Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > ‘O TREM ITABIRANO’

Irritado com críticas, prefeito corta publicidade no jornal

Por ‘OTI’ em 20/01/2015 na edição 834
Reproduzido d’O TREM Itabirano n º 113, janeiro de 2015; título original “Irritado com críticas, prefeito Damon de Sena corta publicidade nO TREM”

O prefeito [de Itabira, MG] Damon de Sena, irritado com críticas feitas pelO TREM ao governo por ele capitaneado, cortou os anúncios publicitários da prefeitura neste jornal. Tem anunciado em vários órgãos, incluindo alguns de quinta divisão (aduladores, áulicos, baba-ovos, lambeteiros, bajuladores, servilões…), mas decidiu censurar economicamente esta locomotiva, agora no index prohibitorum do Poder Executivo.

Equivoca-se quem pensa que esse corte – ou retaliação, como também pode ser interpretado – é problema particular dO TREM, afeto apenas ao campo privado. Há interesse coletivo aí, pois se trata de como o governo administra a milionária verba da publicidade, que é dinheiro público, de todos.

O TREM já informou ao leitorado, com clareza, a posição desta Casa sobre o assunto e a reitera. A publicidade da prefeitura itabirana deve ser feita com parcimônia, nada de gastar milhões, milhões, milhões e milhões. Conter o mínimo possível de autoelogios ao governo e favorecer a cidadania: orientar a população sobre saúde e esclarecer sobre leis, direitos e deveres. As peças devem ser publicadas apenas em órgãos com um mínimo de credibilidade, nada de anunciar em veículos vagabundos, adeptos da baixaria, pois fazê-lo é prestar desserviço a Itabira.

Dinheiro de publicidade de prefeitura não pertence ao prefeito, é do povo, portanto, deve ser discutido em público, com voz alta, sem receio, como se está fazendo aqui.

Assim que O TREM soube da retaliação econômica do governo Damon de Sena, enviou-lhe esta comunicação.

“Sr. Edilson Lopes Magalhães, secretário municipal de Governo.

Chegou-nos a informação, passada por um membro do próprio governo Damon de Sena, de que a prefeitura decidiu cortar a publicidade nO TREM por causa de críticas publicadas em nosso jornal. Externo aqui nosso repúdio a essa decisão, que saberei respeitar, mas repudio. 

Julgamos ser um erro fazer censura econômica à imprensa, principalmente a um jornal respeitado em todo o Brasil, com robusto histórico de bons serviços prestados a Itabira, um jornal que virou divulgador espontâneo de Itabira para o país e o mundo, como é fácil perceber pelas numerosas reportagens sobre O TREM em relevantes órgãos de comunicação do país.

É um erro da prefeitura pretender trocar publicidade por cobertura amena ou, pior, bajuladora. Muitos podem aceitar tal acordo, mas quero aqui cravar em documento a nossa posição: O TREM não entra nesse túnel. Jamais entrou, jamais entrará. O TREM trata informação como bem público e nunca aceitará barganhar informação.

O TREM jamais aceitou imposição de político. Quer sugerir? O jornal está aberto. Quer argumentar? O jornal está aberto. Quer contestar informações por nós publicadas? O jornal está aberto. Agora, quer bajulação ou cobertura cega? O TREM está fechado.

Nossa linha editorial, nesse quesito, é firme como uma rocha de minério de ferro e jamais será dinamitada por quem quer que seja. Há sangue republicano nO TREM. Há sangue inconfidente nO TREM. O que nos faz ser assim é nossa paixão pelo jornalismo e por Itabira. O que nos permite ser assim é o fato de que tudo no jornal (impressão, distribuição, diagramação, telefone, internet, correios, impostos, pessoal…) é pago pelos nossos assinantes.

Foi com essa firmeza editorial, somada ao talento de nossos colaboradores e à nossa disposição para o trabalho incessante, que construímos uma trajetória jornalística respeitada, da qual tanto nos orgulhamos.

Com grandeza de ambas as partes, é possível manter um relacionamento comercial e jornalístico respeitoso, profissional, entre a prefeitura e O TREM, em que esteja a salvo, sem arranhão, nosso dever de informar o leitorado. Se não for assim, não seria grande para nenhum lado e não nos interessa.

A título de informação: nas poucas vezes em que a prefeitura anunciou conosco, juntamos todo o recurso numa conta em banco para ser usado na montagem de uma biblioteca que será aberta ao público. Sonho nosso para ampliar o conhecimento em nossa cidade, tão precisada de ações pró-leitura. Sonho, aliás, que começa a atrair grandes parceiros, como a empresa Vale, com a qual acabamos de fechar parceria cultural para doação de livros. Outros parceiros estão aderindo, como alguns dos maiores escritores do país. Portanto, censurar economicamente O TREM, além de tudo, é deixar de reforçar um projeto cultural valioso socialmente.

Fica, nessas linhas, externada nossa posição, que, resumida, significa: O TREM praticou jornalismo, pratica jornalismo e sempre praticará jornalismo, o que pode ser entendido desta forma: o dinheiro é grande, mas o homem tem de ser maior. Também dá para pegar uma carona com o político inglês Benjamin Disraeli: “A vida é curta para ser pequena”.

Um governo tem de saber conviver com as críticas da imprensa honesta e batalhadora.

Relação imprensa/poder público é tensa mesmo – e deve ser assim. Se houver mansidão é que está errado, se cair na pasmaceira é que está errado. Significa que um dos lados não está cumprindo sua função. Ou ambos.

Uma imprensa dócil, bobona, débil, só aparentemente é benéfica. No fundo, é inimiga. Uma imprensa crítica, que incomoda, mas é honesta, só aparentemente é oposição. No fundo, é amiga.

Sintoma certeiro de que um governo se apequena é quando passa a rechaçar tudo aquilo que não é medíocre.

Continuaremos sendo o mesmo jornal de cujas páginas o prefeito Damon de Sena retirou aquelas palavras que, em janeiro de 2013, encaixou no discurso de posse dele, citando a fonte apenas pela metade: ‘Lembrar todos os dias, quase como uma oração, de que Itabira tem vocação é para a grandeza’.

Respeitosamente, Marcos Caldeira Mendonça, editor dO TREM Itabirano”.

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