Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > DEPOIS DAS URNAS

Dois e dois são cinco

Por Zulcy Borges de Souza em 04/11/2014 na edição 823

A matemática é uma ciência exata, mas simbólica, onde uma tonelada e um grama são representados pelo mesmo traço do mesmo tamanho. Leitores já estão sendo vítimas de analistas e cientistas políticos, além do PSDB, que acusam de equivocado o resultado segundo turno para a Presidência. Tais analistas e comentaristas são os mesmos que preferem porcentuais à realidade concreta dos bilhões de reais do Produto Interno Bruto (PIB) ou dos milhões de votos de vantagem da nova vitória petista.

O mais grave é, no entanto, o distanciamento entre a chamada opinião pública, mal traduzida nos maiores meios de comunicação, e a opinião popular ou do vulgo, como preferem jornalistas de colarinho branco. Um distanciamento resultante de uma verdadeira guerra em que a última troca de obuses colocou a revista Veja, Rede Globo e grandes jornais de um lado contra governo e Poder Judiciário de outro, tendo como vítimas mortais milhões de eleitores, por conta da manchete de uma delação premiada obtida em off que não deixou de ser notícia no Jornal Nacional, acompanhada do atentado à liberdade de imprensa contra a sede do Grupo Abril, de Veja, em São Paulo. Perpetrado, claro, por um movimento ligado à chapa que reelegeu a presidente.

O desdobramento foi imediato no interior do país, como aqui em Itajubá – sul de Minas – onde jornais e rádios ensandeceram às vésperas da eleição de domingo, ao ponto de articulistas e locutores clamarem contra o comunismo do PT e pela prisão dos seguidores do partido que estaria transformando o país numa Venezuela, numa Cuba.

O final da eleição deixou, porém, o Brasil mais perto de uma Argentina, mas para o mal. Como advertiu a jornalista argentina Graciela Mochkofsky, numa entrevista para a Folha de S.Paulo: “Dividir a imprensa em facções (como faz a oposição no Brasil) fez com que a qualidade da informação na Argentina pagasse o preço. Os inimigos passaram a noticiar qualquer coisa do governo como algo diabólico. Não é uma visão crítica e independente.”

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Zulcy Borges de Souza é jornalista

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