Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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FEITOS & DESFEITAS >

A banalização da violência

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 28/10/2008 na edição 509

Não lembro a última vez que assisti a algum programa policial que trate da violência urbana como ‘produto’, pois identifiquei que, inconscientemente, os produtores e apresentadores estão propagando a violência e ‘glorificando-a’ desnecessariamente. Passou desapercebido que a banalização da violência urbana vem produzindo vários fenômenos dentro da mesma. Virou moda, por exemplo, marginais ‘gozarem’ ao aparecer na mídia, como se fosse alguma vantagem, mas para o seu contexto social, ele, o preso, é reconhecido e temido, o que lhe dá certa satisfação. A sociedade civil é omissa e conivente e reconhece e tolera hoje o ilícito e o ilegal e em muitos locais, tais como o tráfico de drogas nos morros do Rio de Janeiro, onde os traficantes ‘ajudam’ as comunidades, prestando os serviços elementares que são de obrigação do Estado, os moradores daquelas plagas sentem-se desprotegidos quando há operações policiais por lá e preferem a pseudo-segurança ofertada pelos traficantes, em vez da oficial, que é obrigação do Estado.

Se levarmos em conta somente o que vemos pela mídia, corremos o risco de sermos induzidos ao erro, pois mostram-se somente ângulos da notícia e quase nunca a realidade dos fatos. Assistindo aos noticiosos televisivos sobre os conflitos no Oriente Médio, podemos imaginar que ali há guerra sem fim, mas a realidade é outra, pois em Israel, por exemplo, o índice de violência urbana é próximo de zero e nos países limítrofes também assim é. A mídia dá destaque aos atos isolados de terrorismos, como se fosse acontecer a todo o momento e em todos os lugares, mas se comparados aos índices de morte no trânsito e com ‘balas perdidas’, vê-se que ser vítima fatal em ato terrorista é infinitamente menos provável do que naquelas outras situações.

Considerável responsabilidade

Há inequívoco interesse dos Estados Unidos em propagar o medo e a iminente – mas falsa – idéia de que eles estão sempre em perigo e que a qualquer momento poderá acontecer outro atentado igual ao do 11 de setembro de 2001, quando se sabe que o mesmo foi ‘patrocinado’ pelo próprio governo americano para justificar as guerras no Afeganistão, Iraque e outras que estão por vir. Tem muita gente faturando alto com a violência urbana e a desgraça dos outros.

Qualquer um de nós poderá ser a próxima vitima da violência urbana, pois a mesma sempre existiu, desde tempos imemoriais, mas de tempos para cá, ela ganhou nova ‘roupagem’ e é tratada como ‘produto’, pois se ‘vende’ a mesma para opinião pública na forma que se quer e de maneira equivocada. A mídia tem considerável responsabilidade na banalização da violência urbana.

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Advogado

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