Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > OLHAR PARA TRÁS

Petrobras: a velha e implacável campanha

Por José Maria Rabêlo em 25/11/2014 na edição 826
Reproduzido d’O TREM Itabirano nº 111, novembro 2014; intertítulo do OI

A campanha contra a Petrobras tem raízes antigas, anteriores mesmo à sua criação. Os eternos inimigos de nossa soberania sustentavam a tese de que o Brasil não dispunha de petróleo, que estaria concentrado no outro lado do continente, ao longo de todo o Pacífico, perto de nós, mas fora do alcance de nossas mãos. Seria uma espécie de maldição geográfica, determinada pelos criadores do universo, que teriam nesse terreno uma inexplicável má vontade contra nosso país. Ao contrário do que dizia a lenda, nesse terreno Deus não seria brasileiro…

Desde antes da Revolução de 30, o tema do petróleo começou a despertar as atenções de setores importantes da vida nacional. A principal figura daquela época e dos anos seguintes, em torno do assunto, foi o escritor Monteiro Lobato, que chegou a organizar duas ou três empresas para a exploração de nossos eventuais recursos petrolíferos. Na defesa de suas teses, publicou dois livros, de grande importância para o debate do problema, que tiveram enorme repercussão: A Luta pelo Petróleo no Brasil e O Escândalo do Petróleo. Por causa das fortes críticas que fazia ao governo, acabou sendo preso e condenado a seis meses de reclusão.

No governo do general Eurico Gaspar Dutra, de 1947 a 1950, quando o mundo já entrava na chamada Guerra Fria, tendo de um lado os Estados Unidos e seus aliados e de outro a antiga União Soviética, o Brasil viveu momento de intensa atividade política, aparecendo como um de seus temas centrais a questão do petróleo. O general Dutra defendia a participação estrangeira em sua exploração, tendo inclusive enviado mensagem ao Congresso naquele sentido. Desenvolveu-se no país um dos mais fortes movimentos populares de sua história, o do chamado “O Petróleo é Nosso”, que forçou a revisão da proposta presidencial. Eu me lembro que, como estudante, participei intensamente do movimento, sendo por isso preso duas vezes, em Belo Horizonte e no Rio.

Maquinação publicitária

O governo seguinte, de Getúlio Vargas, estatizou a prospecção, a refinação e a comercialização do petróleo, com a criação da Petrobras, em 1953. Por sua firme posição na defesa de nossos recursos petrolíferos, Vargas enfrentou violenta artilharia sustentada pela grande imprensa e outros círculos conservadores, contrários à propriedade estatal daquela riqueza fundamental e a favor de sua entrega aos consórcios internacionais. Muitos atribuem seu suicídio, com tiro no coração, ao cerco feroz que se fez em torno de sua pessoa.

Na ditadura, a ação contra a Petrobras não se interrompeu, mas não atingiu seus fins devido ao nacionalismo de alguns chefes militares.

No governo de Fernando Henrique Cardoso, quase chegou lá. Por pouco, a Petrobras não foi privatizada. Já tinham até mudado o nome da companhia para Petrobrax, com o objetivo de desnacionalizá-la e agradar aos interesses dos grupos estrangeiros interessados no negócio.

Nos últimos meses, a campanha retornou com o furor antigo, tendo à frente, como sempre, a Rede Globo, seguida, dentre outros, por esse pitbull senil e decadente, que é a revista Veja.

Todo o tão apregoado escândalo da Refinaria de Pasadena, exibido como a denúncia da vez, resume-se a isto: a um mau negócio que teria sido a compra da empresa norte-americana, o que aliás até hoje não foi comprovado, havendo muitas díspares opiniões a respeito. Seria portanto caso de improbidade administrativa, que deveria ser investigado pelos órgãos internos da empresa e pelas instituições de fiscalização e controle público. Toda a maquinação publicitária que se armou a propósito tem o mesmo sentido das velhas campanhas e do velho ódio à Petrobras. Agora, com um novo ingrediente: o pré-sal e sua importância para o futuro do Brasil.

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José Maria Rabêlo é jornalista

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