Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > ANOS RAIVOSOS

Ensaio sobre a cegueira

Por Sérgio Mesquita em 03/03/2015 na edição 840

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.” (José Saramago)

Inicio pedindo licença ao velho e bom escritor, falecido, José Saramago, para tomar emprestado o título de um dos seus livros. Utilizo-me da “cegueira” e não da “lucidez”, outro de seus livros, apesar do assunto ser a Política, tão bem tratada na “lucidez”. Explico.

A cegueira de que tratamos é consequência da “sanha” com que nossa mídia, nossa “democrática” mídia, vem tratando a política nacional na busca de satisfazer seus interesses e os interesses daqueles que ela representa. Seu objetivo é uno e seu foco é doentio. Doentio a ponto de perder qualquer vestígio de ética ou reparar no entorno, nas consequências que poderão advir de seus atos, compartilhados por uma direita igualmente cega.

Doze raivosos anos para desconstruir o PT – que tem ajudado – no intuito de, além do poder, voltar a ter o controle da máquina estatal. Nem que, para isso, precisem destruir as instituições que definem o Estado Democrático, desqualificando os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, como também investem no desacreditar da política, mola mestra de qualquer sociedade que tenha a intenção de se considerar civilizada.

Pensam eles nas possíveis consequências de seus atos ou não conseguem mais tirar os “antolhos”, já enraizados em seus corações e mentes?

Investiram pesados na operação “Lava Jato”. Manipularam, inventaram e agora, que ficou claro para todo mundo que mesmo antes do golpe civil-militar a corrupção já existia, cresceu exponencialmente durante aquele período ditatorial e, hoje, continua firme e forte, não sabem mais como parar o que iniciaram. Não sabem como abafar dos escândalos, cada vez mais escabrosos, o nome de Aécio e dos membros do PSDB e PMDB. Acreditavam que ficariam somente no PT. Mas não interessa! O objetivo supremo é tirar o PT de Brasília e os antolhos não permitem ver outra coisa.

Destruir, nunca conciliar

Relatórios apontam o número de até 250 parlamentares envolvidos de alguma forma no escândalo. Seja recebendo propina ou tendo a campanha “ajudada” pelas empresas envolvidas. Tentam colar os nomes de Lula e Dilma, tentam um golpe sem armas, apoiados nos favores de um Judiciário também comprometido, por conta de alguns de seus membros.

O que a cegueira não os deixa ver é que no “frigir dos ovos”, podem não sobrar candidatos e/ou partidos. Pode não existir mais a Política. Civilização sem Política é barbárie, é o caos. E nesses momentos é que se fabricam os salvadores da pátria.

Não irão apoiar o que sobrar da extrema-esquerda e só sobrarão aqueles da outra extremidade, a direita reacionária. Apoiarão os “Bolsonaros” da vida na próxima eleição. Pois serão eles que cairão no colo de uma mídia que, em recente passado, ajudou a assassinar muita gente para ter suas regalias e o crescimento de seus “negocin” com a ditadura. “Marinhos” e “Civitas” pulando de alegria em seus caixões, enquanto seus seguidores estarão fumando charutos cubanos regados a scotch.

Na realidade, quem tem que lutar para não deixar que se coloquem os antolhos somos nós, os mais de cem milhões de brasileiros que vão votar mais à frente. Porque, se depender deles, a mídia e seus representados, só nos restarão os bolsonaros, malafaias e outros elementos que desconhecem o verdadeiro valor da palavra democracia.

Que a Polícia Federal continue a fazer seu trabalho com a tranquilidade que nunca teve. Que o Judiciário lembre que o Brasil é bem maior do que o mundo privilegiado em que vivem. Que o PT pare de compor com a classe dominante, pois para eles somos inimigos e, como inimigos, tentarão sempre nos destruir, nunca conciliar. Continuar compondo após doze anos de governo, é entregar para o bandido a próxima eleição.

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Sérgio Mesquita é servidor público, Maricá, RJ

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