o errado tornou-se certo. Mas, e os bandidos? Estes? Não sei exatamente o que falar! São bandidos por ser, porque querem, porque não têm oportunidades na vida, pelo dinheiro. É uma área marginalizada que infelizmente não tem cura. Mesmo que nós invistamos todo o nosso dinheiro em educação, não há solução! Já ouviu aquela frase que: vaso ruim não quebra? E eu vou te falar, o nosso país, assim como todo o ser humano é um vaso ruim – demais!

E sabe como poderíamos melhorar? Se tivéssemos mais amor no próximo, todos nós descobriríamos que com o amor, tudo se resolve. Com amor se chega a Roma, assim como socos podem ser lidos de trás para frente e não mudarem. Se tivéssemos mais base familiar, se fossemos levados mais vezes a alguma religião, qualquer que seja; se tivéssemos compaixão com quem está derrotado. Talvez, olhar no umbigo seja o que todo mundo aqui, dentre nós, esteja fazendo de mais rotineiro. Somos doutores em desamor, porém não descobrimos ainda que é “de amor” que o homem precisa. Escrevo isto, não para proteger o bandido, ou para acusá-lo, mas apenas para leva-los a uma reflexão mais sã e serena, quem sabe conseguimos a cura do ser humano!?

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Pedro Henrique Lorena é professor de inglês

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