Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > OI NO RÁDIO

A cobertura do mensalão e das eleições

Por Mauro Malin em 09/08/2012 na edição 706

Comentário para o programa radiofônico do OI, 9/8/2012

 

Nenhuma eleição é igual a outra, mas neste ano os jornalistas enfrentam a dificuldade adicional de se desdobrar para informar diariamente sobre importantes processos políticos que concorrem por espaço: o julgamento do mensalão e a campanha eleitoral. O repórter Daniel Bramatti, do Estado de S. Paulo, falou ao Observatório da Imprensa sobre esse desafio.

Daniel Bramatti− Realmente nós estamos enfrentando um desafio, não só aqui no Estadão, mas imagino que esse quadro se repita em outros jornais, de disputa de espaço entre dois assuntos muito importantes neste ano. No caso, o mensalão e a cobertura das eleições municipais. Para complicar, é muito provável que no decorrer da campanha os assuntos acabem se sobrepondo. Certamente, candidatos vão citar a questão do mensalão, principalmente se houver condenações. Jornal, no papel, nós temos um espaço limitado e certamente vamos trabalhar com essa dificuldade de ter que dar destaque a dois assuntos que merecem. O que nos ajuda um pouco nesse aspecto é a existência da internet. Falando pelo Estadão, posso dizer que o nosso aproveitamento no portal é praticamente 100% – todo material produzido é publicado, e isso traz muita informação para os leitores, [informação] que não necessariamente está no papel, mas ela está publicada.

Nós teremos também cadernos especiais sobre eleições. No caso de São Paulo vamos ter cadernos que tratem dos problemas da cidade, cadernos específicos sobre a questão de como eleger uma câmara de vereadores e outros assuntos [como] geografia do voto etc. A questão está colocada, mas acreditamos que com a internet e com os cadernos especiais vamos ter condições de colocar todas as informações importantes com o destaque que elas merecerem.

Na segunda-feira (6/8), o jornalista José Roberto de Toledo comentou no Estadãoreportagem de Daniel Bramatti onde ele mostrou que o tempo de exposição de um candidato na televisão é fator decisivo na conquista de votos. Bramatti falou sobre a pesquisa em que se baseou a matéria.

D.B. –A gente fez uma pesquisa com base nos dados da eleição de 2008 e constatamos uma correlação muito alta entre tempo de TV e voto, ou seja, a parcela do tempo de TV, no final das contas, se parece muito com a parcela de votos. Se o sujeito tem 25% de tempo de TV, ele vai ter algo parecido lá na frente. Óbvio que há algumas exceções, não é uma ciência absoluta, mas isso mostra como a política hoje gira em torno da imagem. E isso explica um pouco porque os partidos estão tão envolvidos nesse leilão de legendas. Os acordos pré-eleição sempre envolvem tempo de TV. Os partidos grandes engolindo os pequenos, ou até alugando os pequenos, podemos dizer, para criar a exposição dos seus candidatos. Não é uma questão de capricho: como os números mostram, às vezes um minuto a mais ou a menos de exposição pode definir o futuro do candidato.

Nos últimos dias, tem frequentado as páginas o sucesso inicial da campanha de Celso Russomano. Daniel Bramatti entende, porém, que as chances do candidato do PRB serão decrescentes a partir do momento em que entrar no ar o horário eleitoral.

D.B.– O que o [José Roberto de] Toledo escreveu na coluna é um pouco da questão da despolitização das eleições, o que favorece celebridades como o Russomano. Observando o resultado de algumas pesquisas, que mostram uma alta taxa de rejeição ao candidato José Serra, nos parece que há uma parcela grande do eleitorado que votou já no Serra, que hoje não quer mais votar no Serra, que rejeita o PT, e está à procura de uma alternativa. Então, o entrevistado pega a cartela dos institutos de pesquisa e vê um nome lá que lhe é familiar, Celso Russomano. Isso pode estar explicando em parte a ascensão desse candidato nesse período que antecede o horário eleitoral. A grande dúvida é se isso vai se manter. Eu acho que vai ser muito difícil que esse caso não mude, porque no tempo de TV existe uma correlação com o voto, mas a causalidade não é estabelecida. Quer dizer, por trás de um alto tempo de TV está uma maior organização partidária, uma coligação mais forte, provavelmente uma campanha mais bem financiada, e isso tudo tem peso. Todos esses fatores vão agir daqui para a frente contra o Russomano.

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