Sexta-feira, 16 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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FEITOS & DESFEITAS >

A careta e a ética

Por Graça Lago em 03/01/2012 na edição 675

Para quê? Toda notícia que envolve crianças me emociona; toda agressão a crianças me ofende. Por isso, hoje estou profundamente triste. É que os jornalões e sites de notícias de hoje (29/12) dão destaque à foto de uma criança cuja face aparece distorcida em uma careta. Trata-se do filho do sr. Jader Barbalho. O flagrante tem um objetivo óbvio: atingir o pai do garoto, fazendo uma alusão ao comportamento do senador e da justiça que permitiu a sua posse.

Realmente, o destaque dado à foto não é porque o menino mostrou a língua para fotógrafos e cinegrafistas; há milhões de crianças fazendo a mesma careta pelo país afora, a cada minuto. Deve-se reconhecer que o objetivo da mídia foi plenamente atingido. Só que tem um porém: isso foi obtido à custa da imagem, da autoestima e da dignidade de uma criança de apenas nove anos. Porque, mais do que filho de fulano ou beltrano, trata-se de um menino, apenas um menino de nove anos, exposto ao ridículo, ao deboche e ao linchamento moral pelos principais órgãos de comunicação do Brasil. Cometeu o crime de ser filho de fulano e, em algum momento de um dia entediante, fez uma careta!

Mesmo que fosse um menor infrator, a nossa lei impede essa exposição. O tratamento dado ao menino fere a Constituição brasileira e o Estatuto da Criança e do Adolescente. É um crime contra a infância perpetrado pela chamada grande imprensa, que submete essa criança a mais do que prováveis danos morais e psicológicos. É bullying, é abuso. Como esse menino será recebido no clube, nas rodas de amigos, na escola? Como enfrentará os coleguinhas? O que ouvirá deles? Os comentários espalhados na internet são de causar vergonha e medo. O menino é xingado de todas as formas; alguns pedem que seja surrado. Os pouquíssimos que tentam defender o garoto são igualmente insultados. Argumenta-se que o erro começou no pai, que não deveria ter levado a criança à cerimônia, que é pública, que… E, já que o pai errou, a imprensa e os comentaristas da internet têm é que lavar as mãos e aproveitar. E pau na criança! Esquecem que a proteção à infância é um dever de toda a sociedade; como em grande parte dos bichos, deveria ser um instinto natural porque é o nosso futuro. Triste é ver que perdemos a compaixão pelas crianças.

Triste é ver que a guerra política corrompeu os nossos melhores sentimentos. Triste é ver que, em nome de uma pauta, a grande imprensa manda às favas os seus códigos de ética, manuais de redação e propaladas políticas de responsabilidade social. A foto não teve qualquer valor para a notícia; não enfatizou ou acrescentou informação, não ajudou a entender melhor o fato, não piorou ou melhorou a imagem do senador. “Apenas” expôs uma criança. E nada, nem o mais alto ideal, justifica colocar em mais do que presumível risco o equilíbrio emocional de uma criança de apenas nove anos (Graça Lago éjornalista, Rio de Janeiro, RJ)

 

Dono de jornal é agredido por vereador

O proprietário e editor-chefe do jornal quinzenário Gazeta de Notícias de Arujá (Grande SP), Alípio Ferreira, foi agredido no dia 29 de dezembro pelo vereador João Godoy (PMDB) e pelo presidente do do PMDB de Arujá, Osvaldo Coutinho Júnior. Alípio sofreu escoriações na boca e ferimento no olho causado por um soco do vereador João Godoy. A agressão de ambos ocorreu devido a uma nota publicada no referido jornal. O editor do jornal registrou BO na delegacia local, fez exame no IML e vai acionar juridicamente os agressores na justiça. É, no mínimo, um atentado contra a imprensa. Alípio foi atendido por um médico oftalmologista e segue tratando o ferimento no olho (Honório Rocha de Alencar, jornalista, Arujá, SP)

 

Banalização da morte

É lamentável verificarmos a banalização da morte promovida por alguns meios de comunicação de grande alcance. A seguir, brindo-os com dois exemplos recentes, ambos da Folha de S.Paulo: aqui e aqui.

Quando leio matérias desse nível, fica a dúvida sobre o que é pior: os trágicos fatos em si ou a vergonhosa falta de sensibilidade do “profissional” que os publicou. Em atenção às memórias das vítimas e em respeito aos familiares, um meio de imprensa dito respeitável nunca deveria exibir a morte em vídeo como se estivesse exibindo um programa de variedades ou uma pegadinha do Faustão. É asqueroso ver que há total falta de tato e de humanidade por parte de um agente da imprensa. Diante disso, gostaria de saber se existe algo que possa ser feito para evitarmos que a vida destas pessoas que foram assassinadas friamente seja tratada como mero “entretenimento”. Atenciosamente (Carlos Ballock, gerente de produto, São Paulo, SP)

 

Venda da Rede CNT para Ongoing

Olá, gostaria de sugerir uma observação sobre a situação atual da Rede CNT e sua relação com a empresa portuguesa Ongoing, para a qual parece ser alvo de interesse. Algumas dúvidas surgiram desde o início desta negociação, como: a emissora paranaense foi mesmo vendida? O que mudará após a venda? Como ficará sua qualidade de programação e o que será exibido? Agradeço a oportunidade de manifestar minha sugestão e espero algum artigo sobre este assunto que muito interessa aos milhares de telespectadores do canal (Alex Pereira, projetista e blogueiro, Sumaré, SP)

 

Observatório errou

É com muito lamento que me expresso sobre um dos comentários no OI no rádio: a questão de um deputado que era cristão e saiu da sua igreja. O OI fala que um certo pastor estava vendendo “spray expulsa demônio” e os senhores comentaram isso como verdade. De fato, não é. Esta notícia foi um vídeo de YouTube montado por pessoas inimigas deste pastor e não era preciso muito conhecimento de causa e pouca pesquisa para chegar a essa conclusão, como eu cheguei. O OI que sempre ouço caiu na sua própria crítica, pois não pesquisou antes de falar. Espero que meu comentário não passe em branco, pois é um alerta para que não ocorra tamanho erro (Jean Carlo Junior, eletrotécnico, Salvador, BA)

 

Charges de Chico Caruso

Sou leitor deste site e queria chamar a atenção de vocês para um assunto. Gosto muito do Chico Caruso, mas tenho ficado incomodado com as charges que ele tem publicado expondo de maneira indigna os réus do mensalão. Não gosto deles e acho este um processo que deve ser exemplar para nosso país ser realmente um país de primeiro mundo. Mas expor pessoas que sequer foram condenadas ainda – e mesmo que o fossem – da forma como ele faz, me lembra os americanos e suas prisões de triste fama no Iraque. Pergunto a vocês: o que é liberdade de imprensa e o que é abuso contra a dignidade humana neste caso? (Cristiano Oliveira, bancário, Rio de Janeiro, RJ)

 

Por que a TV Brasil não dá audiência?

“Por que a televisão do governo não dá audiência?…. O público sabe que dali só vem o joio, propaganda e notícia invertida para o lado errado. O que mostra… desperdício do dinheiro do contribuinte…” (Carlos A. Sardenberg, O Globo, 22/12/2011, pág. 6). Bom tema para o programa. O jornalista é um defensor contumaz dos interesses privados e cria várias confusões, como entre público e governo, política e ação parlamentar (política é apenas o que os parlamentares fazem) etc.; ou seja, é um ideólogo das grandes corporações da imprensa e de outros setores. De qualquer forma, sua afirmação é muito dura e, em minha avaliação, deveria ser pautada. Um grande abraço à equipe do OI e a Alberto Dines pelo melhor programa da TV brasileira (com muita ou com baixa audiência). (Marcos Antonio Campos Couto, professor, São Gonçalo, RJ)

 

Denúncia e ajuda

Gostaria de informar sobre a irregularidade de um jornal que circula na cidade de Altinópolis (interior de São Paulo). O jornal em questão, intitulado Nóis Aqui, circula sem ter um jornalista responsável e sem ter algum jornalista que escreva no jornal. O mesmo possui um site na internet: www.altiaqui.com.br, que tem como finalidade ofender e destruir a imagem de pessoas do município com cunho político e partidário. O dono do jornal, Ademir Feliciano, registrou o mesmo no nome de sua esposa (na firma dela). Ele já possui diversos BOs e processos de pessoas físicas do município por calúnia e difamação. Estou escrevendo – sou radialista na cidade e estudante do último ano de Comunicação Social – para saber quais as providências que posso tomar contra esta pessoa que, além de não ser jornalista, se apresenta como tal, inclusive com carteirinha da imprensa nacional. Gostaria também de saber de vocês se o mesmo tem autorização para usar esta carteirinha. Ou se a mesma pode ser falsa? No mais, fico no aguardo (Michel Mani Nazar, radialista e jornalista, Altinópolis, SP)

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