Domingo, 19 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1037
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A quem interessa a cotação do dólar e o índice da Bolsa

Por Cesar Monatti em 07/09/2014 na edição 819

O tempo, em muitos lugares do país, para não dizer em toda a sua extensão, é um tema que interessa virtualmente a todos os leitores, espectadores e ouvintes brasileiros. Fica fácil de entender o porquê de todas as mídias terem a meteorologia como pauta permanente e, até mais, manterem estruturas e especialistas dedicados exclusivamente ao assunto, informando a cada ciclo de vinte e quatro horas ou menos. O esporte, em especial o futebol, igualmente tem uma imensa abrangência e atenção de uma grande parte desse público no dia a dia. E, devido ao grande número de sorteios de loterias diversas existentes no Brasil, muitos milhões de cidadãos, por certo, devem conferir suas esperanças diariamente. Mesmo o horóscopo, sem discussão de mérito, é um item veiculado todos os dias e que deve manter um número significativo de interessados.

Mas, considerados esses exemplos, não parece fácil identificar por que a cotação do dólar e o índice da Bolsa são apresentados todos os dias aos espectadores dos telejornais, ouvintes de radiojornalismo, leitores de jornais e páginas da internet. Quantos interessados diretamente – ênfase ao advérbio – nesses dois números existem entre aquele público? Por que esses indicadores não são apresentados apenas semanalmente, ou uma vez por mês, como informação complementar sobre as notícias de economia e política?

Essa pressão se dá no mundo todo, embora se esteja avaliando a situação nacional a respeito do assunto. Isto é, martela-se diariamente, por todo o globo, a atenção do indivíduo comum, com números que dizem pouco à realidade cotidiana da maioria e impõe-se um peso monetarista e de riscos de investimento a quem está dedicado a manter-se com seus rendimentos de assalariado ou microempreendedores, suprindo as necessidades e algum lazer. Ou simplesmente a correr atrás de recolocação profissional, como em grande parte da Europa, há mais de cinco anos.

Muito mais importantes que o dólar e a Bolsa para a maioria esmagadora dos brasileiros, e por isso, estes sim, é que deveriam ser publicados diariamente, são os índices de juros do varejo, o preço do quilo do pão e da carne de segunda, do ingresso no futebol do dia e do cafezinho no balcão.

A cotação do dólar e o índice da Bolsa estão para a economia popular, como o caviar para a culinária doméstica dos brasileiros: “Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar.”

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Cesar Monatti é aposentado

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