Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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A comunicação social e as novas mídias

Por Luís Nassif em 11/08/2009 na edição 550

James Grunning é um especialista em comunicação social das empresas, professor da Universidade de Maryland e coordenador de um projeto que tomou mais de 7 anos, com 320 empresas dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, para analisar o papel da comunicação para melhorar o valor das empresas.

Está no Brasil para o lançamento de um novo livro.

Do início de suas pesquisas – em 1990 – até hoje muito mudou, especialmente o papel da mídia, com o advento da internet e de outras tecnologias de informação.

Mesmo antes desses fenômenos, Gruning nunca acreditou que a mídia, de fato, ajudava a construir reputações.

Mídia regional

Com 50 anos de pesquisa, diz ele, os resultados mostram que a influência da grande mídia não é tão grande quanto se imaginava. O efeito principal consistia em fixar a pauta sobre aquilo que as pessoas deveriam pensar e refletir. E depois apresentar a opinião publicada, não a opinião pública propriamente dita.

A opinião pública – pelo menos nos EUA – é o resultado da interação direta das empresas com as pessoas, com organizações, com outras empresas, com entidades representativas da opinião pública, diz ele.

Mas não seria uma característica específica de países avançados?, pergunto. Diz ele que sua primeira experiência foi nos anos 60 na Colômbia. Passou um bom tempo com os camponeses. Naquele tempo, diz ele, havia a tendência de supor que se poderia aumentar o desenvolvimento através da mídia.

Na análise do dia-a-dia, sua conclusão foi a de que o conteúdo da mídia era irrelevante sobre desenvolvimento das pessoas. A maioria não utilizava os meios massivos, que não tinham efeito relevante nas suas vidas.

Em relação a temas relevantes, as pessoas controlavam a maneira como utilizavam a mídia. O jornal regional tinha maior peso do que a grande mídia.

Controle mútuo

O poder da mídia convencional se dá em relação aos governos centrais. Até então, eram a única fonte de informação sobre o governo. Até o próprio formato da mídia dificultava o acesso do público às informações. Cada notícia tem seu enquadramento, de acordo com a ideologia do jornal, a formação e as convicções de cada jornalista que escreve a matéria, diz ele. Na falta de informações alternativas, havia um aumento do poder das fontes de informação convencionais sobre o governo.

Com a nova mídia, há um conhecimento e controle muito mais amplo sobre os atos públicos. O resultado é que o público passa a ter controle do acesso sobre o conteúdo que lhes interessa na mídia.

Em relação às empresas, sua opinião é a de que cada vez mais elas passarão a se comunicar com o público e com os jornalistas através de suas web páginas ou Blogs.

Com isso haverá um controle mútuo: da imprensa conferindo as informações das empresas; e as empresas conferindo a exatidão das informações da mídia.

Esse movimento obrigará cada vez mais as empresas a se abrirem para a opinião pública, fornecendo cada vez mais informações e prestação de contas.

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Jornalista

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