Domingo, 08 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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Um dia para nunca se esquecer

Por Ricardo Kotscho em 16/09/2014 na edição 816

Foi num dia 11 de setembro, como hoje, que o golpe militar deflagrado pelo general Pinochet derrubou o presidente eleito Salvador Allende, dando início à mais sanguinária e assassina ditadura na história da América Latina, que deixou milhares de mortos. Quarenta e um anos depois, o Chile é uma democracia exemplar.

Foi também num dia 11 de setembro que um ataque terrorista contra os Estados Unidos derrubou as Torres Gêmeas, em Nova York, matando mais de 3 mil pessoas e causando prejuízos de 10 bilhões de dólares. O atentado levou o então presidente George W. Bush a lançar uma guerra “contra o terrorismo”. Pois nesta quinta-feira do inverno quente de setembro de 2014 no Brasil, treze anos depois, os jornais nos informam que o atual presidente americano, Barack Obama, anunciou que vai bombardear a Síria, com o objetivo de “destruir de forma definitiva” o Estado Islâmico.

É um dia para nunca se esquecer _ e eu não esqueço. Sem dar nenhum tiro nem jogar bombas em ninguém, foi também num dia 11 de setembro, há seis anos, que entrou no ar pela primeira vez o nosso blog Balaio do Kotscho, então hospedado no portal iG.

Estava passando férias para comemorar meus 60 anos, em julho de 2008, na bela ilha de Fernando de Noronha, a única unidade da federação que ainda não conhecia, quando o celular tocou. E funcionou! Era meu ex-chefe e amigo Caio Túlio Costa, na época presidente do portal e hoje um dos coordenadores da campanha de Marina Silva. Tinha urgência de falar comigo.

O convite era para começar imediatamente a fazer um blog, o que me deixou um pouco assustado, já que minha experiência anterior na internet se limitava a uma colaboração quinzenal ,depois semanal, por fim, diária, no site “No Mínimo”, generosa iniciativa de jornalistas cariocas que não durou muito tempo.

Boas histórias

Escrever novamente todos os dias, de domingo a domingo, não estava nos meus planos naquela época, ainda mais que os blogs já tinham virado uma febre, e eu até brincava:

“Mais um? Daqui a pouco todo mundo vai fazer um blog. E quem vai ler?” Cada grande portal tinha centenas, e eles não paravam de se multiplicar. Ainda levaria um bom tempo negociando salário e acertando o formato, até que uma hora não teve mais jeito, e um dos editores me avisou: você começa no dia 11.

Três anos depois, recebi um convite da Record para trazer meu blog para o R7, hoje o segundo maior portal jornalístico do país, e fazer comentários políticos no Jornal da Record News, comandado pelo Heródoto Barbeiro, líder de audiência no segmento dos canais de notícias. E estou aqui até hoje.

Acho que sou pé quente. Chegar aos 50 anos de profissão, que completei este ano, ainda escrevendo praticamente todos os dias e ter virado jornalista multimídia depois de velho, não foi fácil.

Para completar, sou mais uma vez finalista do Prêmio Comunique-se, que elege os melhores jornalistas do ano em votação direta. Ainda por cima, fui indicado em duas categorias: mídia impressa (revista Brasileiros) e blogs, com este Balaio velho de guerra. É uma prova de que a telinha e o papel podem conviver ainda por um bom tempo. Pra mim, tanto faz qual é a plataforma: tendo uma boa história para contar, qualquer meio serve.

Vida que segue.

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Ricardo Kotscho é jornalista

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