Sábado, 23 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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FEITOS & DESFEITAS >

A criança que mordeu o cachorro

Por Robson Silva em 10/02/2009 na edição 524

Essa foi uma das primeiras lições que eu recebi na faculdade de Jornalismo.’Quando um cachorro morde uma criança não é notícia. Porém, uma criança morder um cachorro é manchete de capa.’

Recentemente, já como jornalista profissional, com diploma, DRT e pouco mais de três anos de atuação, recebi esta mesma lição, porém na prática e da pior maneira.

Ao indicar a uma colega, pauteira de uma das principais emissoras da televisão brasileira, a cobertura de um congresso que reuniu, em São Paulo, mais de 1,2 mil professores do ensino fundamental público e privado, com o objetivo de ouvir e discutir com grandes nomes da educação nacional e internacional os problemas e as soluções do ensino fundamental. Estudiosos renomados, como o’setentão’ Celso Antunes, que conta com mais de 50 anos de sala de aula e pesquisas de educação. A’oitentona’ Thereza Penna Firme, que há mais de seis décadas forma professores e alunos, além de convidados especiais de Portugal e de Cuba.

Eis que esta colega, visivelmente sentida, me respondeu que achava a pauta muito interessante, mas,’infelizmente não poderia cobrir por falta de equipe, pois todo seu efetivo estava de plantão no confronto da favela Paraisópolis, em São Paulo, e no caso de um grupo de extermínio de Taboão da Serra, na grande São Paulo’.

Eu vou interromper este texto mesmo inacabado, propondo que você, leitor, tire suas próprias conclusões a respeito…

Não! É óbvio que não conseguiria deixar de expurgar meu entendimento dessa lição real de jornalismo. Vivemos um tempo em que tudo tem que ter muita graça ou muita violência – ou os dois. As redações não têm mais espaço para informar algo que leve a população à evolução. Mostrar a educação na televisão, no jornal do horário nobre, seria a mesma coisa que contar a história do cachorro que mordeu o a criança. Parabéns, imprensa brasileira, por mostrar ao povo que é mais importante – e divertido – promover o caos do que a educação.

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Jornalista, Curitiba, PR

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