Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Watergate elevou status do ofício de jornalista nos EUA

Por Luís Eblak em 12/08/2014 na edição 811

O jornalismo investigativo ganhou projeção mundial, tornou-se uma expressão de pompa, valorizou a profissão a partir de 1972 e, por tabela, virou moda após a série de reportagens de Bob Woodward e Carl Bernstein sobre o chamado caso Watergate e a renúncia do então presidente Richard Nixon, 40 anos atrás.

Mas a dupla de repórteres do “Washington Post” não inventou esse estilo de jornalismo, pois ele já existia desde muito antes. Deu, porém, o pontapé inicial para formular o conceito –algo como a busca da verdade oculta, aquela geralmente escondida por autoridades.

Pode-se dizer que os primórdios do jornalismo investigativo estão na figura dos muckrakers (caçadores de estrume, em inglês), que revelaram, no início do século 1920, matérias sobre corrupção e práticas ilícitas de grandes empresários dos EUA –muitas publicadas na “McClure’s Magazine”.

O impulso ao estilo foi dado com uma decisão dos organizadores do Pulitzer, o principal dos EUA, segundo Bill Kovach e Tom Rosenstiel, autores de “Os Elementos do Jornalismo”. Eles incluíram a categoria jornalismo investigativo no prêmio a partir de 1964.

Oito anos depois, Woodward e Bernstein iniciaram sua apuração sobre Nixon no contexto de outras grandes reportagens, como os Papéis do Pentágono, publicados pelo “New York Times” em 1971, e o “Massacre de My Lai”, em 1969.

Consequências

Com o caso Watergate, o jornalismo ganhou posição central na democracia americana. Deixou de lado o sensacionalismo, associado à imprensa profissional como algo nocivo.

Provavelmente por isso, virou foco de jovens estudantes e foi parar no cinema com “Todos os Homens do Presidente”, estrelado por Dustin Hoffman e Robert Redford, em 1976.

A profissão foi melhorada. Grandes veículos investiram ainda nos anos 70: o “NYT”, rival do “Post”, criou uma equipe de “repórteres investigativos”; e a CBS lançou o “60 Minutes”.

A popularização trouxe, por outro lado, problemas. Para James Fallows, autor de “Detonando a Notícia”, a glamorização atraiu gente não interessada nas verdades, mas na fama.

O próprio Bernstein já decretou: o jornalismo não aprendeu a lição e voltou a se aproximar do sensacionalismo.

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Luís Eblak é coordenador-assistente da Agência Folha

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