Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

FEITOS & DESFEITAS > LEITURAS DA ‘FOLHA’

Coluna antecipa a nova linha e explica demissão

Por José Luiz Ribeiro da Silva em 11/11/2014 na edição 824

Em um momento de demissões e de busca da imparcialidade perdida, a Folha “ditabranda” de S.Paulo busca através de um de seus ícones – por assim dizer – dar um recado à plebe rude de que o pluralismo voltou. Falo do colunista Clóvis Rossi, que, segundo Luis Nassif, do GGN (ver aqui), foi escolhido como arauto.

Sou o tipo de pessoa que não se impressiona com currículos de jornalistas, principalmente dessas bandas verde-amarelas. Não me iludo, pois acredito que no fundo todos são Mervais. Embora se mude o estilo e o salário todos, sem exceção, são profissionais a serviço de seus empregadores. No caso da Folha, o fato de sair Cantanhêde e sua trupe perfumada e ficar Rossi não quer dizer que Frias Filho tenha ficado mais justo e bonzinho, tipo Jô Soares, que até defende bolivianos em rede nacional para espanto geral da galera “antenada” da TV.

Se Clóvis Rossi sobressai por um viés menos tendencioso e objetivo sobre as análises dos fatos, não faz mais que a obrigação, como ele mesmo diz. Muito embora deva concordar que encontrar uma voz um pouco dissonante, como a de Clóvis Rossi, em um meio marcado pelo revanchismo, corporativismo e servilismo, nos causa estranheza.

Clóvis Rossi domina o idioma sem precisar do corretor ortográfico do Word, diferentemente da maioria de seus colegas de redação. Nasceu e cresceu em um Brasil diferente da maioria dos brasileiros, o que lhe dá, além de dores nas costas, certa coerência de raciocínio com a História. Características que talvez justifiquem a sua postura de “colunista de respeito”, embora eu não acredite que tenha vivido a plenitude dos 50 governos que diz conhecer, mas mesmo assim há de se dar crédito, pois eu não conheço a sua biografia a fundo.

Por outro lado, surpreende é a afirmação de Clóvis Rossi de que não se abala com os resultados das eleições em seu próprio país. Escrito em tomblasé, passa-nos a impressão que Clóvis Rossi possuiu uma alma superior aos demais, ou de que não vive no Brasil, mas em Alfa Centauro. Mas ele se explica:

“Antes de mais nada porque acho que os governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva foram os melhores – ou, no mínimo, os menos ruins – de toda a minha vida adulta, os últimos 50 anos.”

Sem dúvida que foram, pra começar porque antes não se tinha democracia e muito menos liberdade de imprensa (pelo menos nos moldes que concebemos hoje), mas as semelhanças acabem aí. Insinuar que haja qualquer possibilidade de comparação entre o governo FHC e o governo Lula já é subestimar demais o (e)leitor.

Mesmo quando colocados no gênero “cada um na sua”, FHC – o príncipe – foi medíocre. Notabilizou-se (e orgulha-se de) por ter contido a inflação às custas do desemprego dos brasileiros que nele depositaram suas esperanças de uma vida melhor, e o outro, que apesar do primeiro, criou empregos e gerou renda na economia.

FHC teve ao seu lado toda a mídia tupiniquim, na qual se destaca esta Folha, a ponto de um de seus ministros (Paulo Renato Souza) afirmar que o “provão” – uma das muitas excrescências do governo FHC – ter sido ganho na imprensa, com o apoio da mesma, além, é claro, do judiciário, que até hoje o protege.

Quem se dispor a pesquisar a literatura da época FHC irá constatar que o “príncipe” governou “bovinamente”, prestando contas ao FMI e Banco Mundial, conforme as determinações destas instituições para a América Latina. FHC foi apenas um repassador de obrigações o e bedel jeitoso do seu próprio povo.

Já Lula – o operário analfabeto – não só retirou o Brasil do jugo dos bancos internacionais, para ficar por aí. Além de ter toda a mídia tradicional no seu encalço, diuturnamente a plantar escândalos e factoides a ponto de ser denominada como golpista, ou simplesmente PIG.

Clóvis sabe disso, mas o(e)leitor funcional da Folha não. Clóvis é a cara da Folha, assim como o Faustão e o Huck são da Globo – sambam conforme a música, só que alguns acordes à frente, este é o seu maior mérito. Este é o ideário da Folha – ser a mesma mudando sempre.

< ****** José Luiz Ribeiro da Silva é profissional liberal

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