Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > NOVA E

A crença na transformação

Por Fernando Soares Campos em 08/12/2009 na edição 567

Para quem não conhece a revista digital NovaE (na internet ‘desde 1999, um devir’), aqui vai um pequeno trecho copiado de sua própria apresentação, na seção que trata do seu histórico:

‘Uma das contempladas, neste 2009, com o Prêmio Ponto de Mídia Livre do Ministério da Cultura, a revista Novae.inf.br nasceu em 5 de outubro de 1999 e não tem aporte de nenhum grupo financeiro. É um ponto de debate sobre temas hiperlinkados com a sociedade do conhecimento, cibercultura, inclusão digital, comportamento, ativismo de transformação, nova economia, política, cultura, literatura, mídia, filosofia, vida sustentável, ciência, religação, metafísica e cidadania.’

Alguém pode dizer que se trata de autopromoção. Pois que o diga, e ninguém há de censurá-lo; afinal, estamos cansados de ver slogans como, por exemplo, ‘Um jornal a serviço do Brasil’, quando a palavra ‘brasil’, nesse caso, poderia ser substituída por qualquer outra mais ou menos dignificante, sem alterar o mero sentido propagandístico da frase usada pelo jornal Folha de S.Paulo.

Mas quem conhece a NovaE sabe que, mesmo lendo o que seus próprios editores e mantenedores falam sobre os seus objetivos, ali existe uma espécie de aura de sinceridade e verdade expressas. É como se estivéssemos olhando nos olhos de quem está falando e não identificássemos qualquer tique nervoso, como acontece com os muito inseguros (nem me refiro aos mentirosos). É como se estivéssemos ouvindo a firmeza de quem está se comunicando de viva voz, com espontaneidade, e não captássemos qualquer vacilo, próprio dos que, às vezes, falam com o fígado (não estou me referindo nem mesmo aos que ‘pensam com o fígado’, mas aos que de vez em quando exteriorizam suas instabilidades emocionais).

Agressões verbais

Claro que, se você acessar a NovaE, vai encontrar uma relação de títulos de artigos, crônicas e contos de minha autoria. E eu não negaria sua razão se dissesse: ‘Agora entendi porque ele elogiou tanto a NovaE.’ Mas eu lhe garanto que não foi esse o motivo que me estimulou a declarar o respeito e a admiração que sinto pelos que fazem aquela revista digital.

O Manoel Fernandes Neto, jornalista (MTb 19.916) responsável pela editoria da NovaE, afirma que não foram poucas vezes em que ele precisou segurar os ânimos de colunistas e colaboradores em geral, quando estava evidente que estes elaboraram seus textos sob incontrolável influência dos seus estados emotivos.

Já tive dois ou três textos que os editores, com quem colaborava há muito tempo, decidiram não publicá-los, em vista das agressões que veiculavam. No primeiro momento, senti raiva deles. Passado algum tempo, suficiente para arrefecer meus exaltados ânimos, me senti grato por terem me negado o espaço, até porque os alvos de minhas agressões verbais não valiam a energia desprendida. Um dos casos ocorreu exatamente na NovaE.

Senso de justiça

O Observatório da Imprensa já enxugou um texto meu antes da publicação. O que foi retirado não alterou em nada o sentido do que eu estava dizendo. Foram duas ou três palavras que, se mantidas no texto, apenas revelariam certo desequilíbrio emocional do autor. E aquilo transformaria meus argumentos em simples questão pessoal, coisa de quem simplesmente não simpatiza com o personagem alvo de suas críticas.

Discordo apenas de determinado editor que, depois de eu ter colaborado durante mais de três anos com o portal que ele administrava, suspendeu minhas colaborações porque meus escritos não se alinhavam com a sua visão político-ideológica em relação ao governo Chávez, que defendo por convicção de que, no geral, está no caminho certo.

Em se tratando de temas voltados especificamente para política e governo, na NovaE o leitor vai encontrar autores que apóiam o governo Lula e outros que a ele se opõem, criticando sua administração, mas não encontra quem difame gratuitamente nem Lula nem qualquer elemento da oposição.

Isso muita gente chama de ‘imparcialidade’. Prefiro dizer que se trata de exercício do senso de justiça.

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Escritor, Rio de Janeiro, RJ

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